Lisboa Belém Open fica sem jogadores portugueses

Trio foi eliminado na segunda ronda da prova

O 3.º Lisboa Belém Open, de 46.600 euros em prémios monetários, viveu hoje (quarta-feira) um momento invulgar em torneios do ATP Challenger Tour, quando o português João Domingues, o 15.º cabeça de série, defrontou o espanhol Mário Vilella no Estádio CIF, no último encontro da terceira jornada. No topo sul, nas bancadas, estavam António Martinez Cascales e Larri Passos, ambos treinadores que ajudaram jogadores a chegarem à primeira posição do ranking mundial.
 
O brasileiro Larri Passos está na sua terceira semana consecutiva como conselheiro técnico de João Domingues, a convite de André Podalka e João Antunes, os habituais treinadores do atual n.º3 português e 163.º do ranking mundial, a sua melhor classificação de sempre. Ora o carismático Larri Passos foi o treinador que pegou num menino "Guga" Kuerten e acompanhou-o a ser n.º1 mundial e tricampeão de Roland Garros.
 
O espanhol António Martinez Cascales, que é também o atual presidente da Federação de Ténis de Valência, veio a Portugal a um casamento para o qual foi convidado e aproveitou para orientar no Club Internacional de Foot-Ball um dos atletas da academia Equalite, em Villena, onde partilha a responsabilidade técnica máxima com Juan Carlos Ferrero. O mesmo Juan Carlos Ferrero que foi n.º1 mundial e ganhou Roland Garros.
 
Mário Vilella, 260.º no ranking mundial, venceu o encontro por 6-3 e 6-4, em uma hora e 21 minutos, num encontro sem grande história, dado o cansaço acumulado de João Domingues, por quatro semanas de competição ao mais alto nível. Com efeito, o jogador de Oliveira de Azeméis alcançou nas semanas anteriores os melhores resultados da sua carreira.
 
A saber: chegou à final do Challenger de Tunis (6 encontros disputados); passou o qualifying do Millennium Estoril Open e ainda venceu dois encontros no quadro principal, antes de perder com o futuro campeão Stefanos Tsitsipas, tendo sido a primeira vez que atingiu os quartos de final em torneios do ATP Tour (5 encontros); sagrou-se campeão do Braga Open, onde conquistou o segundo título Challenger da sua carreira (5 encontros) e perdeu agora na segunda ronda do Lisboa Belém Open (1 encontro).
 
O 17.º duelo seguido em quatro semanas em eventos de nível muito elevado foi a gota de água que fez transbordar o copo de cansaço do aguerrido internacional português da Taça Davis. «Isto é inédito na carreira dele. Faz parte da aprendizagem, mas mesmo muito cansado, deu a cara à luta e veio jogar. Isso é importante», comentou Larri Passos.
 
«Têm sido semanas muito intensas, com muitos encontros. Se fosse noutro sítio qualquer não teria jogado o torneio. Não estava a 100% mentalmente e fisicamente, mas é sempre bom jogar em casa e não queria saltar a semana», disse João Domingues, que chegou a ser assistido no campo no início do segundo set, devido a dores na zona dos adutores e lombares, que já se tinham manifestado antes da final em Braga.
 
Com o desaire de João Domingues, o Lisboa Belém Open ficou sem jogadores portugueses no torneio de singulares, quando amanhã se iniciam os oitavos de final.
 
Logo a começar a jornada, Pedro Sousa, o 4.º cabeça de série do 3.º Lisboa Belém Open, anunciou a sua desistência. Não foi uma surpresa pois o n.º2 nacional e 120.º no ranking mundial ainda não recuperou da entorse contraída há duas semanas no Clube de Ténis do Estoril. O atleta do CIF espera poder estar em condições de jogar a fase de qualificação de Roland Garros para a semana. «Infelizmente ainda não estou em condições de competir. Não foi uma decisão fácil, mas não valia a pena arriscar a jogar aqui, até porque para a semana há Roland Garros e é um torneio obviamente importante», disse o internacional português da Taça Davis.
 
Essa desistência permitiu ao jovem de 19 anos, Luís Faria, jogar uma primeira segunda ronda em Challengers, com o estatuto de ‘lucky loser’ (repescado para o quadro principal depois de ter perdido na fase de qualificação). Estava naturalmente «feliz e nervoso, com sensações ambivalentes» e não foi capaz de mostrar o seu melhor ténis, mas o adversário, o italiano Roberto Marcora, também provou porque é o 190.º tenista do mundo. Com um estilo muito agressivo no serviço e ao fundo do campo, venceu por 6-1 e 6-2, em 53 minutos.
 
Quanto a Frederico Silva, 326.º no ranking mundial, ficou-se também pela segunda ronda, diante do espanhol Pedro Martinez, o 7.º cabeça de série e 143.º na tabela do ATP Tour, por 6-3 e 6-4, em uma hora e 39 minutos. Num embate em que o jogador das Caldas da Rainha quebrou por duas vezes o serviço do adversário, mas também cedeu o seu saque em quatro ocasiões, a diferença residiu na capacidade do espanhol de 22 anos, atleta da academia Equelite em Villena, manter um nível elevado mais constante. «O Kiko teve muitos altos e baixos ao longo do encontro e não conseguiu entrar verdadeiramente em jogo», comentou o seu treinador, Pedro Felner. «Ele conseguiu manter o nível de jogo dele durante praticamente todo o encontro e eu não. Tive partes do encontro em que joguei bem, consegui fazer o que queria e jogar bom ténis, mas depois houve outras fases em que cometi mais erros, não fui tão agressivo e ele soube aproveitar isso», admitiu o internacional português da Taça Davis, que continua a regressar em bom nível à competição depois de uma cirurgia em janeiro.
 
A única vitória portuguesa do dia sucedeu no torneio pares mas num duelo só entre tenistas nacionais. Francisco Cabral e Gonçalo Falcão qualificaram-se para os quartos de final, ao bateram Tiago Cação e Luís Faria por 6-1 e 7-5. Curiosamente, Cabral e Falcão foram adversários na final de pares do último Campeonato Nacional e agora estão há duas semanas seguidas a atuar como parceiros.
 
Dos restantes encontros do dia, o destaque vai para um bom espetáculo entre dois vice-campeões da Taça Davis. O belga Steve Darcis, que já foi top-40 e agora é 256.º, esteve a perder por 5-0 mas deu a volta e venceu por 5-7, 6-0 e 6-1 o francês Adrian Mannarino, o primeiro cabeça de série e 50.º ATP (chegou a ser top-25). Foi o terceiro sucesso do talentoso Darcis de 35 anos sobre Mannarino.
 
Amanhã (quinta-feira) jogam-se os oitavos de final de singulares e os quartos de final de pares, a partir das 10h00, havendo ainda duas duplas portuguesas em prova. O primeiro embate no Estádio CIF, entre os espanhóis Roberto Carballes, o 2.º cabeça de série, e Bernabé Zapata provocará ‘fogo de artifício’.

Por Hugo Ribeiro
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