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Nutrição no golfista

• Foto: D.R. Record

Tal como em muitos outros desportos, a maioria dos praticantes de golfe não possuem conhecimento suficiente no que diz respeito às caraterísticas e especificidades da modalidade que estão a praticar.

No caso do golfe, como muitos dos praticantes o praticam de forma amadora, apenas aos fins de semana e feriados, não se preocupam com os cuidados que devem ter para manter uma alimentação adequada à sua prática desportiva. Porém, se o golfista quer levar a sua performance e rendimento de forma mais séria, a preocupação com a nutrição torna-se obrigatória. A partir do momento em que se entra em competição, e as vitórias começam a ter importância, a nutrição e hidratação tornam-se componentes fundamentais.

Um jogo de golfe tem uma duração prolongada, que pode durar até 5h, e só por este motivo se percebe a importância da hidratação, que muitas vezes não pode ser feita apenas com água para ser eficaz. Por desconhecimento, existem ainda, muitos atletas que fazem o consumo de bebidas com cafeína e álcool ao longo dos torneios, o que não está correto devido ao papel diurético que ambas as substâncias apresentam, o que acaba por contribuir para uma maior desidratação.

Os estudos disponíveis sobre as necessidades nutricionais dos atletas de golfe estão mais orientados para os jogadores séniores (média de 58 anos) que foram avaliados antropometricamente momentos antes da competição.

Algumas das conclusões do estudo foram:

- Os hidratos de carbono são um nutriente essencial para os golfistas, devendo estar presente em quantidades significativas no seu plano alimentar (5-12g/kg/d).

- No que diz respeito à ingestão proteica, não existe necessidade de aumentar o seu consumo nos dias de competição, porque, normalmente, estes jogadores já têm tendência a consumir este nutriente de uma forma exagerada na sua dieta (1,2 a 1,4/7 g/kg/d).

- As gorduras devem estar presentes e apresentar uma contribuição de cerca 20 a 25% da energia ingerida.

- No dia da prova, deve haver critérios específicos para a dieta, principalmente na quantidade de hidratos de carbono e fluidos, de forma a garantir a performance e recuperação dos jogadores.

- A ingestão de alimentos durante o exercício físico vai promover uma melhoria do rendimento porque reduz o stress dos sistemas muscular, cardiovascular e nervoso.

- As características antropométricas e o tipo de atividade física de cada atleta irão determinar as suas necessidades calóricas reais. A quantidade de massa magra, o seu metabolismo basal e atividade física, vão diminuindo com o aumento da idade e, por esse motivo, deverão reduzir a ingestão calórica para compensar todas estas alterações, mas sempre com a preocupação de que, apesar da redução calórica ser necessária, as necessidades de nutrientes mantêm-se, não diminuindo com a idade.

Apesar dos resultados deste estudo, há outros que referem que o golfe também apresenta outro tipo de questões como o facto de estar, frequentemente, associada a alguns hábitos menos corretos do ponto de vista alimentar, nomeadamente a longos períodos de tempo sem haver ingestão de alimentos e consumo desadequado de líquidos e que irão influenciar o desempenho do atleta.

Desta forma, o que se recomenda é que, para todos os atletas de golfe, e sendo uma modalidade desportiva que muitas vezes se prolonga por várias horas, tenham uma preocupação adicional com os alimentos que ingerem antes e durante as provas.

Antes do início da prova devem fazer uma refeição que os prepare para as 3 horas seguintes: alimentos como o pão fresco ou torrado, as tostas, os cereais de pequeno-almoço, a fruta crua ou em sumos, iogurtes, ou para quem aprecia, até uma sopa são excelentes alternativas. Quando as provas são de maior duração, e não havendo espaço de manobra para fazer um intervalo, o mais importante é garantir que o atleta tem disponíveis alguns alimentos fáceis de transportar e que sejam bons fornecedores de energia, nomeadamente os sumos naturais de pacote, peças de fruta, barrinhas de cereais, frutos secos, chocolate ou sandes são alguns exemplos de alimentos ricos em nutrientes e que ajudam o organismo a obter energia rapidamente. Esta atitude também impede os atletas de terminarem a prova com picos de fome, que muito contribui para que, no final da partida, se estraguem todos os benefícios da atividade com uma refeição desequilibrada, com quantidades excessivas de alimentos e bebidas.

Até para a semana!

Fonte: Ferreira de Brito, A.P., & Pereira, R.G., Golfe: os hábitos alimentares dos jogadores seniores, Motricidade Vol.4 – Nº2, Junho 2008

Contributos Originais para uma Prática Saudável do Golfe – Fundação Portuguesa de Cardiologia.

Por Inês Morais
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