Maria João Koehler treina Ellen Perez, leva-a às 'meias' do Open Internacional Feminino e a Tóquio'2020

Torneio de 21 mil euros em prémios monetários realiza-se em São Domingos de Benfica

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Tenis • Foto: Carlos Alves Sousa

O 1.º Open Internacional de Ténis Feminino de São Domingos de Benfica pode já não ter jogadoras portuguesas em prova desde os oitavos de final de singulares e os quartos de final de pares, mas, em contrapartida, os jovens treinadores nacionais estão a dar cartas. Dois deles – Maria João Koehler e Miguel Semedo – viram hoje (sexta-feira) as suas jogadoras – Ellen Perez e Lulu Sun – apurarem-se para as meias-finais de amanhã (Sábado).
 
A suíça Lulu Sun, de 20 anos, 737.ª no ranking mundial, bateu a espanhola Yvonne Cavalle-Reimers, de 29 anos e 400.ª WTA, por 6-1 e 7-6, em 1h36. Vai agora medir forças com a finlandesa de origem russa, Anastasia Kulikova, de 21 anos, 393.ª na hierarquia internacional, que superou por seu lado a "qualifier" norueguesa Melanie Stoke, de 24 anos e 461.ª no ranking, por 6-2 e 7-5, em 1h52.
 
Houve uma "qualifier" a passar às meias-finais, a australiana Olivia Gadecki, uma forte promessa de 19 anos, 394.ª do Mundo, que este ano já conquistou o seu primeiro título internacional em Antalya, na Turquia (um W15). Gadecki somou a sua quinta vitória seguida, desta feita diante da japonesa Haruka Kaji, de 26 anos e classificada no 283.º posto, por 6-2 e 6-3, em 1h15.
 
Será essa Olivia Gadecki, talvez a jogadora cuja qualidade tenística mais tem impressionado esta semana, a adversária deste sábado  de Ellen Perez, a australiana com alguma ascendência espanhola que tornou-se na única cabeça de série a passar às meias-finais.
 
No encontro teoricamente mais aliciante da jornada, quiçá até do torneio, pelo estatuto das duas jogadoras, Ellen Perez, a 3.ª cabeça de série, eliminou a britânica Katie Swan, a 7.ª pré-designada, por 2-6, 6-4, 3-0 e desistência da jogadora de Bristol por lesão na cervical, depois de ter sido assistida em campo. O espetáculo de 1h56, sob forte calor, acabou por não ser o esperado. Houve 19 duplas-faltas da britânica e cinco da australiana, e registaram-se seis "breaks" para cada lado.
 
As duas jogadoras têm história com Portugal. Katie Swan viveu a sua primeira experiência com o ténis quando, em menina, passando férias no nosso país, tentou jogar e o treinador aconselhou os pais a meterem-na a sério na modalidade. O certo é que, aos 22 anos, já ganhou oito títulos do ITF World Tennis Tour, um deles em Portugal, no Óbidos Ladies Open de outubro de 2017. Com 16 anos tornou-se na mais jovem britânica a jogar na seleção da Fed Cup (agora Bille Jean King Cup), no escalão de sub-18 foi n.º2 mundial em 2016 e finalista do Open da Austrália em 2015.
 
Como profissional foi 163.ª em outubro de 2018, mas uma multiplicidade de lesões têm-na impedido de mostrar o que vale. Em 2020 só jogou quatro torneios. Este ano conquistou o seu oitavo título em fevereiro, no W25 de Orlando, nos Estados Unidos, e, antes de vir para Portugal, passou o "qualifying" de Wimbledon. Só foi travada no quadro principal pela norte-americana Madison Keys (ex-finalista do US Open).
 
Ellen Perez também superou a fase de qualificativa de Wimbledon e caiu na primeira ronda do quadro principal diante da francesa Clara Burel. Sendo a 50.ª mundial de pares, pode jogar os melhores torneios desta variante (tem até dois títulos de pares no circuito WTA). Aliás, foi pelos pares que qualificou-se para os Jogos Olímpicos de Tóquio, onde irá emparceirar com a sua compatriota Sam Stosur, a campeã do US Open de 2011. No entanto, Ellen Perez não tem dúvidas – «vejo-me como uma jogadora de singulares» e, por isso, tem de disputar estas provas do ITF World Tennis Tour para ganhar pontos e subir no ranking.
 
A sua ligação a Portugal vem do facto de ter encetado há poucas semanas uma relação profissional com Maria João Koehler, de 28 anos que foi seis vezes campeã nacional e 102.ª no ranking WTA, a segunda melhor classificação de sempre de uma portuguesa. Devido a lesões, sobretudo nos joelhos, MJK teve de encerrar a sua carreira de jogadora, foi treinadora na conceituada Rafa Nadal Tennis Academy em Palma de Maiorca e agora é a treinadora privada de Perez, com a curiosidade de serem ambas esquerdinas.
 
"Queremos que a Ellen entre no US Open, depois de ter jogado o Open da Austrália e de Roland Garros com "wild cards" e Wimbledon pelo "qualifying". Para isso ela tem de somar pontos nestes torneios", explica a portuense que defrontou três ex-n.º1 mundiais em Majors: Kim Clijsters e Jelena Jankovic no Open da Austrália e Viktoria Azarenka em Wimbledon. Para já, a parceria está a dar frutos. Era suposto poder terminar depois de Wimbledon, mas Ellen Perez já solicitou a MJK para prolongar a relação profissional e nenhuma delas pensa agora em terminá-la tão cedo.  
 
A jornada de amanhã (sexta-feira) inicia-se às 11h00 e o juiz-árbitro Paulo Cardoso pretende disputar as meias-finais de singulares e ainda a final de pares. Hoje concluíram-se os quartos de final de singulares com os seguintes resultados:
 
Lulu Sun (Suíça)-Yvonne Cavalle-Reimers (Espanha), 6-1, 7-6 (7/4); Anastasia Kulikova (Finlândia)-Melanie Stokke (Noruega/Q), 6-2, 7-5; Olivia Gadecki (Austrália/Q)-Haruka Kaji (Japão), 6-2, 6-3; Ellen Perez (Austrália/cs3)-Katie Swan (Grã-Bretanha/cs7), 2-6, 6-4, 3-0, desistência por lesão na cervical.
 
O 1.º Open Internacional de Ténis Feminino de São Domingos de Benfica é um torneio de 25 mil dólares em prémios monetários, cerca de 21 mil euros, decorre até Domingo nos hardcourts do São João Ténis, em Lisboa, sendo organizado pela MP Ténis, Federação Portuguesa de Ténis (FPT) e a Junta de Freguesia local.

Por Hugo Ribeiro
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