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Jorge Lima e José Costa: «Lixo tirou-nos velocidade e fez estragos no leme»
José Costa, assim como o seu parceiro Jorge Lima, da classe 49’er, aponta críticas às condições da Baía da Guanabara
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Continua a haver preocupação com a poluição?
JORGE LIMA – Já estivemos a liderar uma regata e perdemos terreno por causa do lixo. É um fator muito preocupante e esperamos que até aos Jogos aconteça algo de bom.
JOSÉ COSTA - A paisagem tem um enquadramento belíssimo, que é dos mais bonitos onde já pratiquei vela. É uma pena a água não ter qualidade. Durante um dos treinos, o lixo tirou-nos velocidade e fez estragos no leme.
E a limpeza da baía era algo que estava planeado...
JL – No teste-evento do ano passado havia mais barcos a limpar. A água estava opaca, mas não tinha plástico, televisões e frigoríficos. Os barcos que estavam a limpar estão parados hoje em dia.
Qual a maior dificuldade com tanto lixo?
JL – Estamos sempre sujeitos a uma avaria no barco. A vela pede que o atleta controle variações de vento, adversários, ondas, etc. Agora, temos de nos preocupar em desviar do lixo. É frequente ficarmos com lixo no leme.
Os treinos têm sido importantes para quem quer uma medalha?
JL – O ideal seria ter começado há quatro anos. Nós não tivemos a possibilidade de vir, pois a primeira vez que cá estivemos foi em agosto do ano passado. Mas já estamos bem preparados e temos andado no grupo da frente. Mas para falar em medalhas, o Rio e a Baía vão dar muito peso à sorte. Com estas condições, os favoritos são menos favoritos e isso dá hipóteses a outras equipas.
A vela em Portugal atingiu um patamar elevado?
JC – Infelizmente não. É uma modalidade com um grande peso nos Jogos desde 1996 e com medalhas conquistadas em Mundiais e Europeus, mas as pessoas não dão muita importância à vela, ao contrário do que acontecia na época dos Descobrimentos...
Para além das medalhas, há algum resultado que considerariam bom no Rio’2016?
JC – Qualquer resultado entre os oito primeiros que atribui um diploma olímpico seria excelente. Temos ambições e expectativas, mas a nossa cabeça está a ser trabalhada para lutarmos regata a regata, dia a dia.
Que preocupações com o atraso nas obras?
JL – Queremos manter o foco na nossa alimentação, na preparação. Custa-me ver um país irmão, que tem a nossa língua e fez parte do nosso passado, que a tão poucos dias do evento ainda tenha estruturas por acabar. A violência no Rio de Janeiro também é uma realidade e não há estabilidade política. O povo sofre. Vemos essas coisas, não nos queremos envolver, mas lamento muito.
Qual é sensação para um atleta ver Portugal falhar tantos golos frente à Áustria no Europeu?
JC –Somos portugueses e tal como nós os jogadores de futebol representam o país. Todos os atletas vibram com as vitórias dos outros em qualquer modalidade, e o futebol não é exceção. Perante o insucesso, não os culpo porque não conseguiram colocar a bola dentro da baliza, mas a verdade é que o mundo de luxo, riqueza e bajulação faz-me não ter pena deles. Sou indiferente a um resultado menos positivo. Não me custa aceitar quando não vencem, porque a vida deles é tão fácil, tão cheia de privilégios, tão diferente dos atletas das modalidades amadoras.
O COP colocou a fasquia de Portugal em cinco medalhas. É possível?
JL – Esse número veio depois da análise dos resultados dos atletas que se têm destacando. Acredito que será muito difícil.