Crianças e a neofobia alimentar

Olá a todos, bem-vindos a mais uma semana!

Esta semana, o tema sobre o qual vos venho falar, surge na sequência de uma série de emails que tenho vindo a receber da vossa parte, sobre a dificuldade que têm na adequação da alimentação das crianças da vossa vida (normalmente são emails de pais preocupados). A questão é quase sempre a mesma: "O meu filho não gosta de nada, quer comer sempre a mesma coisa… Devo preocupar-me?"

Posto isto, já sabem que gosto de dar resposta às vossas questões e fui pesquisar o que de mais recente houvesse sobre esta temática.

E a verdade é que apesar de ser um tema pouco habitual, a neofobia alimentar sido cada vez mais estudada pela comunidade científica devido ao impacto que pode ter na saúde a longo prazo.

A neofobia alimentar, ou o medo de novos alimentos, pode levar a uma pior qualidade da dieta, aumentar os fatores de risco associados a doenças crónicas e, assim, aumentar o risco de desenvolver doenças do estilo de vida, incluindo doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.

Mas o que é isto da neofobia alimentar perguntam vocês? A neofobia alimentar é um tipo de comportamento alimentar em que uma pessoa se recusa a provar e comer alimentos com os quais não está familiarizado.

Pode estar associada a diversos fatores, mas um dos principais, segundo alguns estudos é a questão da hereditariedade: estudos com gémeos descobriram que até 78% da neofobia alimentar pode ser hereditária, sendo comum em crianças e idosos, em particular. 

Os estudos apontam para que a neofobia alimentar esteja ligada a uma pior qualidade da dieta: por exemplo, a ingestão de fibras, proteínas e ácidos gordos monoinsaturados pode ser menor e a ingestão de gordura saturada e sal maior em indivíduos neofóbicos.

Como sabem, falo muitas vezes que o impacto do comportamento alimentar e da dieta na saúde são mediados principalmente por mudanças de peso. Contudo, já existe um estudo que refere que os impactos da neofobia alimentar surgem independentemente do peso, idade, condição socioeconómica ou sexo.

A maior parte das descobertas associadas ao estudo, acabam por reforçar a ideia de que uma dieta diferenciada, equilibrada, variada e saudável desempenha um papel fundamental, e tem um papel muito importante na saúde. Devemos intervir em comportamentos alimentares desviados, como a neofobia alimentar, já na infância ou juventude. Isso ajudará a prevenir futuros problemas de saúde desde o início.

A verdade é que os fatores hereditários só determinam a predisposição à neofobia alimentar. A educação e os cuidados com a primeira infância e a orientação sobre estilo de vida na vida adulta podem fornecer apoio no desenvolvimento de uma dieta diversa variada!

Assim , como alguns estudos têm vindo a demonstrar, a melhor forma de combater esta neofobia alimentar nas crianças passa pela a atitude dos pais em relação ao comportamento no desenvolvimento das suas  preferências alimentares. Assim, para estimular o desenvolvimento de uma dieta benéfica, é importante ter em mente que os pais não podem ter preconceitos em relação aos alimentos que oferecem aos filhos. Por exemplo, uma atitude restritiva em relação a um determinado alimento, por exemplo doces, faz com que a preferência aumente, enquanto que uma atitude de imposição de certos alimentos tende a ter o efeito oposto.

Situações que a criança associe a felicidade e a momentos de prazer, em que a criança compartilha a experiência alimentar com os pais, tendem a contribuir de forma significativa e positiva para os alimentos consumidos nessa situação, e vice-versa.

Por isso lembre-se, seja um exemplo para o seu filho. Não espere que ele coma bem, se você, como pai/mãe, não o faz. Você é o espelho do seu filho. Lembre-se que o importante é proporcionar uma alimentação variada que permita promover saúde e prazer na hora da refeição.

Ao longo da semana, como tem sido hábito, vou dar dicas que o ajudem combater a neofobia alimentar na criança da sua vida. 

Até para a semana!

Fonte: Food neophobia associates with poorer dietary quality, metabolic risk factors, and increased disease outcome risk in population-based cohorts in a metabolomics study, The American Journal of Clinical Nutrition, 2019

Para mais informações ou esclarecimentos, contacte: inesfilipamorais@gmail.com

Por Inês Morais
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