Miguel Maia termina mais um ciclo na Académica de Espinho
Olímpico vai descansar e fez um balanço ainda antes de iniciar novos desafios na modalidade
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O olímpico Miguel Maia recorreu às redes sociais para anunciar o seu fim de ciclo na Académica de Espinho e de fazer um balanço da sua passagem recente pelo clube da formação.
"Foram cinco anos absolutamente marcantes. Cinco anos de um projeto que nasceu praticamente do zero, num dos períodos mais difíceis que todos vivemos, em plena pandemia, e quando o clube regressava à primeira divisão nacional.
E foi precisamente nesse contexto que decidimos, não apenas resistir, mas construir algo diferente.Desde o primeiro dia, o objetivo foi claro - transformar um clube amador num clube com os hábitos, exigência e a organização de um verdadeiro clube profissional.E foi isso que fizemos.
Rodeei-me das pessoas certas. Juntos, traçámos um plano ambicioso, transversal e com uma visão muito clara: elevar a Académica de Espinho a um patamar de qualidade em todas as áreas.
Provocámos. Mudámos regras e hábitos. Mudámos mentalidades. Mudámos a imagem do clube.Triplicámos espaços de treino, expandimos o projeto para cinco locais no país, estabelecemos um protocolo com um ginásio de excelência, equipámo-nos com material essencial para trabalhar com qualidade.Fizemos um levantamento rigoroso do que existia e, a partir daí, arregaçámos as mangas.
Na formação, demos um salto enorme: passámos a ter dois treinadores por equipa, criámos estruturas organizativas com dois diretores por equipa e reforçámos a coordenação com profissionais de enorme qualidade. Estruturámos o clube com coordenadores para o masculino, feminino e minis, criando bases sólidas para o futuro.
Triplicámos o número de atletas. Atraímos jogadores de seleção nacional. Convencemos atletas consagrados, campeões noutros clubes, a juntarem-se a este projeto e a elevar ainda mais o nível competitivo.Reforçámos áreas críticas como o departamento médico, que praticamente não existia quando chegámos, e hoje é uma estrutura fundamental.
Hoje, a AA Espinho é um clube de referência na formação em Portugal, com identidade, qualidade e pessoas altamente competentes em todas as áreas.
Tenho quase 50 anos dedicados ao voleibol, sempre com paixão total pela modalidade. Sinto que chegou o momento de fazer uma pausa. Saio de consciência tranquila, com a certeza de que dei tudo de mim por este projeto na Académica de Espinho.
Dei tudo de mim. Vesti esta camisola como ninguém, corri atrás de tudo para dar melhores condições, mais qualidade, mais conforto, sempre com a ambição de mostrar que, mesmo sendo um clube amador, podemos estar ao nível de um grande. Coloquei exigência, ambição e uma enorme capacidade de mobilização em tudo o que fizemos.
Foram também cinco anos em que a equipa sénior competiu de forma consistente ao mais alto nível: sempre entre as oito melhores equipas do campeonato nacional, com várias presenças nas meias-finais e, esta época, com a presença na Final Four da Taça de Portugal.
Desenvolvemos um caminho claro de integração da formação na equipa sénior. Demos oportunidade a atletas formados no clube, colocando-os a competir ao lado de jogadores experientes, atletas de seleção e jogadores estrangeiros, criando o contexto ideal para o seu crescimento. Mais do que minutos, quisemos dar-lhes cultura competitiva: ensinar como se compete, como se vive o alto nível, como se está dentro de uma equipa com ambição.
Fomos integrando atletas de forma gradual numa estrutura exigente e competitiva, sempre com uma ideia clara: uma equipa forte faz-se com equilíbrio. Juventude e experiência têm tempos diferentes e funções diferentes — e é essa mescla que permite alcançar resultados consistentes.
Fico particularmente satisfeito por termos revelado e integrado vários atletas da formação: numa primeira fase o Dani, o Filipe Leite, o Guilherme Maia, o Bernardo e, mais recentemente, o Tiago Ferradaz, o Rafa, o Dinis, o Nuno, o Afonso Iglesias e o Tomás Teixeira — jogadores que vão crescendo e afirmando-se dentro de um contexto exigente, apoiados por atletas experientes e por jogadores que elevam o nível da equipa.
Na formação, não só mantivemos como reforçámos o sucesso, com a conquista contínua de títulos regionais e nacionais.
Ao longo destes anos, o crescimento foi evidente em todas as áreas: mais atletas, mais sócios, mais seguidores, mais reconhecimento.
Deixo o clube num patamar muito superior — mais preparado, mais ambicioso, com outra imagem e claramente no caminho certo. Um clube respeitado a nível nacional e com reconhecimento internacional.
Ficam também quatro qualificações para provas internacionais que, por limitações financeiras, não conseguimos concretizar, mas que refletem bem o nível que atingimos.
A todos os que contribuíram diariamente para este percurso — patrocinadores, parceiros, coordenadores, diretores, equipa técnica e colaboradores — fica o meu sincero reconhecimento.
À equipa de fisioterapia, pelo profissionalismo e apoio constante, e ao meu amigo Dr. Armando Brandão, sempre presente quando foi preciso.
Na formação, uma palavra para os pais, principalmente os que assumem as funções de seccionistas, pela confiança e apoio permanente, e para os coordenadores e treinadores, pela qualidade e dedicação ao longo destes cinco anos.
Aos sócios e simpatizantes — no nome do ‘Canigia’, do Carlitos do pavilhão e do ‘Bomba’ — que representam tantos outros que estiveram sempre presentes, sem esquecer os atletas que comigo trabalharam dos quais destaco o Ricardo Alvar, atleta que representa bem o espírito academista.
Ao Sr. Marques, ao ex-presidente José Lacerda, que me trouxe de volta à Académica, ao grande homem Henrique, com um coração enorme e um amor verdadeiro pelo clube, e a toda a direção, pelo espírito de família, amizade e união que sempre existiu.
Ficam também nomes que foram fundamentais neste percurso: Adriana, Carlos Maia, Patela, ‘Manxa’, Tiago, Ribeiro, Denis — nosso preparador físico — o grande Sérgio Rocha, pela sua visão diferenciadora e enorme contributo, o João Brenha, meu parceiro de sempre, e ainda o Sarabando e o José Oliveira, pelo trabalho nos jogos da equipa sénior.
Fica também uma ideia que conseguimos implementar: podemos ser um clube amador, mas temos de ser profissionais em tudo o que fazemos.
Saio feliz por ter estado novamente no clube onde fui formado e onde sempre fui bem tratado. E, acima de tudo, por ter contribuído para devolver visibilidade ao voleibol da Académica de Espinho — um clube onde o meu pai deu tanto.
Ninguém é eterno. Este é o momento de parar, descansar e preparar novos desafios. Levo comigo amizades que ficam para a vida.
Olhando para trás, seja no Colégio do Rosário, no Porto Vólei, no Sporting Clube de Portugal ou agora na Académica de Espinho, sinto orgulho no caminho feito.Desejo que o clube continue a crescer, respeitando o que foi construído e mantendo a ambição de ir sempre mais longe.
Costuma dizer-se que não se deve regressar a uma casa onde já se foi feliz. Eu tive o privilégio de o fazer várias vezes — e em todas voltei a ser feliz.Saio muito feliz por poder ter contribuído para engrandecer este projeto e este clube.Obrigado a todos, do fundo do coração. Estou cansado, acreditem… mas valeu a pena. Em breve estarei de volta a 100% e com a mesma garra de sempre.
À minha família, sempre à minha família, grato pela paciência, pela parceria e conforto que me deram e sempre me dão ao longo de toda a minha carreira no desporto."