Desidratação ligeira prejudica o desempenho do atleta?

Olá a todos, espero que a vossa semana tenha sido boa e já tenham entrado a 100% neste novo ano que promete trazer ótimas surpresas. Por isso mesmo, o artigo desta semana fala do essencial para que o nosso organismo se prepare para tudo o que de bom (ou mau) as nossas escolhas pessoais tragam ao nosso dia a dia.

Assim, esta semana vamos falar sobre o consumo de água, mais precisamente da desidratação leve que acontece muitas vezes em atletas, quer amadores, quer profissionais.

E será que faz sentido falar sobre isso no pico do Inverno? Claro que sim, porque perder muitos líquidos através da sudorese fazendo exercício nos dias mais quentes do verão é quase inevitável, mas a perceção que temos dessa situação no Inverno é completamente diferente. A consequência poderá ser uma desidratação ligeira, que pode ser calculada fazendo uma conta simples. Subtraindo o peso pós-exercício do peso pré-atividade física, temos a diferença que reflete o quanto de líquido perdemos sem reposição. E esta é uma forma muito fácil para qualquer praticante de exercício físico conseguir perceber as variações na sua hidratação.

Dando um exemplo simples, podemos considerar uma situação bastante comum para quem por exemplo faz uma corrida de 10 km num dia quente, tendo em conta que a variação será maior. Um indivíduo de 70 kg, como expressão do peso inicial, termina o seu treino com 68,5 kg tendo, portanto, perdido sem reposição 1,5 litros de suor. Esta situação é bastante comum nos dias mais quentes do Verão, mas não é tão percetível em dias mais frios.

E a pergunta que se coloca é se esta desidratação ligeira prejudica a performance desportiva. Por outras palavras, a questão é tentar perceber, se o mesmo indivíduo tivesse ingerido líquidos durante esses 10 km, evitando uma desidratação de 2,14%, se o seu rendimento físico seria melhor, ou se esta aparentemente ligeira desidratação não apresenta nenhum efeito negativo.

Para discutir este ponto, é sempre oportuno recorrer a pesquisas mais recentes que possam apresentar evidências confiáveis.

Um artigo publicado em 2018 no Medicine and Science in Sports and Exercise, estudou exatamente esta questão. O grupo de investigação avaliou o efeito de uma desidratação ligeira num grupo de ciclistas e mediram a performance dos atletas comparando com um estado ideal de reposição de líquidos que evitasse qualquer grau de desidratação. Os resultados apontaram que mesmo uma desidratação inferior a 2% tinha um impacto significativo no desempenho, perdendo de 7% a 10% do rendimento dos ciclistas.

Portanto, parece realmente valer a pena ter uma preocupação maior com a reposição de líquidos, quando se apresente uma desidratação desse grau, com o agravante de que praticamente não se tem a perceção do fato.

Ao longo da semana vou dar-vos dicas para conseguir dar a volta a esta situação e conseguirem potenciar os vossos treinos o máximo possível.

Boa semana e bons treinos!!

Fonte: Dehydration Impairs Cycling Performance, Independently of Thirst: A Blinded Study, Med Sci Sports Exerc. 2018 Aug;50(8)

Para mais informações ou esclarecimentos, contacte: inesfilipamorais@gmail.com

Por Inês Morais
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