Angogerman Oeste Ladies Open: Isabella Shinikova ganha título mais importante

A 'papa torneios' do ITF World Tour já conquistou nas Caldas da Rainha o 22.º troféu de singulares e o 29.º título de pares da carreira no torneio de 60 mil dólares em prémios

• Foto: Joana Dantas

Desfecho agridoce a fechar uma edição inaugural memorável do Angogerman Oeste Ladies Open, o maior torneio internacional de ténis feminino a acontecer em Portugal desde 2014, organizado pela Capital Events no Complexo Municipal de Ténis das Caldas da Rainha.
 
A búlgara Isabella Shinikova (213.ª do ranking WTA), que na jornada de sábado já se tinha sagrado campeã de pares, fez a sempre desejável ‘dobradinha’, neste caso histórica, por acontecer pela primeira vez na sua carreira, e levou para casa mais um troféu de campeã, agora de singulares, ao beneficiar da desistência da sérvia Natalija Kostic (212.ª) quando já liderava a final de forma folgada, ao cabo de 52 minutos.
 
Aos 27 anos, a carismática e alta (1,84 metros) tenista da Bulgária conquistou o título mais importante da carreira — o primeiro em torneios dotados de 60 mil dólares em prémios monetários — graças aos parciais de 6-3 e 2-0, contra a simpática sérvia (de 1,62 metros), que foi traída pelo enorme esforço físico que fez ao longo de toda a semana (e as duas últimas jornadas em particular) para conseguir chegar à decisão do título.
 
Com as duas pernas enfaixadas desde o duelo das meias-finais (na ronda anterior já tinha uma delas coberta de ligaduras), Kostic não teve físico para debater-se como nas eliminatórias anteriores. Desta feita, explicou que foi «uma dor abdominal que afectava o serviço e a rotação das pancadas ao fundo do court». E não só não conseguiu como não quis arriscar, porque como discursou na cerimónia de entrega dos troféus «a saúde está em primeiro lugar e tive de ser profissional e pensar no meu futuro». Aos 25 anos, a compatriota de Novak Djokovic procurava o 14.º título de singulares da carreira no ITF World Tour.
 
Depois de uma saída do court no final do terceiro jogo do set inaugural, Natalija Kostic ainda brindou as centenas de espetadores que com uma amostra do seu ténis e, sobretudo, da sua resiliência: mesmo debilitada, recuperou um dos breaks de atraso e obrigou Isabella Shinikova a uma segunda investida.
Na final de pares de ontem, Isabella Sinikova e a francesa Jessika Ponchet arrebatarem o título de pares do Angogerman Oeste Ladies Open, superando na final, por 6-1 e 6-3, em 58 minutos, a dupla terceira cabeça-de-série, formada pela alemã Vivian Heisen e a cazaque Anna Danilina, que nos quartos-de-final tinham eliminado a portuguesa Francisca Jorge e a espanhola Olga Parres.
 
Mesmo impossibilitada de lutar pelo título nas melhores condições, Natalija Kostic nunca perdeu a boa disposição que a distinguiu ao longo de toda a semana. No discurso de vice-campeã, a tenista sérvia, deixou vários agradecimentos e uma mensagem a pensar no futuro.
 
«Muito obrigado a todos por virem assistir à final e as minhas sinceras desculpas por ter de retirar-me. Muitos parabéns à Isabella, que levou para casa dois títulos esta semana, foi fantástica. Também quero agradecer à organização, aos árbitros e ao supervisor, aos apanha bolas e aos voluntários que tornaram este torneio ainda melhor, senti-me realmente em casa e vou definitivamente voltar no próximo ano — ou não», terminou entre sorrisos e com os olhos já colocados em provas de categoria superior.
 
Isabella Shinikova foi mais contida no momento de dirigir-se ao público — e a todos aqueles que acompanharam a final em direto através da transmissão da Sport TV 1 — mas não deixou ninguém de fora dos agradecimentos: «Muito obrigada a todos por tudo. Estou muito contente por ter vencido em singulares e pares neste torneio, é a primeira vez que o faço. Obrigado à organização, aos patrocinadores, aos árbitros, aos apanha-bolas e a toda a gente que veio aqui para ver-nos jogar».
 
Na cerimónia de entrega dos troféus estiveram presentes Pedro Raposo (Vereador do Desporto e da Juventude da Câmara Municipal das Caldas da Rainha), Vasco Costa (Presidente da Federação Portuguesa de Ténis), Élio Cunha (Presidente da Associação de Ténis de Leiria), Paulo Cardoso (Juíz-árbitro do torneio), Rogério Ivan, Nuno Reis, Nuno Sardinha e Nuno Mota (promotores da Capital Events e do torneio), que também é o diretor desportivo da prova.
 
Foram ainda chamados ao campo três tenistas muito especiais para a região e o país: Carolina Reis, que jogou a fase de qualificação do torneio, Pedro Libório, vice-campeão nacional de sub-16, e Frederico Silva, que apesar da tenra idade já é considerado o melhor tenista de sempre das Caldas da Rainha e no último mês voltou a representar a seleção nacional na Taça Davis. Os três jogadores representam o Clube de Ténis das Caldas da Rainha e treinam em academias da região, como a Felner Tennis Academy e a Nuno Mota Tennis Academy.
 
No lançamento da cerimónia, Pedro Raposo, Vereador com os pelouros da Educação, Desporto e Juventude da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, partilhou com todos os presentes a satisfação por receber um torneio desta dimensão.
 
«Ao longo da semana assistimos a momentos extremamente agradáveis daquilo que é a qualidade do ténis feminino. A organização está de facto de parabéns, durante a semana houve um esforço, um envolvimento e uma capacidade muito grandes de levar a cabo este torneio, que foi uma experiência nova para o município. Fica aqui o registo daquilo que foi a qualidade e capacidade organizativas e a excelência de desempenho desportivo», frisou
 
Vasco Costa, o Presidente da Federação Portuguesa de Ténis, vindo do enorme sucesso que foi a organização em Lisboa da Assembleia Geral eleitoral da Federação Internacional de Ténis, durante esta semana, veio às Caldas da Rainha destacar a importância do Angogerman Oeste Ladies Open no calendário português e deixou uma promessa para o futuro.
 
«Quero felicitar a organização. É o melhor e maior torneio internacional feminino que se realiza em Portugal e quero felicitar toda a capacidade organizativa, os árbitros, os juízes de linha, os apanha-bolas e toda a equipa que esteve a trabalhar no torneio ao longo de toda a semana.
 
«Só foi possível com o apoio incondicional da Câmara Municipal e de todos os patrocinadores que ajudaram a montar este torneio, que surge no seguimento daquilo que é o nosso ténis feminino, uma aposta no futuro. Já tivemos três jogadoras portuguesas a disputar o quadro principal e acredito que no futuro vamos ter muitas mais. Muito obrigado a todos e até para o ano», sublinhou o responsável máximo da FPT, que para a semana já estará no Algarve no Campeonato Nacional de Veteranos.
 
Recorde-se que o Angogerman Oeste Ladies Open é organizado pela Capital Events em parceria com a Câmara Municipal das Caldas da Rainha, a Federação Internacional de Ténis e a Federação Portuguesa de Ténis. Ao todo, foram distribuídos 60 mil dólares em prémios monetários que fizeram deste o torneio internacional de ténis feminino mais importante a acontecer em Portugal desde o ano de 2014 e o segundo maior torneio de ténis no nosso país, logo a seguir ao Millennium Estoril Open do ATP Tour.

Por Hugo Ribeiro
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