Regata internacional Globe40 cumpre primeira etapa em Cabo Verde
'Volta ao mundo' partiu de Marrocos, em junho, e só termina em 2023
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Os navegadores da regata internacional Globe40 começaram a chegar ao Mindelo, na ilha de São Vicente, onde permanecerão por duas semanas, com a expetativa de dinamização económica naquela ilha cabo-verdiana, admitiu hoje o ministro do Mar do país africano, Abraão Vicente.
"Cabo Verde, no passado, havia sido importante como um ponto de paragem ou de passagem quando se tentava fazer grandes travessias transatlânticas e volta a ser agora. Não para descobrir novos mundos, mas como um ponto de paragem para abastecimento, reparações, mas também para descobrir a nossa cultura", afirmou o ministro do Mar, Abraão Vicente, em conferência de imprensa realizada no Mindelo para assinalar a chegada, no final da primeira etapa, dos navegadores desta volta ao mundo que só termina em França, em 2023.
Participam nesta competição, que arrancou em 26 de junho em Tanger, Marrocos, e que tem no Mindelo a primeira de seis paragens, um total de 18 navegadores da Classe 40, da Holanda, Canadá, Estados Unidos, Japão, França e Marrocos. No domingo, o veleiro Milai 101, com dois tripulantes japoneses, foi o primeiro a chegar à baía do Porto Grande, recebido pelo ministro do Mar de Cabo Verde e pela organização, enquanto outros cinco são esperados nas próximas horas.
O governante destacou a importância da Globe40 para a economia cabo-verdiana, por colocar o arquipélago na rota deste tipo de competições, movimentando dezenas de estrangeiros no Mindelo nas próximas duas semanas, antes da partida para a etapa seguinte.
"Vão levar Cabo Verde porque em duas semanas ninguém fica indiferente, sem ser tocado não só pela nossa cultura, mas também pela nossa economia, pela possibilidade de haver investimentos, de voltarem de férias e transmitirem os conhecimentos e a experiência de estar em Cabo Verde", frisou Abraão Vicente.
A passagem da regata por Cabo Verde foi possível, explicou, devido a um investimento público-privado que envolveu vários parceiros e setores, como do mar, turismo e cultura.
Uma sinergia com o intuito de fazer chegar um turismo diferenciado à ilha: "Não se coloca Cabo Verde no mapa só a partir de um item ou da cultura, ou da perceção da nossa 'morabeza'. É a perceção dos outros que transformam Cabo Verde num grande destino e este é uma grande operação de marketing para Cabo Verde, na promoção da marca Cabo Verde e é por isso que o Fundo do Turismo, a Enapor e várias outras entidades estão envolvidas".
Ao mesmo tempo que dá às boas-vindas ao primeiro barco a chegar ao Mindelo, e na expetativa da chegada dos restantes nas próximas horas, o ministro pediu à população que proteja as embarcações que visitam o porto local ao longo deste período.
"É fundamental que haja segurança, que não sejam roubados e sejam acarinhados, tal como é fundamental que as experiências gastronómicas, culturais, de passeio pela cidade sejam as mais seguras e bem-vindas. É fundamental que os artistas também se mobilizem quando os outros barcos chegarem", apontou.
Esta primeira paragem da Globe40 no Mindelo - que prevê etapas pelos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico - vai decorrer até 17 de julho, com a ilha de São Vicente também expectante no retorno económico, tendo em conta as equipas envolvidas.
O japonês Masa Suzuki, líder do barco vencedor da primeira etapa, descreveu que a viagem entre Marrocos e Cabo Verde correu bem devido à ajuda do vento. "Foi uma boa semana, o vento ajudou-nos e gostámos da receção. Já fiz antes um percurso do Atlântico, de França até Martinica, mas desta vez decidi dar a volta ao mundo. Penso que Cabo Verde é uma paragem importante porque é a primeira antes de uma rota bem longa, porque vamos atravessar o Cabo da Boa Esperança até chegar às ilhas Maurícias [prevista para 18 de agosto]", contou aos jornalistas o navegador japonês.
Tal como os restantes participantes, Masa Suzuki prevê durante esta paragem em Cabo Verde preparar o seu barco para a viagem, mas também aproveitar para conhecer o Mindelo.
A regata é organizada pela empresa Sirius Events, cujo presidente, ManFred Rams Pacher, destacou tratar-se de um evento aberto a velejadores profissionais e amadores."Com este novo conceito, queremos diferenciar e abrir para mais pessoas, porque muitos querem fazer um percurso, uma corrida, uma volta ao mundo com uma organização segura e é este o conceito", expliou ManFred Pacher.
A próxima regata Globe40 só se realiza dentro de quatro anos.