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O vencedor da Masters Cup e da Corrida dos Campeões fala português. Gustavo Kuerten, do alto do seu 1,91 metros e com o seu característico andar desengonçado, termina o ano de 2000 como nº 1 do Mundo. Ao derrotar - parciais de 6-4, 6-4 e 6-4 - o conceituado Andre Agassi, Guga viveu o dia mais feliz da sua vida, dedicando o extraordinário triunfo à sua mãe Alice. Um momento emocionante partilhado com 10 394 espectadores, os quais, momentos antes, tinham presenteado Agassi com uma justa e estrondosa ovação. "É o dia mais feliz de toda a minha vida", afirmou Kuerten, que nunca sonhou em um dia poder vir a ser o melhor tenista mundial.
Kuerten entrou muito bem na partida, fazendo logo um "break point" ao seu adversário e arrancando para uma sensacional exibição, assente num soberbo primeiro serviço (somou 19 ases) e em letais "passing-shots", que desmoralizaram profundamente Agassi, um especialista no jogo do fundo de "court", dotado de um fabuloso jogo de pés e de uma visão periférica fora de comum. O problema é que, domingo, Guga demonstrou ser um jogador de outro "planeta". O brasileiro conseguiu dar uma dimensão artística, com golpes de génio, ao seu jogo, muito mais criativo e versátil do que o do "Kidd" de Las Vegas.
Com o público dividido entre dois "amores" - "compreendo o apoio ao Agassi, pois ele é o jogador mais mediático do Mundo", frisou Guga -, Kuerten voltou a citar a energia positiva como um dos aspectos mais salientes para o sucesso. Mas também soube apelar à realidade e frieza dos factos. "Foi uma vitória especial, a última deste século." E voltou a reiterar o que dissera na gloriosa ronda da véspera. "Vencer na mesma semana e no mesmo dia jogadores como o Pete Sampras e o Andre Agassi é algo único, verdadeiramente especial. Foi saboroso fechar a época em Lisboa com chave de ouro."
«Adoro o Brasil»
Na hora de receber o prémio, para além do longo e emocionante abraço à sua mãe, Guga agradeceu o apoio ao público que quase encheu o Pavilhão Atlântico. "Parabéns pelo Brasil e por Portugal", gritou ele ao microfone, pedindo, em mais uma manifestação de "fair play", mais uma ovação para Andre Agassi. Enquanto o povo, nas bancadas, gritava "É campeão, é campeão", Gustavo Kuerten retribuiu o apoio da "torcida". "Agradeço a hospitalidade e o entusiasmo dos fãs portugueses", enalteceu.
"Adoro o meu país, o Brasil. A esta hora deve estar uma loucura numa pequena cidade como Florianópolis, com todo o mundo festejando na rua. O povo brasileiro necessita e aprecia estas vitórias", respondeu Guga, após ter sido colocado no mesmo patamar que Ayrton Senna, Pelé e Ronaldo pelos jornalistas seus compatriotas.
«Gosto de ser feliz e desfrutar do jogo»
O cara é muito expressivo. Solta as emoções dentro do campo e joga com um sorriso nos lábios. "Gosto de ser feliz e desfrutar do jogo", disse Kuerten, cujo nome, de origem germânica, tem pouco a ver com o seu temperamento emotivo, mais próprio de um latino. Mas há quem parta raquetas, irritado quando falha um golpe, como é, por exemplo, o caso do russo Marat Safin. "Sabem, é que só tenho três raquetas", retorquiu Guga. Depois, um pouco mais a sério, adiantou: "Estou muito contente com tudo. Não esperava já ser o nº 1 mundial, estou com a minha família, tive o apoio do público. É preciso pensar sempre pelo lado positivo."
A vibração e o divertimento são parte integrante da sua vida. "Joguei com muita confiança. Hoje (domingo), parece que pegava na bola com a mão e colocava-a onde queria. Tudo me correu bem", acentuou Gustavo Kuerten.
Nos próximos dias o novo nº1 mundial regressará à sua Florianópolis, uma pacata cidade do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Lá, Guga curtirá com os amigos, terá oportunidade de fazer surf e mais tempo para dedilhar o seu violão. "Vou fazer uma pausa de duas semanas, antes de recomeçar com os treinos. Necessito de relaxar", rematou.
Quem é quem
Nome: Gustavo Kuerten (Guga)
Data do nascimento: 10/09/1976 (24 anos)
Local de nascimento: Florianópolis, Brasil
Altura: 1,91 m
Peso: 79 kg
Residência: Florianópolis
Estado civil: solteiro
Treinador: Larri Passos
Profissional desde: 1995
Títulos em 2000: 4 (Santiago do Chile, Hamburgo, Roland Garros e Masters Cup de Lisboa).
Total de títulos: 10 (e do Grand Slam)
“Ranking”: 1º da Corrida dos Campeões e do “ranking” ATP