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Saída de Sofia Prazeres representa travessia no deserto

UM TALENTO NATO QUE ABANDONOU PREMATURAMENTE O TÉNIS

PORTUGAL teve uma jogadora de inegável talento, Sofia Prazeres, que abandonou prematuramente o ténis de competição com apenas 23 anos, numa altura em que se pensava que tinha condições para integrar o ”top 100” mundial.

Talento não faltava a esta jogadora que conquistou nove títulos nacionais consecutivos, desde 1990, e que ainda disputou a primeira edição do Estoril Open, em 1998. Foi uma fase em que Sofia já estava um pouco indecisa quanto ao seu futuro e, como as apostas não existiam, a jogadora decidiu encerrar a carreira após conquistar mais um título nacional.

Santos Costa, responsável federativo, não tem dúvidas em afirmar que com o abandono de Sofia Prazeres o ténis feminino português ”vai passar por uma fase que é a chamada travessia do deserto”, considerando que a jogadora era ”um caso excepcional no panorama do desporto português”, sobressaindo desde muito cedo das outras colegas de selecção.

Passados já dois anos sobre o abandono de Sofia Prazeres, o ténis português ainda não tem uma jogadora que nos escalões mais jovens tivesse obtido os mesmos resultados da antiga campeã nacional, quando esta era mais nova e Santos Costa refere que ”a federação fez tudo o que era possível na altura para ela não ter abandonado o ténis. Nos últimos tempos, a Sofia precisava de uma aposta muito forte para continuar a jogar ao mais alto nível e isso coincidiu numa altura em que ela já tinha outros projectos de vida. Penso que isso terá apressado o final da sua carreira. Para manter a Sofia em actividade era preciso ter havido um outro envolvimento de várias partes, uma motivação exterior muito grande para ela continuar a jogar. Ora isso não sucedeu e ela optou por aquilo que andava a pensar há algum tempo”, referiu Santos Costa, recordando que enquanto nos rapazes ”houve sempre alguma concorrência ao mesmo tempo entre Cunha, Nuno, Mota e Couto, nas raparigas isso nunca aconteceu ”.

REFORMULAR CRITÉRIOS

Para colmatar esta barreira, Santos Costa advoga que tem de haver uma melhor articulação entre os clubes e o Centro Nacional de Treino. ”Os jovens jogadores precisam de passar por várias etapas e neste momento saem dos clubes directamente para o Centro Nacional. Deveria haver uma outra estrutura intermédia a complementar que ficasse com os melhores elementos até estes poderem integrar a selecção nacional, que são os chamados centros regionais.”

Santos Costa defende ainda uma reformulação de critérios para o próximo ano que passa, acima de tudo, pelo apoio aos melhores elementos. ”A federação tem alcançado um leque de bons resultados nalgumas selecções mais jovens e deve continuar a apostar nos melhores, quando até agora tem feito um investimento por igual em todas as selecções. O apoio deve ser mais dirigido.”
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