Lourenço Katzenstein, um perfecionista no Mundo das ondas grandes

Surfista da Ericeira apareceu “tarde”, mas dá cada vez mais nas vistas no surf nacional

• Foto: Alfonso Nieva

Tem 25 anos e cresceu a surfar as ondas perfeitas da Ericeira. Começou aos 4 anos e nunca mais largou a prancha. Na adolescência teve o primeiro contacto com as ondas grandes através de filmes e rapidamente ganhou o sonho de as domar. Mas foi só aos 20 anos, depois de terminar a faculdade, que se dedicou realmente a uma carreira no surf. Aos 25, Lourenço Katzenstein é, agora, um caso de talento tardio, mas a prova viva de que se está sempre a tempo de cumprir os sonhos. É um dos big riders mais assíduos nas ondas da Nazaré e um dos nomes em maior destaque na atualidade no surf nacional.

"Não gosto de perder e sou muito competitivo. Mas o que me guia são as ondas perfeitas. E como não via isso na competição, acabava por não me motivar a ir por essa via. Atualmente já é um pouco diferente, mas os campeonatos ainda não puxam muito por mim. Simplesmente não me quero ver forçado a fazer algo que não gosto. O surf para mim é uma paixão e não uma obrigação. O mesmo acontece na Nazaré, quando lá estão muitos surfistas cheios de pica para bater o recorde, mesmo com condições más, de 30 metros e vento onshore. Nem sequer saio da Ericeira", explica-nos Lourenço.

O surfista luso-alemão faz parte de uma geração de grandes talentos e cresceu a surfar com eles, mas nunca teve a mesma exposição mediática. "Lembro-me perfeitamente de ver o Tomás Fernandes a começar a surfar lá na Ericeira. Tinha eu cerca de 8 anos, ainda era um miúdo que não surfava muito bem. Depois, durante a infância surfámos muitas vezes juntos. Mais tarde, surfistas como o Miguel Blanco, o Vasco Ribeiro e o Frederico Morais vinham cá à Ericeira, aos Coxos e a Ribeira d’Ilhas, e para mim era sempre uma referência vê-los dentro de água", recorda.

Teve uma incursão na Liga MEO em 2017, no ano em que acabou a faculdade, mas apenas com a intenção de ir com os amigos, num espírito de aventura. Foi nessa altura que decidiu investir num curso de resgate e dedicar-se de corpo e alma às ondas grandes. Desde então, passou a ser destaque em várias sessões, quer seja na Praia do Norte, na Ericeira ou na Madeira. Um dos segredos do sucesso de Lourenço também passa pelo parceiro de equipa Francisco Roque de Pinho.

"Fazemos equipa já há alguns anos e dou-me super bem com ele. É uma grande motivação fazer equipa com o Francisco. Quando saio de uma onda ele já sabe o que tem de fazer. Temos uma ligação muito boa. Recentemente estive a rebocar a Justine Dupont, que é uma das melhores big riders da atualidade e uma das minhas referências, mas não foi tão fácil como se fosse com o Francisco. Pela minha postura ou por um sinal, ele já sabe o que é necessário fazer", elogia.

Tem o sonho de poder surfar as ondas mutantes da Austrália, aquelas que viu na adolescência e que o deixaram com muita curiosidade pelo Mundo das Ondas Grandes. Já passou por alguns sustos na Nazaré, mas garante que os surfistas estão cada vez mais preparados para enfrentar essas situações. Quanto ao melhor big rider da atualidade, nem hesita em apontar o havaiano Kai Lenny. "Está noutro patamar", vinca.

"A única vez que estive dentro de água com ele estava um swell incrível. Vi o Kai a partir a louça toda, mas, infelizmente, vi da areia, porque estávamos à espera que o trator viesse buscar a moto de água, que se tinha avariado. Quando o vi dar um aéreo 360 nem estava a acreditar no que estava a ver. A primeira vez pensei que era mentira. A seguir deu dois na mesma onda. É brutal o à vontade que ele tem. Já tentei dar aqueles 360 umas quantas vezes e não correu nada bem", admite.

O surgimento tardio de Lourenço Katzenstein também tem uma segunda explicação. "Uma das razões porque as pessoas não ouviram falar de mim mais cedo ou por não ser tão mediático, está relacionado com o facto de ser muito perfecionista e achar sempre que nada está bom o suficiente para ser partilhado. Isto até acaba por ser um defeito. Nivelo tudo pela perfeição. Eu comparo-me, por exemplo, ao Kai Lenny ou aos australianos. Por isso, se acho que não faço as coisas tão bem como eles, acho que não devo partilhar", remata o surfista da Ericeira.

Por João Vasco Nunes
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