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Ácido Linoleico Conjugado (CLA) e a sua utilização no exercício físico

E nesta fase em que o sol começa a aparecer é inevitável falar de emagrecimento e aumento de massa muscular associado ao exercício físico. Por este motivo, o artigo desta semana será dedicado ao consumo de ácido linoleico conjugado (CLA) e os seus efeitos, quando tomado em associação ao exercício físico.

Escolhi esta substância porque muito tem sido estudado no que diz respeito à segurança na sua toma isolada, na sua administração, nas formas líquidas ou em cápsulas, ou como ingrediente alimentar para adição em vários alimentos, demonstrando que há aumento do gasto energético com exercício físico, aumento da oxidação de ácidos gordos, redução da ingestão calórica e inibição de enzimas envolvidas no metabolismo de ácidos gordos e lipogénese.

O tratamento para a obesidade tem sido cada vez mais estudado e muitas das opções dadas por profissionais de saúde passam pela utilização de alimentos funcionais e os seus benefícios, contudo, estas pesquisas ainda não são efetivas em muitos pontos, principalmente quando se fala em doses recomendadas para garantir esses benefícios, e não se sabendo possíveis efeitos secundários consequentes de uma toma prolongada dos mesmos.

Outra opção para o tratamento da obesidade que muitas vezes é prescrito como suplemento a uma dieta adequada é a prática de exercício físico em ginásios, que tem sido uma estratégia para perda de peso e prevenção ou reversão da formação de placas de ateroma nas artérias. Muitas das vezes, os praticantes usam suplementos, como o CLA, para maximizar a perda de peso, porém não são cuidadosos com a quantidade e qualidade de CLA ingerida através da dieta. As principais fontes alimentares deste ácido são alimentos de origem animal como produtos lácteos, estando presente em altas concentrações na gordura do leite, carne vermelha e ovos. O conhecimento do conteúdo de CLA nos alimentos é de extrema importância, pois sendo o padrão alimentar população portuguesa que deveria ter um padrão mediterrânico está cada vez de caráter mais ocidental, ou seja, alta ingestão calórica pelo consumo excessivo de hidratos de carbono simples e/ou de lípidos, o que consequentemente pode refletir em baixa ingestão alimentar de CLA, levando a deficiências nutricionais obtidas através do consumo inadequado de CLA. Estudos referem que indivíduos do género masculino e feminino consomem, habitualmente, aproximadamente 2,1 e 1,5g CLA/dia, respetivamente.

Ainda que nenhuma recomendação nutricional (RDA) tenha sido estabelecida, a necessidade humana de ácido linoleico conjugado tem sido estimada em aproximadamente entre 2 a 7g/dia, ou 1 a 3% do total de ingestão energética.

Vários estudos referem vários efeitos de ação propostos para o CLA, destacando-se: melhoria da resposta imunitária, ação anti-inflamatória e redução da gordura corporal na região abdominal.

Quando associado ao exercício físico, promove redução da massa gorda e aumento da massa muscular esquelética. Exercícios físicos, de intensidade moderada, têm sido utilizados para prevenir ou diminuir a formação de placas de ateroma nas artérias, podendo alterar o perfil lipídico das lipoproteínas e diminuir o colesterol total. Além disso, o exercício físico pode interferir na composição corporal, diminuindo a massa gorda e aumentando a massa magra.

Porém, o impacto da prática habitual de atividade física no perfil lipídico e na composição corporal depende da qualidade da alimentação feita pelo indivíduo. Colakoglu e colaboradores (2006), estudaram os efeitos da suplementação de CLA sobre a composição corporal e perfil lipídico plasmático em humanos praticantes de atividades físicas e sedentários. A atividade física era realizada por 30 minutos três dias por semana. O protocolo de tratamento durou seis semanas. Não houve modificação em vários parâmetros analisados no plasma (apo-B, colesterol total, AG, HDL e LDL). No entanto, a concentração de glicose e insulina plasmática em jejum reduziu tanto nos indivíduos apenas suplementados como também nos que praticaram exercício e foram suplementados. Estudos relatam ainda que o exercício físico favorece o aumento dos níveis de HDL (colesterol bom). Isso é muito importante, porque o HDL é a única lipoproteína capaz de realizar o transporte contrário do colesterol, retirando o excesso de colesterol livre, transportando-o até ao fígado para ser degradado. O CLA também tem sido fortemente utilizado por atletas de resistência como suplemento potenciador do aumento do catabolismo lipídico, redutor de gordura corporal e promotor de um maior ganho de força e massa muscular durante o treinamento. Embora as pesquisas básicas sejam promissoras, poucos estudos têm analisado a suplementação de CLA durante o treino, melhoria da adaptação ao treino e/ou se influencia nos marcadores de saúde. Contudo, não se pode deixar de apontar que a suplementação com CLA somada ao treino físico aeróbico apresenta efeitos aditivos sobre o ganho de massa muscular.

Fonte: Juliane Barroso Leal, Gustavo Bernardes Fanaro, Vanessa Fernandes Coutinho, ÁCIDO LINOLEICO CONJUGADO (CLA) E EXERCÍCIO FÍSICO: EFEITOS NA COMPOSIÇÃO CORPORAL

Por Inês Morais
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