Mundiais de veteranos: Portugueses eliminados nos oitavos de final de singulares

Isabel Cunha de Eça e Nuno Delfino perderam ambos em três sets

• Foto: Beatriz Ruivo

Isabel Cunha de Eça e Nuno Delfino foram hoje (quarta-feira) eliminados nos oitavos de final dos 39.º ITF Seniors World Individual Championship, que a Federação Portuguesa de Ténis (FPT) está a organizar até ao próximo Sábado, em Portugal. Eram os últimos portugueses ainda em prova nos torneios de singulares.
 
A 10 vezes campeã nacional de veteranos em singulares, a última das quais em 2017, classificada no 356.º posto do ranking mundial na categoria de +60, deu imenso que fazer à 9.ª tenista mundial do escalão, a australiana Leanne Scott, perdendo apenas por 4-6, 6-4 e 6-1. Quase conseguia um belo presente de aniversário.
 
O 11 vezes campeão nacional de veteranos em singulares, a última das quais em 2017, que ocupa o 409.º na hierarquia da ITF para +50, vendeu bem cara a derrota ao holandês Bart Theelen, um antigo n.º4 mundial, só tombando por 6-3, 5-7 e 6-1.
 
É incrível o paralelismo entre os dois jogadores que na semana passada foram capitães das seleções nacionais no Mundial por Equipas. Em Mundiais Individuais, foi a primeira participação de Delfino e a segunda de Cunha de Eça, mas isso não impediu-os de chegarem aos oitavos de final, deixando pelo caminho adversários muito mais conceituados internacionalmente. Como disse o algarvio, «para todos os efeitos, estamos entre os 16 melhores da elite de um Mundial».
 
Razão tinha Vasco Costa, o presidente da FPT, quando, na noite anterior, no jantar oficial deste evento da Federação Internacional de Ténis (ITF), que decorreu no Sud Lisboa, decidiu elogiar os seus jogadores: «A participação portuguesa, tanto ao nível das seleções nacionais na semana passada, como no Mundial Individual desta semana, superou todas as nossas expectativas».
 
Não foi por acaso que os dois portugueses soçobraram hoje no terceiro set pelo parcial de 6-1. O desgaste físico e psicológico fez-se sentir nessa altura.
 
«Foi nitidamente a condição física. Eu, no terceiro set, estava completamente esgotada, admitiu Isabel Cunha de Eça, que no primeiro set recuperou de uma desvantagem de 1-3 para 6-4, e que no segundo set ainda veio de 1-4 para 4-4, antes de perdê-lo por 6-4.
 
«Sinto o cansaço e uma mazela que tenho na anca e afeta-me se quiser servir com alguma qualidade. É normal que isso tenha feito mossa no jogo», reconheceu Nuno Delfino, após um encontro em que esteve a perder por 5-1 no segundo set.
 
Não se pense que os dois portugueses vieram ao Mundial mal preparados fisicamente. Bem pelo contrário, a jogadora do Clube Nacional de Ginástica fez uma preparação especial e o atleta do Clube de Ténis do Porto também fez tudo para estar em forma para o evento.
 
Simplesmente, para Isabel este foi o 10.º encontro consecutivo, entre pares e singulares, com apenas uma jornada de folga nos últimos 11 dias. Para Nuno foi o seu 15.º ‘match’ seguido, entre singulares e pares, sem poder folgar em 11 dias! O terceiro set foi a gota de água de fez transbordar o copo de ambos.
 
Poderia dizer-se que a situação é igual para todos os que quiseram jogar os dois Mundiais em semanas seguidas, mas não é bem assim.
 
Isabel e Nuno foram os esteios das suas seleções e competiram mais do que os seus adversários de hoje. Leanne Scott jogou hoje o seu oitavo duelo, enquanto Bart Theelen disputou o seu nono confronto. São diferenças substanciais.
 
E depois, quando o cansaço chega, a superior experiência dos adversários vem ao de cima. Se não contarmos com o Campeonato Nacional de Veteranos, para Delfino foi a primeira competição a contar para o ranking mundial de veteranos desde 2015. Para Cunha de Eça foi a primeira desde a Copa Ibérica de março de 2017!
 
Ora a australiana Leanne Scott entrou este ano em cinco torneios antes deste Mundial com um título conquistado na Austrália e mais duas finais, na Austrália e na Holanda. Quanto ao holandês Bart Theelen tem um palmarés de respeito: finalista nos Mundiais Individuais de 2010 e 2015 e semifinalista nos Mundiais de 2008 e 2016.
 
«Tecnicamente considero estar ao nível da minha adversária, mas houve diferença também na calma de estar em jogo e na rodagem internacional. Com o cansaço cometi algumas precipitações», lamentou Isabel Cunha de Eça. «Claro que poderia ganhar encontros destes mas tenho de estar muito mais treinado e para competir a este nível teria de fazer uma preparação diferente», avisou Nuno Delfino.
 
Os dois tombaram de pé. «Agora está a custar-me a derrota, mas hei de fazer uma reflexão sobre estes Campeonatos e sairei aqui de cabeça erguida. Dignifiquei Portugal», declarou o algarvio. «É um percurso em que iria sempre lutar por ele, mas não acreditava que pudesse chegar a esta fase», revelou a jogadora da "Linha", que deixou pelo caminho a 12.ª classificada do ranking mundial.
 
Já sem a presença de portugueses nos torneios principais de singulares (nos pares a história é diferente), os Mundiais Individuais incluem ainda pares femininos, pares masculinos, pares mistos e consolações.
 
As competições prosseguem amanhã (quinta-feira), agora já só no Estádio Nacional, em Oeiras, a partir das 9h00, com a disputa dos quartos de final de singulares.
 
Entretanto, como hoje foi o último dia de competição no CIF, em Lisboa, a Federação Internacional de Ténis e a Federação Portuguesa de Ténis, ambas representadas por Vasco Costa, mas também com o inglês Matt Byford presente, distinguiram o clube do Restelo com uma placa comemorativa e comprovativa de ter sido um dos palcos dos 39.º Mundiais de Veteranos. O CIF esteve representado pelo seu secretário-geral, Gil Reis. A cerimónia contou ainda com Paulo Cardoso, o juiz-árbitro adjunto deste Mundial Individual e juiz-árbitro principal do Mundial por Equipas.

Por Hugo Ribeiro
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