Record

As dietas ioiô

Relação entre as oscilações do peso e a prevalência de diabetes e doenças cardiovasculares

Olá a todos, como estão?

Espero que tenham tido uma semana boa com estes dias de sol que nos acompanharam nos últimos dias. E porquê trazer o sol para o nosso artigo desta semana? Porque, como acontece todos os anos, a maioria das pessoas começa a pensar que o Verão está a chegar e quer começar a perder peso… Não importa como, não importa com que consequências, e não importa se é recuperado novamente.

A verdade é que as "dietas ioiô" estão presentes na vida da maioria das pessoas, mesmo que seja de uma forma pouco assumida. Não me interpretem mal, perder peso é ótimo quando a pessoa não tem o peso adequado, o problema recuperá-lo de seguida, e que ainda é pior do que a situação anterior.

Por ter essa noção todos os dias nas pessoas que me procuram para a consulta de nutrição, e com quem tenho que esclarecer vários conceitos, para que esta situação não aconteça, também a vocês quero passar que o importante é manter uma composição corporal equilibrada e isso sim, é um dos pilares da saúde e da longevidade.

Este tipo de situações está a tomar proporções tais, que já este ano, um novo estudo publicado no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, mostra como a redução do peso corporal de forma repetida com ganho de peso posterior (efeito ioiô) é potencialmente prejudicial para a saúde.

Este estudo não é pioneiro, já estudos anteriores tinham demonstrado que as oscilações repetidas do peso corporal parecem induzir maior inflamação tecidual e resistência à insulina do que um estado consistentemente obeso. Além disso, a flutuação do peso corporal foi associada a uma pior distribuição da gordura corporal com predomínio da gordura visceral o que aumenta a atividade inflamatória do organismo.

Este fator faz com que seja necessário considerar a flutuação do peso corporal como um fator clínico importante no diagnóstico e controlo de doenças crónicas.

Assim, o que este estudo observou e concluiu é que a flutuação do peso corporal está associada a maior mortalidade e eventos cardiovasculares em pacientes com doença arterial coronária. Contudo, os dados existentes continuam a ser muito insuficientes quando se fala sobre a relação entre a flutuação do peso corporal e os resultados relacionados com a saúde da população em geral.

Este estudo é bastante relevante já que foi feito ao longo de 16 anos, onde foram avaliados 3.678 participantes, onde a flutuação do peso corporal foi associada ao risco de desenvolver diabetes mellitus e eventos cardiovasculares. As flutuações intraindividuais do peso corporal foram calculadas pela variabilidade média sucessiva (ASV). Os participantes com um alto ASV de peso corporal eram mais obesos e tinham níveis mais elevados de pressão arterial e HbA1c (hemoglobina glicada) – fator de controlo bioquímico da diabetes mellitus - no início do que aqueles com um baixo ASV de peso corporal.

O que também se concluiu foi que, com a alteração dos estilos de vida de forma crónica, nomeadamente com o aumentos do exercício físico no período pós perda de peso poderia impedir a flutuação do peso corporal,  permitindo a manutenção do peso corporal após a redução do mesmo,  podendo também, refletir o nível da adesão do individuo ao treino e na diminuição do risco de desenvolver diabetes ou doenças cardiovasculares.

Posto isto não me interpretem mal! Ninguém deve manter-se com excesso de peso que o prejudique de alguma forma, seja ela física, psicológica ou emocional! A questão é que muitas pessoas optam por realizar alterações drásticas sem acompanhamento nutricional. Isto, para além de tudo o que fui falando ao longo do artigo, vai estar associado a uma perda de massa muscular (sarcopenia) e diminuição do metabolismo basal que vai potenciar, ainda mais, o ganho do peso perdido.

Ao longo desta semana, vou dar dicas para aqueles que já passaram por um processo de perda de peso, ou para aqueles que ainda estão a motivar-se, para que este seja o ano, em que perdem o peso, mas que ganham saúde!

Até para a semana!

Referências: 
1) Oh TJ, et al "Body-Weight Fluctuation and Incident Diabetes Mellitus, Cardiovascular Disease, and Mortality: A 16-Year Prospective Cohort Study" J Clin Endocrin Metab Volume 2019; 104(3): 639-646.

Para mais informações ou esclarecimentos, contacte: inesfilipamorais@gmail.com
Por Inês Morais
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Nutrição

Notícias

Notícias Mais Vistas