É necessário chamar os jovens

Após os sub-20, os sub-17 também vão ao Europeu... mas há poucos rapazes a jogar voleibol

O voleibol nacional atravessa uma das suas melhores fases, com quatro Seleções Nacionais a chegarem no último ano a fases finais de Europeus. Os sub-20 masculinos já disputaram o ‘seu’ Campeonato da Europa, em 2018, ficando em 11º, entre 12 seleções, sendo que este ano mais três vão fazer o mesmo: ainda nos escalões jovens, os sub-17, e nos seniores, as duas equipas, a masculina e a feminina.

Nuno Pereira, 38 anos, é o selecionador nacional responsável por duas destas quatro Seleções, os sub-17 e sub-20 masculinos. "É um orgulho imenso, um feito para o voleibol português, mas também um sentimento de dever cumprido. Afinal, é para isto que trabalhamos, destas últimas vezes foi possível chegarmos ao Europeu", confessou-nos o técnico, que tem uma visão curiosa sobre as razões do sucesso dos escalões jovens.

"É o culminar de muitos aspetos, a começar pela própria conjuntura do voleibol masculino, ou seja, como há poucos rapazes federados a praticar a modalidade, isto acaba por ajudá-los a entrarem mais cedo, mais novos, nos plantéis seniores. Alguns dos sub-20 jogavam em equipas seniores, e isso refletiu-se para melhor na Seleção."

O que se passa então para termos poucos atletas masculinos a praticar voleibol? "Ao nível da deteção de talentos há ainda um longo trabalho a percorrer, ainda há pouca procura de jovens para a prática do voleibol, no feminino o campo é mais vasto para o recrutamento. Acontece que o futebol e o futsal imperam nas escolhas dos jovens. Sou também professor e vejo que os atletas que aparecem nos clubes de voleibol fazem-no através dos amigos e não tanto pela captação feita pelos clubes."

Inverter a tendência

Mas como chamar os jovens para o voleibol, ‘roubá-los’ ao futebol? "O facto de nos termos apurado para os Europeus pode despertar o interesse para a modalidade, mas é um desígnio difícil combater o futebol", constata Nuno Pereira.

Mas o técnico refere que o futuro da Seleção Nacional masculina está bem encaminhado. "Nas gerações sub-17 e sub-18 há um conjunto com potencial para alimentar a Seleção e os clubes da 1ª Divisão."

Na procura de futuros craques, é importante o apoio daqueles que já o foram. João José é um desses exemplos. "É coordenador das Seleções, tem dado um contributo muito positivo. É importante aproveitar os ex-atletas para ajudar a trabalhar as Seleções jovens", refere Nuno Pereira, que enaltece o esforço dos ‘seus’ sub-17 na obtenção do apuramento: "Começaram a treinar em setembro, no Natal apenas tiveram 4 dias de descanso, no Carnaval não tiveram nenhum, e na Páscoa só o sábado e domingo. Eles são os verdadeiros heróis."


Por Ana Paula Marques
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