_

ISAF desdramatiza poluição no Rio’2016

A um ano de distância da realização, no Brasil, dos Jogos Olímpicos de 2016, a polémica está instalada. O evento teste das provas de vela, denominado "Aquece Rio – International Sailing Regata", está a deixar muita gente indignada, devido à poluição na Baía de Guanabara, mas os responsáveis pela organização desdramatizam a situação, instituindo medidas que visam minorar a calamidade. Além da presença de dejetos sólidos, análises encomendadas pela agência Associated Press revelaram níveis perigosamente altos de vírus e bactérias de esgoto humano na Baía da Guanabara, capazes de afetarem a saúde dos atletas.

Pedro Rodrigues, técnico escolhido pela Federação internacional (ISAF) para coordenar e monitorizar os trabalhos da empresa de despoluição de resíduos sólidos da água e fazer a ligação entre as Comissões de Regata e os Eco Boats, está convencido que a qualidade das águas não é assim má: "Os níveis bacteriológicos estão abaixo dos limites do contacto direto, sendo que os mais elevados são dentro da Marina da Glória", revelou o português em declarações a Record.

PUB

Quanto à presença de vírus nas águas, "não estão a ser feitas análises por recomendação da OMS, pois não existem parâmetros de comparação para ser estabelecido um limite", esclareceu Rodrigues.

O responsável da ISAF defende que as autoridades brasileiras têm demonstrado a intenção de minorar as adversidades, apesar de já ter sido admitido que o programa de tratamento em 80 % das águas residuais anunciado em 2009 não vai ser cumprido no prazo.

"As condições no evento teste em 2014 eram más, mas este ano estão boas. Ninguém está doente ou ficou infetado por navegar na Baía de Guanabara. As equipas reuniram-se com o médico da ISAF e tem sido feita prevenção. Tal como em qualquer país tropical, os fatos de mar têm de ser lavados diariamente e o duche é obrigatório após os treinos e competições", concluiu Pedro Rodrigues.

PUB

Alistair Fox, diretor da ISAF, manifestou ainda outra preocupação, pois "objetos na água podem afetar a justiça das provas".

As medidas paliativas contemplam ainda a construção de barreiras para conter o lixo flutuante e a contratação de barcos ecológicos para recolher os resíduos. Também têm sido lançados produtos químicos no mar e utilizadas bactérias "ecológicas" nas águas da Marina da Glória, que receberá a frota olímpica.

Refira-se que além da vela, a natação olímpica em águas abertas e triatlo disputar-se-ão na praia de Copacabana e a canoagem e remo no Lago Rodrigo de Freitas, que apresentam igualmente poluição.

PUB

OPINIÃO - Alexandre Reis

Um desastre com riscos

Uma das virtudes do desporto nas sociedades modernas é contribuir para a saúde das populações, mas o Comité Olímpico Internacional (COI) continua a premiar quem contribui de forma grosseira para a infelicidade dos humanos. Em Pequim’2008, o nível de poluição atmosférica já era insustentável, mas, agora, a situação não é de menor gravidade. Águas contaminadas por fezes humanas vindas de um urbanismo devastado por favelas de uma cidade com mais de 6 milhões de habitantes significa risco de doenças como disenteria, hepatite ou febre tifoide, por exemplo. São riscos que o COI não deveria permitir e a perda de esperança para os cariocas. Para mais porque a candidatura do Rio’2016 teve o compromisso de limpar a Baía de Guanabara. Só que os responsáveis já admitiram que isso só em 2020. Quem acredita nestes mentirosos?

PUB

Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
PUB