Esta semana decidi dedicar este artigo às mulheres que praticam desporto com objetivos competitivos específicos, sejam elas profissionais ou amadoras.
Biológica e fisiologicamente as necessidades das mulheres são diferentes das dos homens e, por isso, não é de estranhar que as suas necessidades energética, metabólicas e nutricionais também o sejam.
Assim, e por sabermos que a alimentação influência de forma muito significativa o rendimento desportivo, é muito importante falarmos da nutrição desportiva na mulher.
Principalmente nas atletas femininas, além dos vários benefícios no que diz respeito ao rendimento desportivo, também uma dieta estruturada e equilibrada é fundamental para manterem um estado nutricional adequado. Assim, a atleta feminina deve saber quais as estratégias corretas a adotar antes, durante e após o exercício, para conseguir os melhores resultados, otimizar a forma de adaptação aos treinos e a diminuir o tempo de recuperação entre sessões de treino/competição.
Tal como com os homens, as necessidades energéticas de uma atleta variam consoante o tipo de treino, intensidade e duração do mesmo, estado nutricional e idade. Adaptar a alimentação a estas necessidades é fundamental porque uma ingestão calórica inferior à necessária, faz com que sejam as proteínas musculares a serem usadas como recurso energético, potenciando uma redução da resistência e da força.
Contudo, quando falamos de nutrição desportiva na mulher há um tópico que está diretamente relacionado com o estado nutricional e que é muito relevante, o fenómeno complexo que o American College of Sports Medicine chama de Tríade da mulher atleta e que é definida como a relação entre 3 componentes: baixa disponibilidade energética (em que existe uma ingestão calórica inferior ao recomendado), função menstrual desregulada (muitas vezes com amenorreia – ausência do ciclo menstrual por mais de 90 dias) e a baixa densidade mineral óssea (que pode evoluir, em casos mais graves) para a osteoporose. Mais recentemente, a denominação foi alterada para Relative Energy Deficency, para se tornar num termo mais abrangente, uma vez que os atletas masculinos uma vez que o principal problema parece ser a pouca ingestão energética feita pelo atleta.
Para clarificar todos os conceitos e não deixar dúvidas, a disponibilidade energética traduz-se na quantidade de energia que fica disponível pata outras funções biológicas que não representam o exercício físico, ou seja, Eingerida- Edispendida no exercício.
Quando a disponibilidade energética se mantém demasiadamente baixa por um longo período de tempo, potencia-se distúrbios menstruais severos como a oligomenorreia – ciclos menstruais que ocorrem de forma intermitente com duração igual ou superior a 36 dias – e a amenorreia.
Este quadro pode potenciar outros problemas de saúde. O efeito protetor do estrogénio (cuja produção adequada depende da regularidade do ciclo menstrual) no tecido ósseo é uma das situações que podem ser comprometidas. O estrogénio aumenta a absorção intestinal do cálcio, diminui a sua excreção urinária e reduz a taxa de remodelação óssea que, se em excesso, favorecerá a reabsorção em vez da formação de massa óssea. Situações prolongadas de redução de estrogénio podem conduzir a uma osteoporose, a terceira componente da tríade.
Como consequências, esta osteoporose aumenta o risco de fratura e fádica na prática desportiva. Para além disto, atletas amenorreicas apresentam um risco mais elevado de doença cardiovascular, devido à diminuição do efeito protetor também providenciado pelos estrogénios.
Por este motivo, uma das questões essenciais no tratamento deste problema passa por garantir que a atleta feminina faz uma alimentação adequada, o que inclui aumentar a disponibilidade energética, através do aumento da ingestão calórica, redução do gasto calórico (podendo ser necessário reduzir o exercício físico) ou mesmo através da combinação de todas as estratégias.
Ao longo da semana vou reforçando alguns dos conceitos que falei aqui, tais como o que é, quem deve estar atento e a que tipo de sinais e os principais grupos de risco.
Fonte: American College of Sports Medicine - Posicionamento Oficial: A tríade da atleta