FPS opõe-se ao recuo no processo de qualificação olímpico para Los Angeles'2028

Presidente Gonçalo Saldanha fala em “gestão desastrosa” do processo por parte da ISA

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Surfista em ação
Surfista em ação • Foto: WSL
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A Federação Portuguesa de Surf, através do presidente vigente, Gonçalo Saldanha, critica a mudança recente ocorrida no processo de qualificação olímpico do surf para os Jogos de Los Angeles’2028, considerando que a International Surfing Association (ISA), na pessoa do presidente Fernando Aguerre, teve uma “gestão desastrosa” do processo, sobretudo “do ponto de vista político”.

Após anunciar um novo sistema de qualificação no início de 2026, algo diferente dos anteriores, onde eram dadas mais vagas aos campeonatos da ISA, a mesma ISA apresentou recentemente uma nova alteração, já no decorrer do ciclo olímpico, de forma a ir ao encontro de algumas queixas que vieram a público por parte dos surfistas que competem no World Tour da World Surf League (WSL). Algo que a FPS considera um “revés” neste processo e uma oportunidade perdida para “proteger a igualdade no desporto”. “Os atletas da WSL nunca respeitaram a soberania da ISA. Quando a ISA consegue ter mais vagas, competindo de igual para igual, dando visibilidade olímpica a todos, temos um revés desta natureza, devido a um braço de ferro feito pela WSL, instrumentalizando quem de direito. Estamos perante uma liga privada que fez uma interferência na gestão deste processo”, sintetiza a Record Gonçalo Saldanha, que assumiu a liderança da FPS em fevereiro de 2025.

Embora frise que alterações do processo qualificativo a meio do ciclo olímpico já aconteceram no passado noutros desportos, Gonçalo Saldanha lamenta o sucedido, apontando o dedo a Fernando Aguerre, histórico presidente da ISA, que já leva mais de três décadas no poder. “Dá um sinal claro de que a WSL pode pressionar certos pontos e que a ISA vai recuar perante isso”, apontou.

“Em vez de se escudar nas Federações todas, foi atrás das Federações mais poderosas, como Japão, Estados Unidos, França, por exemplo, que têm maior poderio entre os surfistas. Todos os outros que também têm votos ficaram para trás”, explica Saldanha, que apelida ainda esta decisão de “unilateral”: “Além de atacarmos o posicionamento político da ISA, lamentamos o facto de não termos sido ouvidos”.

Líder da FPS crítico

Além dos vários recuos no processo de qualificação, o líder da FPS critica uma novidade que vai permitir aos surfistas que fazem parte do World Tour da WSL entrar diretamente para a ronda 3 do Mundial ISA (World Surfing Games), o que na visão do próprio vai contra “o espírito olímpico e de fraternidade”.

Rejeitando apelidar esta nova mudança de prejudicial para as aspirações nacionais, Saldanha não deixa de vincar que nada disto vai ao encontro do projeto que tem em vigor para as Seleções Nacionais. “Enquanto presidente da Federação tenho de olhar para a floresta e não para a árvore. Sabemos que já apurámos atletas através do World Tour da WSL, mas não sabemos se essas condições se vão voltar a repetir. O que queremos é competir nos campeonatos da ISA e não nos campeonatos privados”, reforça.  

Garantindo que esta polémica alteração não vai interferir com as ambições nacionais rumo a Los Angeles’2028, o líder federativo explica que a situação dá “mais força para conseguirmos identificar precocemente os talentos, mas, por outro lado, o que queremos é lutar por ligas regionais, por uma Europa forte”.  

Para terminar, Gonçalo Saldanha sublinha que, a partir de agora, “quem passou a marcar o ritmo destes processos foi a WSL” e que toda esta situação “enfraquece a imagem do surf e da ISA a nível mundial”. Para terminar, o dirigente garante que “quer ser esclarecido pela ISA” acerca de toda esta situação.

Em termos de formato competitivo, os Jogos Olímpicos de Los Angeles’2028 vão manter os 24 atletas masculinos e 24 atletas femininos. Contudo, na atualização de fevereiro, o World Tour da WSL apenas iria apurar cinco surfistas por género, contra os 10 homens e oito mulheres de Paris’2024. Na nova atualização, o World Tour passa a atribuir oito vagas por género. Já Mundial ISA de 2028 iria atribuir 10 vagas por género, de acordo com a mudança de fevereiro, mas neste novo processo irá atribuir somente sete vagas por género, algo idêntico a Paris’2024, onde apurou cinco vagas masculinas e sete femininas. Além disso, após um aumento de três vagas por país por género, a nova atualização recuou para o anterior limite de duas vagas por país por género.

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