Nomes sonantes tombam após dia dramático em Margaret River

Meias-finais e nova líder mundial já definidas na etapa do Oeste australiano

• Foto: Carlos Barroso/Record
Emoções ao rubro numa jornada épica de surf, que colocou as melhores surfistas do Mundo no centro das atenções. Com o polémico cut do meio da temporada em jogo e com apenas 10 surfistas a continuarem no circuito após esta etapa de Margaret River, este sábado, houve drama em doses elevadas no Oeste australiano. Um longo dia de ação que terminou praticamente já sem sol e que ajudou a definir mais vagas para a segunda metade da temporada, embora as contas ainda permaneçam em aberto. Pelo meio houve muitas surpresas, com algumas rookies a lutarem até ao fim, um nome sonante já pelo caminho nestas complexas contas e muitas lágrimas.

Desta vez, a WSL soube colocar o foco no surf feminino, oferecendo um dos dias mais memoráveis deste circuito, mesmo que pelo meio se tenha realizado a ronda de repescagem masculina. A ação abriu com a ronda de repescagem feminina, onde no primeiro heat foi a wildcard local Mia McCarthy a ficar pelo caminho. Mas no heat 2 houve grandes implicações nas contas do cut, com a rookie havaiana Bettylou Sakura Johnson a ser eliminada e a dizer adeus à continuidade no Tour.

A ronda 3 trouxe depois muita emoção a estas contas, com as favoritas a serem apanhadas pelo turbilhão de resultados. No primeiro heat da ronda, Brisa Hennessy conseguiu um triunfo mais importante do que ela própria sonharia. Um resultado que terminou com o sonho da rookie havaiana Luana Silva, mas que acabaria por valer o regresso à licra amarela para a surfista costarriquenha, fruto das surpreendentes eliminações da líder mundial Carissa Moore e de Tyler Wright mais à frente nesta fase.

Na segunda bateria, a rookie Gabriela Bryan venceu a vice-campeã mundial Tatiana Weston-Webb e começou aí a alimentar o sonho da qualificação. As surpresas continuaram e na terceira bateria foi a vez da rookie australiana Molly Picklum se manter em jogo ao vencer Tyler Wright. Muito por culpa de uma grande performance, com destaque para um carve de frontside ao nível das maiores estrelas do surf masculino, pontuado em 9,17. A primeira metade do draw fechou com o triunfo de Courtney Conlogue frente a Malia Manuel. Uma derrota que deixou Malia em cheque, embora poucos o esperassem, depois de a havaiana ter feito a final em Sunset.

A receita repetiu-se na segunda parte do quadro de heats, onde as surpresas não pararam. No heat 5 foi a vez da suplente Bronte Macaulay aproveitar o fator casa para conseguir um triunfo sólido, muito perto da combinação, frente a Carissa Moore. Apesar de ter um tarefa quase impossível pela frente, ao precisar de vencer a etapa para se manter na elite mundial, Macaulay aceitou o desafio e, além de manter viva a esperança, ainda serviu de bandeja a liderança do ranking a Brisa Hennessy, depois de a costarriquenha a ter perdido na última etapa. Depois de duas temporadas inteiras sem derrotas antes dos quartos-de-final, este ano Carissa Moore já caiu por duas vezes na ronda 3. Primeiro em Sunset e agora perante Bronte Macaulay em Margaret.

Depois disso, e já com muitas lágrimas derramadas entre as surfistas confirmadas fora do cut e muito alívio entre as que iam segurando as suas vagas, as surpresas fizeram uma pausa, para Stephanie Gilmore vencer uma verdadeira final frente à rookie India Robinson, que disse, assim, adeus à segunda metade da temporada, embora tivesse chegado a Margaret dentro do cut. Dessa forma, mais quatro vagas estavam já definidas no top 10 final, com Courtney Conlogue, Tatiana Weston-Webb, Stephanie Gilmore e Johanne Defay a juntarem-se a Carissa Moore, Tyler Wright, Brisa Hennessy e Lakey Peterson, que chegaram já qualificadas a Margaret.

Mas nem por isso a ação abrandou e os dois últimos heats da ronda tiveram grandes consequências para as contas. Primeiro foi Isabella Nichols a vencer Lakey Peterson e a manter vivo o sonho da requalificação por apenas 0,27 pontos. Depois, foi Sally Fitzgibbons a perder o duelo frente a Johanne Defay, numa bateria que fechou a ronda e teve o condão de confirmar o afastamento de Sally da elite mundial para a segunda metade da temporada, naquele que foi o nome mais sonante a ser vítima deste novo cut de meio da temporada.  

Sally foi campeã mundial júnior aos 16 anos, venceu o QS aos 18 anos e chegou à elite mundial em 2009. Em 2010, 2011 e 2012 foi sempre vice-campeã mundial e desde então fixou-se mais quatro vezes no top 3 mundial, incluindo no ano passado. Foram 13 temporadas ao mais alto nível no WCT, sempre entre as principais candidatas ao título mundial, saindo, agora, aos 31 anos. Pelo meio foram 12 triunfos em etapas, o último dos quais no ano passado, na etapa de Rottnest Island. Mas a campeã mundial ISA em título terá uma palavra a dizer na segunda metade do ano nas Challenger Series, onde se pode requalificar para 2023.

Quando tanta emoção parecia já difícil de digerir, eis que a prova avançou ainda para os quartos-de-final, com a possibilidade de todas as vagas ficarem fechadas. Só que as surfistas que corriam atrás das contas tiveram outros planos e decidiram elevar ainda mais o drama. Gabriela Bryan começou logo por vencer a nova líder do ranking mundial, a costarriquenha Brissa Hennessy. Um resultado que colocou a rookie havaiana virtualmente dentro do cut e que ajudou a baralhar ainda mais as contas na frente do ranking e na luta pelo top 5 do final do ano, que terá acesso à finalíssima.

Depois, foi a vez de Courtney Conlogue vencer Molly Picklum, acabando com o sonho da rookie australiana que parecia lançada em Margaret River, mas que nem isso evitou a queda do Tour. Já Conlogue é a única representante das surfistas mais experientes e reais candidatas ao título a conseguir uma vaga nas meias-finais. Das quatro surfistas ainda em prova é a única já com vitórias em etapas no CT, embora não o faça desde 2019. Algo que deixa perceber bem o nível de surrealismo deste dia e que garante que vamos ter uma nova vencedora de etapas em 2022.

Depois, nos últimos heats do dia, mais resultados daqueles com o condão de baralhar ainda mais as contas. Bronte Macaulay eliminou Stephanie Gilmore na última onda da bateria e por apenas 0,10 pontos, igualando, assim, o terceiro posto obtido no ano passado em casa, numa etapa que foi marcante pelo falecimento do irmão. Desta vez, poderá sê-lo se vencer e conseguir aquilo que parecia impensável para todos à partida para esta etapa, sobretudo depois de ter enfrentado e vencido Carissa e Steph num só dia – são 12 títulos mundiais juntos.

Com duas vagas do top 10 ainda por definir e com Malia Manuel, Gabriela Bryan e Bronte Macaulay com possibilidades de a conseguirem, eis que Isabella Nichols decidiu aumentar o número de pretendentes, depois de vencer Johanne Defay num heat que acabou numa altura em que já mal se viam as surfistas na água, com a noite a cair rapidamente na West Oz. Contas feitas, restam quatro candidatas para apenas duas vagas, com uma delas, Malia Manuel, já fora de prova.

Eis as contas:

- Gabriela Bryan está virtualmente a fechar o cut, com 17390 pontos. Acima e ainda sem lugar garantido está Malia Manuel, já eliminada nesta prova, com 17765 pontos;

- Se Isabella Nichols for à final, supera esse cut virtual e sobe aos 17765 pontos. Mas se Bryan também for à final faz 19105 pontos, e o cut passa para Malia Manuel, com 17765 pontos, os mesmos de Nichols se esta for à final – terá de haver desempate pelo número de triunfos na temporada, excetuando a ronda de repescagem e caso o empate se mantenha será a média de scores a desempatar;

- Depois há ainda a suplente Bronte Macaulay, que precisa de vencer para entrar no cut. Se isso acontecer faz 18400 pontos;

- Contudo, como Macaulay está na mesma metade do draw de Nichols, para Macaulay vencer, Nichols terá de ficar automaticamente pelas meias-finais. Nesse caso, Macaulay ficaria com uma vaga e a outra vaga seria de Bryan se fosse à final, ou de Malia Manuel caso a jovem rookie havaiana perca frente a Courtney Conlogue nas meias-finais.

Simples? Nem por isso. Contudo, é certo que a emoção vai continuar quando a ação regressar à água. E se é assim do lado feminino, imaginem do lado masculino, onde há mais de 20 surfistas a lutarem pelas 9 vagas ainda disponíveis.
Por João Vasco Nunes
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