Teresa Bonvalot a três heats da qualificação para o World Tour 2026
Campeã nacional pode juntar-se a Yolanda Hopkins e Kika Veselko na elite mundial
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Teresa Bonvalot não entrou na água, esta quinta-feira, em mais uma jornada do Newcastle Surfest, derradeira etapa do circuito Challenger Series 2025/26, mas nem por isso deixou de ficar mais perto de poder qualificar-se para o circuito mundial do próximo ano. Com várias concorrentes diretas a serem eliminadas nos últimos heats da ronda 2 feminina, a campeã nacional viu abrir-se o caminho para a elite mundial feminina do próximo ano, estando, agora, a três heats de carimbar a qualificação.
Teresa, de 26 anos, chegou à Austrália no 13.º posto do ranking e a precisar de vencer o evento para qualificar-se sem depender de resultados de terceiras. Contudo, com três vagas ainda em aberto para o World Tour 2026, as várias eliminações entre as surfistas candidatas à qualificação, abriu espaço ao sonho da surfista portuguesa, que pode juntar-se às compatriotas Yolanda Hopkins e Kika Veselko, ambas já qualificadas.
Teresa está, para já, nos oitavos-de-final em Newcastle, onde irá enfrentar a australiana Sophie McCulloch, uma adversária direta nas contas e a surfista que foi responsável por a portuguesa ter falhado a inédita qualificação em 2022, quando ficou de fora por apenas uma posição, em igualdade pontual com McCulloch. No entanto, neste momento da prova, Bonvalot já garante matematicamente a qualificação se alcançar a final. E até poderá qualificar-se “apenas” com a chegada às meias-finais, mas ficando sempre dependente do desempenho de outras surfistas.
Teresa Bonvalot entrou nesta disputa no 13.º posto, mas já subiu virtualmente ao 11.º lugar do ranking, com 17745 pontos, a somente 1840 pontos da espanhola Annette Gonzalez Etxabarri, que fecha o corte do top 7 e que foi surpreendentemente eliminada em Newcastle na ronda 2. Algo que ajudou bastante as aspirações da surfista portuguesa.
Para continuar a sonhar com a qualificação, Teresa Bonvalot precisa de avançar na prova e vencer a bateria dos oitavos-de-final, que deve acontecer já esta madrugada de sexta-feira. Caso supere Sophie McCulloch na próxima ronda, a australiana fica logo fora das contas da qualificação e Teresa dá mais um passo rumo ao circuito mundial deste ano, que arranca no início de abril, também na Austrália, mas em Bells Beach.
Em caso de sucesso nos oitavos-de-final frente a uma adversária direta, Bonvalot irá medir forças nos quartos-de-final com a vencedora do duelo entre a norte-americana Eden Walla e a peruana Sol Aguirre. E a chegada às meias-finais colocaria a surfista lusa com 20510 pontos e virtualmente no 6.º posto do ranking, uma posição à frente do corte.
Ora nesse cenário, Teresa ainda ficaria dependente da prestação de algumas surfistas que continuam em prova. Para superarem esse registo pontual, a israelita Anat Lelior necessita de chegar aos quartos-de-final, tal como a norte-americana Alyssa Spencer, enquanto a norte-americana Kirra Pinkerton precisa de chegar às meias-finais e a australiana Ellie Harrison ir à final. Para Teresa Bonvalot se qualificar com o 3.º lugar final (meias-finais), que até foi o resultado que conseguiu no arranque do circuito, também em Newcastle, apenas um dos cenários acima poderia ser atingido pelas adversárias. Porque se mais do que uma conseguisse o requisito, iria colocar Teresa abaixo do corte de qualificação. Só que, pelo meio, ainda entra a lógica do quadro de heats, que nos oitavos-de-final vai colocar frente-a-frente Anat Lelior com Ellie Harrison e Alyssa Spencer com Kirra Pinkerton. Tecnicamente, se Lelior e Spencer vencerem esses duelos, a surfista portuguesa passa automaticamente a precisar de chegar à final para se qualificar. Outros desfechos vão beneficiar as contas de Teresa.
Já se Teresa Bonvalot conseguir chegar à final, irá somar 22225 pontos e subirá virtualmente ao 5.º posto. Aí já teria a margem de duas posições para gerir. E as únicas surfistas em prova que poderiam superar esse registo seriam Anat Lelior, com uma ida às meias-finais, e as norte-americanas Alyssa Spencer e Kirra Pinkerton, se chegassem à final. Apenas duas das três surfistas poderiam atingir o requisito para Teresa continuar dentro do corte. Mas como ambas as surfistas norte-americanas estão do mesmo lado do quadro e até se enfrentam nos oitavos-de-final, só uma delas poderá conseguir cumprir esse desígnio. Ellie Harrison também poderia superar o registo pontual de Teresa caso vencesse a etapa. Contudo, como estão do mesmo lado do quadro, se Bonvalot chegar à final, a australiana nunca o poderá fazer.
Resumindo, em caso de chegar à final Teresa Bonvalot fica matematicamente qualificada, mesmo sem precisar de vencer o evento. As meias-finais também poderão ser suficientes para a qualificação, dependendo do desfecho das próximas rondas. Contudo, o que é mesmo necessário é que Teresa continue a avançar na prova, começando por vencer Sophie McCulloch nos oitavos-de-final. Uma derrota da campeã nacional até às meias-finais dita automaticamente o fim do sonho da qualificação… por este ano.
As contas começam a dissipar-se a partir das 20h30 em Portugal Continental e seguem madrugada dentro, com a realização dos oitavos-de-final femininos e masculinos – as rondas finais do Newcastle Surfest não serão disputadas esta sexta-feira. A calculadora não pode faltar para uma jornada que pode alimentar o sonho português de colocar três surfistas em simultâneo na elite do surf mundial feminino. Isto depois de Yolanda Hopkins e Francisca Veselko já o terem carimbado de forma antecipada em etapas anteriores, fazendo ambas história, uma vez que Portugal nunca tinha conseguido qualificar uma surfista feminina a tempo inteiro para o circuito mundial – apenas Tiago Pires e Frederico Morais o haviam feito no masculino.
