John John brilha com nota 10 e Kikas atirado para a repescagem

Primeiro dia em Margaret River marcado por ondas pesadas

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As expectativas altas para o swell XL que brindou o arranque do período de espera do Margaret River Pro foram, de certa forma, cumpridas, com alguns dos tops mundiais a conseguirem brilhar bem alto num dia marcado por ondas grandes, mas condições bem difíceis. Em lados opostos tivemos John John Florence a conseguir um tubo excelente, que foi premiado com o primeiro 10 do ano, com o dia depois a fechar com Frederico Morais a ser atirado para a repescagem, depois de não se ter encontrado com o mar no Main Break. Pelo meio houve um verdadeiro domínio goofy, com um espetáculo sem igual proporcionado pelos surfistas que enfrentaram estas ondas de backside.

A ação arrancou com a prova feminina, ainda antes de o swell atingir o seu pico e com o mar a crescer aos poucos. Com maior ou menor dificuldade, as melhores surfistas do Mundo conseguiram corresponder, com Carissa Moore a afirmar-se novamente com o seu power surf. A número um mundial fez o melhor score do dia, com 13,66 pontos, graças à única onda excelente da manhã, pontuada com 8,33.

Tal como Carissa também Tatiana Weston-Webb e Sally Fitzgibbons conseguiram vencer as respetivas baterias, sendo as únicas três top seeds a conseguirem fazê-lo. Caroline Marks também passou à ronda 3, mas ficou em segundo lugar, depois de ser superada pela grande surpresa do dia, a japonesa Amuro Tsuzuki. Em sentido inverso, as grandes decepções foram Stephanie Gilmore e Courtney Conlogue, ambas atiradas para a repescagem.

A prova avançou rapidamente para a prova masculina, com as ondas a crescerem cada vez mais. E depois de um arranque a conta-gotas, em que Seth Moniz e Filipe Toledo venceram os dois primeiros heats do dia, o espetáculo entrou em ebulição no heat 3, quando John John Florence encontrou um tubo quase divino para conseguir a tal nota 10. Uma onda absurda, surfada de forma excelente, que acabou por abafar a segunda melhor onda do havaiano, um 7,50, que na altura era a segunda melhor do dia…

No heat seguinte, Jordy Smith também esteve em bom nível ao garantir o triunfo, antes de tudo virar às direitas. A partir daqui foram os goofys a dar espetáculo, com ataques incríveis às zonas mais críticas das ondas. No melhor heat do dia, ou pelo menos o mais disputado, o wildcard Jacob Willcox colocou em xeque a supremacia de Italo Ferreira. O jovem que venceu os trials venceu a bateria com 15,30 pontos, mas Italo acabou por vencer por um triz a luta pelo segundo posto frente a outro talento local, o rookie Jack Robinson.

De seguida foi a vez de Gabriel Medina também sair vencedor na bateria de estreia, com um approach mais clínico, sem arriscar em demasia, mas fazendo o necessário para obter um triunfo folgado frente a Adriano de Souza e ao jovem wildcard Cyrus Cox. Pelo meio, houve dois surfistas que decidiram quebrar a hegemonia goofy, com o rookie sul-africano a somar um incrível score de 17,33, graças a belas curvas de frontside, num heat de sentido único frente a Wade Carmichael e Conner Coffin, que seriam boas apostas neste tipo de mar. Griffin Colapinto também deu um ar da sua graça no heat seguinte.

Por chegar estava ainda o momento alto do dia em termos de surf de backside, com Ryan Callinan a desafiar a lei da física e a bater onde poucos ousaram sequer tentar, quanto mais conseguir. Com duas pauladas incríveis no sítio certo, o australiano apenas falhou a nota 10, porque dois juízes decidiram dar 9,8. E, na realidade, bastava um deles ter dado o 10 para a nota ter saído igual à de John John. O dos grandes momentos do dia, que deixava água na boca para a última bateria da jornada, onde Kikas entrava em ação.

Com tudo à espera de ver o surfista português a fazer as suas curvas fortíssimas, a verdade é que Kikas nunca se encontrou com o mar. As duas únicas ondas decentes sorriram a Julian Wilson e Miguel Pupo. A surfar de backside, Pupo fez a melhor nota da bateria, com 7,83 pontos, juntando depois uma nota baixa como backup. Wilson foi inteligente a gerir a bateria, surfou q.b. e ainda saiu como vencedor.

Já Frederico começou a disputa com uma onda intermédia, demasiado branca, que lhe deu pouco espaço para brilhar, ficando-se pelos 2,5 pontos. A meio do dia ainda respondeu com uma nota de 5 pontos, que não teve direito a transmissão. Depois, ficou com a prioridade nos últimos 7 minutos, quando precisava de uma nota na casa dos 6 pontos para avançar. Mas a verdade é que essa onda nunca veio… Ainda não foi desta que Kikas quebrou a malapata no oeste australiano, mas ainda há a repescagem para fazê-lo.

Com os dois últimos heats da ronda inaugural a ficarem adiados para esta segunda-feira, onde o mar vai surgir novamente grande, mas perfeito devido à chegada do offshore, Frederico ainda só sabe que vai estar no heat 2 frente ao suplente Reef Heazlewood. O outro adversário ainda está por definir. É certo que ao sair derrotado da seeding round, Kikas, que até agora foi o único top seed derrotado a par de Conner Coffin, vai descer do posto 10 do seeding, mas um triunfo ainda lhe pode dar um importante estatuto de cabeça-de-série na ronda 3. Aguardemos por mais um dia de expectativas elevadas. Tudo recomeça por volta da meia-noite…

Por João Vasco Nunes
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