Longe de casa mas de coração cheio

Velásquez, Rojas e Arias, do Sp. Espinho, são três dos cinco venezuelanos que jogam em Portugal

• Foto: Hugo Monteiro
Dos muitos estrangeiros que jogam no campeonato nacional de voleibol, há cinco venezuelanos. Ivan Ipostemsky (Clube K), Iván Marquéz (Sporting) e o trio José Rojas, Armando Velásquez e Luís Arias, que fazem parte do plantel do Sp. Espinho. A reportagem que hoje se publica em Record dá a conhecer um pouco da vida ‘portuguesa’ dos sul-americanos dos tigres, bem longe do seu país, uma nação que já teve melhores dias.

E é de coração cheio que falam do nosso país, em particular de Espinho, das suas gentes, do clube.

"Estou bastante contente em conhecer Portugal, os seus costumes, a sua cultura, e poder jogar neste país. Sinto-me muito confortável em Espinho, uma cidade que gosta de voleibol, que é tranquila, que tem pessoas carinhosas. É bom para viver e jogar", disse-nos Luís Arias, 28 anos, que chegou esta época aos tigres, proveniente do campeonato libanês. Opinião idêntica tem Armando Velásquez, mais velho um ano, que também veste a camisola da equipa pela primeira vez: "É um paraíso estar cá. Temos tranquilidade, bom ambiente, boa recetividade, as pessoas são muito boas, e o clima também ajuda. Estou contente pela escolha."

Para a boa adaptação de Arias e Velásquez muito contribuíram as referências de José Rojas, o primeiro a chegar a Espinho. "É o meu terceiro ano em Portugal. Senti-me bem logo desde o início, fui bem recebido por todos, muito acarinhado por uma cidade muito bonita." O atacante, de 25 anos, gostou tanto que mandou vir a família. "Na última época comecei a pensar mais no futuro, na segurança da família, da minha filha."

Os três reconhecem que a Venezuela não é agora o melhor local para se viver. "Tenho lá pai, mãe e cinco irmãos. Estão sempre no meu pensamento, mas apesar das dificuldades por que passa o país, sei que estão em segurança e com tranquilidade", disse Rojas. "A família está num país com uma situação económica difícil. Tenho de motivar os meus familiares a acreditar no melhor", frisou por sua vez Velásquez.

"Tenho quatro irmãos, o pai, a mãe, todos na Venezuela. As dificuldades são claras no país, a situação é bastante difícil, sofro porque não posso compartilhar os meus momentos com eles, não posso estar ao lado deles, mas procuro sempre dar o melhor para os ajudar, treinando e jogando motivado", disse emocionado Arias.

A quadra natalícia foi longe da Venezuela, mas em Espinho todos formaram uma grande comunidade. "Os jogadores venezuelanos e as famílias conviveram juntos nesta época", referiu Velásquez.

A herança de Miguel Maia

Armando Velásquez é distribuidor, com a missão de substituir o histórico Miguel Maia nos tigres. "Contaram-me que tinha grande peso na equipa, mas procuro trabalhar bem e corresponder às exigências da equipa", disse-nos.

De resto, frisa que o Sp. Espinho "pode ser campeão". Mas, acrescenta, "temos de trabalhar, trabalhar muito, para ganhar às equipas muito fortes. Há motivação extra para os jogos mais ‘quentes’, mas não podemos deixar de ter a mesma forma de jogar com outras equipas", destacou o ex-jogador do Bucaneros (Venezuela), considerando que o voleibol português "é muito competitivo, bem organizado" .

Sporting trouxe mais exigência

José Rojas é o que conhece melhor o voleibol nacional. "O campeonato é competitivo, tem registado muita evolução. A nossa equipa também tem vindo a crescer", sublinhou o atacante, para quem "a chegada do Sporting trouxe mais exigências, com resultados incertos, originando um campeonato surpresa. Há jogos muito intensos, o que é bom para os jogadores".

E tal como o compatriota, José Rojas refere que a equipa tem de ter a mesma atitude em todos os jogos. "Temos uma boa atitude quando jogamos contra Benfica, Sporting, Fonte, Castelo, mas há que ter a mesma quando jogamos contra equipas menos fortes."

Compromisso de ser campeão

Também Luís Arias é da opinião que o campeonato ficou ainda mais competitivo "com a entrada do Sporting", juntando-se a Benfica, Fonte do Bastardo, Castelo da Maia, equipas que nos últimos anos disputam os primeiros lugares. "É mais difícil, e vai ser ainda mais duro na próxima época".

E com a chegada de 2018, há desejos para cumprir. "Trabalhamos duro sem menosprezar nenhuma equipa. Ganhámos a Supertaça este ano, algo que nos alegrou muito, mas não estamos satisfeitos. Estamos a trabalhar e a aumentar os ritmos de jogo, pois há o forte compromisso de todos em lutar e jogar para conquistar o título nacional", frisou.
Por João Baptista Seixas
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