Bahrami: «Não odeio o meu país»

Quando entrevistámos Mansour Bahrami no Vale do Lobo Grand Champions, prova do circuito mundial de veteranos que hoje termina no Algarve, começámos por solicitar dois minutos da sua atenção. Contudo, o jogador avisou-nos logo: "Olhe que vai ser difícil contar-lhe a história da minha vida em apenas dois minutos..." E tinha razão!

Bahrami é um jogador exímio, que nunca teve um treinador de ténis. Nascido no Norte do Irão, mudou-se com a família para Teerão, onde o pai passou a trabalhar num luxuoso clube de ténis. "Eu era apanha-bolas dos ricos. Queria jogar mas, como nunca me deixavam, à noite ia para os 'courts' e fingia que jogava com bocados de madeira", começou por nos dizer.

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Aos 13 anos, finalmente alguém deu-lhe uma raqueta de madeira e começou a praticar. Chegou a ir a Londres representar a antiga Pérsia na Taça Davis, mas, pouco tempo depois, seria obrigado a parar. O regime dos Ayatollah's apoderou-se do poder e declarou o ténis uma actividade ilícita, impedindo a sua prática no país. "Neste período", contou-nos, "sobrevivia a jogar gamão e póquer".

No início dos anos 80, conseguiu ir a França e nunca mais voltou. Vivia nas ruas, com muito pouco para comer. Jogava um ou outro torneio e era com esse dinheiro que se conseguia manter... "O meu visto caducou e passei a viver na clandestinidade. Só obtive autorização para residir no país depois de casar."

Autodidacta

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Embora quisesse ser tenista profissional, ninguém aceitava o seu passaporte iraniano, pelo que limitava-se a jogar em França. Só com 30 anos, pôde sair do país, mas aí já era tarde de mais... Mansour Bahrami passou ao lado de uma grande carreira, apenas por ter nascido no país errado. Ao todo disputou apenas 53 torneios de singulares, mas nunca conseguiu vencer nenhum... No entanto, ainda chegou à final de pares em Roland Garros, em 1989.

"Não odeio o meu país, antes pelo contrário. A minha história não é, de facto, muito feliz, mas não olho para o passado, só penso no futuro. É obvio que gostaria que as coisas tivessem sido um pouco diferentes, mas agora já não posso mudar nada... Divirto-me no Senior Tour e isso para mim é suficiente", explicou.

Mansour Bahrami, aos 46 anos, vive no Circuito de Veteranos aquilo a que não teve direito na sua juventude. Nunca teve treinadores, mas é um autodidacta de grande nível...

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«Gosto de ver as pessoas a rir»

Mansour Bahrami é um dos jogadores mais divertidos neste Vale do Lobo Grand Champions. Consegue fazer jogadas de um elevado nível técnico, tendo aprendido tudo sozinho... "Desde os sete anos que jogo assim. Nunca treinei nenhum gesto com particular empenho. Modéstia à parte, para um 'velho' de 46 anos, julgo estar muito bem."

O maior prazer que consegue retirar da modalidade actualmente é conseguir arrancar uma gargalhada da "plateia". "Obviamente que gosto de ganhar, mas se perder, e ver que o público nas bancadas está a sorrir, fico contente. Gosto de ver as pessoas a rir."

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A maior parte dos jogadores que estão no Algarve gostam de golfe. Amanhã vão, inclusivamente, dar umas pancadas no campo de Vale do Lobo... Mas Bahrami não alinha nessa empreitada. "Não gosto nada de golfe. É um desporto em que somos obrigados a andar muito..."

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