Gabriel Medina e Carissa Moore entre os surfistas que abandonaram Mundial ISA

Tops mundiais que já estão qualificados para Tóquio fizeram boicote à prova de El Salvador

• Foto: Carlos Barroso/Arquivo

O segundo dia de ação em El Salvador, no Mundial ISA que vai definir as últimas vagas para os Jogos Olímpicos de Tóquio, ficou marcado por uma tomada de posição invulgar por parte de vários surfistas que fazem parte do circuito mundial da WSL e que, curiosamente, já estão garantidos em Tóquio. O brasileiro Gabriel Medina e a campeã mundial Carissa Moore encabeçam uma forte lista de tops mundiais que abandonou a prova e, simplesmente, não surgiram na ronda 2 para competir.

Com o protocolo olímpico definido pela ISA a obrigar qualquer dos surfistas qualificados via WCT a marcar presença nestes Mundiais de Seleções para poder marcar presença em Tóquio, uma mão cheia de surfistas que se enquadra nesse ponto decidiu entrar na primeira ronda de forma a cumprir o protocolo e deixar o campeonato, cumprindo, assim, o requerimento para ir a Tóquio.

Além de Gabriel Medina, atual líder mundial, e da campeã mundial Carissa Moore, também não marcaram presença na segunda ronda do Mundial a norte-americana e vice-campeã mundial em título Caroline Marks e ainda a brasileira Tatiana Weston-Webb e a costarriquenha Brisa Hennessy. Todos eles terminaram dentro do top 10 mundial no caso masculino e top 8 no caso feminino do circuito mundial de 2019, pelo que ficaram automaticamente qualificados para os Jogos.

Ao contrário destes cinco surfistas, outros representantes da elite mundial decidiram permanecer em prova. Foram os casos dos brasileiros Filipe Toledo e do campeão mundial em título Italo Ferreira, que também defende o título neste evento. Destaque ainda para a Austrália, que se mantém em prova com todos os tops mundiais, excetuando Nikki van Dijk, que foi uma das surfistas a testar positivo à Covid-19.

Ainda assim, tal como em 2019, a prestação dos australianos tem sido muito discreta e aquém das expectativas, o que indica que poderão sair cedo de prova, via eliminação. Curiosamente, Owen Wright e Ryan Callinan já caíram para a repescagem, enquanto Julian Wilson ainda continua no quadro principal, mesmo com prestações abaixo da média. Quem também já caiu na repescagem foi o francês Michel Bourez, outro dos surfistas já apurados para Tóquio.

Esta debandada destes tops mundiais estará relacionada com os casos positivos de Covid-19, com os atletas a preferirem rumar a casa de forma a manterem-se em segurança. Isto porque desportivamente já pouco têm a conquistar em El Salvador. Embora prejudiquem as respetivas seleções nas contas finais pelos títulos coletivos, a verdade é que desde 2019 que, mais do que as medalhas, a grande atração destes campeonatos são as vagas olímpicas em jogo.

Um cenário ambíguo que vai abrir espaço para uma luta direta pelas vagas olímpicas, sem nomes fortes pelo meio a poderem ter uma ação indireta nestas decisões, com exceção de Italo e Toledo. Contudo, quem vai beneficiar muito de tudo isto são as seleções que permanecem completas e que poderão, assim, ambicionar ao título mundial coletivo, com Portugal entre as seleções melhor posicionadas.

Por João Vasco Nunes
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