Hugo Silva: «O terceiro set foi chave para o jogo»

Treinador do Sporting satisfeito com triunfo no dérbi mas rejeita euforias

• Foto: Ricardo Jr

O Sporting não podia pedir melhor regresso ao campeonato nacional de voleibol, 22 anos depois da última participação. A jogar em casa, no Pavilhão João Rocha, os leões venceram o dérbi frente ao Benfica, campeão em título, por 3-1, e o técnico Hugo Silva admitiu a importância do terceiro set, ganho por 30-28, depois de muita luta. 

"Havia uma vontade muito grande da equipa de dar a vitória aos adeptos e isso pesou-nos muito, com uma ansiedade muito grande. Não soubemos lidar com inteligência com esse querer ao longo da semana. O público empolgou-nos no primeiro set e até fizemos um set bom, mas com uma parte final má e que depois se viu no segundo set. Até ao terceiro set, que foi chave para o jogo. O Benfica jogou muito bem, mas também teve muita sorte e isso levou-nos a um desespero muito grande e vimos que íamos perder esse set. Depois, a entrada do José Monteiro e do Kibinho no bloco veio mexer muito com o jogo. Há que dar mérito ao José Monteiro. O último set foi já sem história, em que veio ao de cima o valor da nossa tranquilidade. Já foi algo descaracterizado", salientou o treinador leonino.

Ainda assim, Hugo Silva rejeita euforias. "Quem diz que o Sporting é candidato não percebe nada disto mesmo. É óbvio que a equipa tem qualidade, mas não podemos esquecer que são 22 anos em que o Sporting esteve adormecido. Há uma estrutura que tem de ser criada, as pessoas não têm ainda conhecimento da modalidade, temos duas casas, uma na qual treinamos e outra na qual jogamos. É tudo complexo, novo e temos de nos habituar, mas já sabíamos que ia ser assim. Não vai ser por aí que nos vamos desculpar, mas obriga-nos a ter mais tempo de preparação. O clube, inteligentemente, fez regressar a modalidade 22 anos depois, quando esta era rainha", adiantou.

"Tenho de acreditar no título. Mais do que acreditar, temos a obrigação de lutar. Depois de 22 anos, não gostava de estar no lugar dos meus colegas caso isso acontecesse. Temos de respeitar quem anda aqui há mais tempo e eles é que são favoritos. O Sporting veio revolucionar já este ano o voleibol. Todas as equipas reforçaram-se muito. Nunca houve tantos estrangeiros. Isso mostra a exigência que o Sporting veio trazer ao campeonato. Vai ser um campeonato muito equilibrado, muito competitivo e muito difícil", acrescentou.

Hugo Silva salientou ainda o entusiasmo dos adeptos neste primeiro jogo em casa. "Eu próprio senti-me arrepiado com o cântico inicial dos adeptos no pavilhão. Esta é uma exigência dos sócios, que gritam por nós e nós temos de dar vitórias. Temos de nos habituar a lidar com esta grandiosidade do Sporting. Temos uma equipa profissional. Deixei o meu trabalho para me dedicar exclusivamente ao Sporting. Queria estar focado a cem por cento. Somos todos profissionais, exceto um, o Hugo Ribeiro, que é professor e consegue conciliar os horários", frisou.

O veterano Miguel Maia, que continua a ser fundamental aos 46 anos, mereceu também elogios. "É importante toda a experiência que traz. Para mim, ele é o melhor de sempre. Traz tudo, apesar de muitos acharem que ele está acabado para a modalidade. Tenho um desafio com ele: gostava que ele fosse campeão neste primeiro ano do regresso ao clube do coração", referiu o técnico leonino.

"Sabíamos que não podíamos ter as mesmas condições das outras modalidades. Primeiro, temos de mostrar que podemos fazer muito com pouco. Mesmo com essas limitações, temos de ter um espírito mais solidário e temos de ser muito mais unidos. Tem de haver um diálogo constante para que não falhe nada. O Sporting acaba por ser o clube mais eclético. A prova é a presença quase constante do nosso presidente. Ainda não foi ao nosso balneário, mas está prometido. A paixão é que conta e dá títulos", disse ainda Hugo Silva.

O treinador do Sporting também não deixou de comentar a grave lesão do benfiquista Ary Neto, que saiu de maca do Pavilhão João Rocha. "Parece-me que é já uma lesão antiga. Espero que recupere rápido. Vi o sofrimento dele em campo, com o ombro fora do sítio. Vi os pés dele a tremer", concluiu.

Por Lusa
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