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Overtraining, o que é e como a nutrição correta pode ajudar

• Foto: EPA

Esta semana vou falar de um estado que pode ser atingido por muitos atletas profissionais, mas que também acontece em muitos atletas amadores, que treinam de uma forma regular e com objetivos definidos, mas que não têm o acompanhamento adequado. Mas será que sabe o que é o Overtraining? Mais do que isso, saberá reconhecê-lo se estiver a acontecer consigo?

Vamos por partes, o Overtraining caracteriza-se pelo desequilíbrio entre o stress e a recuperação. Estes fatores de stress podem ser encontrados tanto em situações de treino, como em situações extra treino ou extra competição.

Os atletas, na tentativa de atingir elevados níveis de desempenho com treino, podem acabar por treinar em excesso, apresentando sinais e sintomas de Overtraining. Este excesso pode ser identificado porque começam a apresentar sintomas como diminuição da performance, fadiga crónica, infeções respiratórias e alterações de humor. Embora não haja indicação de que o excesso de treino cause danos irreversíveis no atleta, aumenta o risco de lesões, doenças ou abandono desportivo, reduzindo a qualidade de vida dos atletas.

Inerente a todos os programas de treino, está a aplicação do princípio de sobrecarga progressiva, que implica que haja uma carga de trabalho acima do nível considerado confortável, com o objetivo de potenciar ao máximo a performance do atleta, através de adaptações fisiológicas positivas, que são atingidas através do treino físico exaustivo e que têm como objetivo evitar lesões. Contudo, a linha que separa a melhoria e o prejuízo do desempenho é extremamente frágil e vários estudos demonstram exatamente isso. Por exemplo, sintomas de Overtraining foram observados em 65% dos corredores de longa distância em algum momento da sua vida profissional, ou outro exemplo, em jogadores de futebol semiprofissionais, 50% destes atletas apresentaram sintomas ao final de uma época competitiva de 5 meses ou, ainda, em 21% dos nadadores australianos durante uma época de seis meses.

Prevenção

Por este motivo é importante adotar todas as medidas preventivas para evitar que os atletas atinjam este estado.

Como não será de estranhar, eu vou falar dos fatores nutricionais, porque também uma alimentação inadequada, que levará a uma nutrição deficiente, aumenta o risco de Overtraining.

Uma das principais razões associadas é um consumo reduzido de calorias. É importante relembrar que treinos longos e intensos, aumentam drasticamente as necessidades energéticas do atleta. Se a quantidade calórica ingerida diariamente não for suficiente para o desempenho eficiente diário nos treinos, o corpo começa a entrar num estado de esgotamento, recuperando de forma ineficiente, que pode levar a um estado de Overtraining.

Associado à restrição calórica, está também a redução exagerada do consumo de hidratos de carbono. Estes são os responsáveis pela formação de energia pelo nosso organismo e que permite que ele funcione da forma mais eficiente possível. Recentemente foi feito um estudo a vários atletas que executaram durante 11 dias seguidos treinos de corrida intenso, comparando-se o seu rendimento e humor, com diferentes consumos de hidratos de carbono concluindo-se que os atletas que tinham um menor consumo de hidratos tinham uma performance muito menor, acusando cansaço e viam o seu humor muito afetado.

O que custa a entender ainda é se os hidratos são a principal fonte de energia ATP-CP e são usados como fonte de energia, por que razão os atletas tendem a diminuir a sua ingestão? A resposta é fácil, muitos atletas deixam-se influenciar por dietas que estão na moda, dietas essas com restrições grandes em hidratos de carbono com objetivo da redução de gordura corporal, e aplicam isso na performance. É por isso que aumentar a ingestão de hidratos, deve ser uma estratégia prioritária para evitar entrar num estado de Overtraining.

Vitamina C

Outro fator importante é a quantidade de vitamina C ingerida pelos atletas, isto leva a que tenham um sistema imunitário frágil.

Por fim, o baixo consumo de ferro deve ser outra das grandes preocupações devido às funções de transporte de oxigénio sanguíneo e muscular e criação de glóbulos vermelhos. Baixos níveis de ferro têm como consequência a diminuição da performance, que levará o atleta ao estado de Overtraining.

Já o consumo de vitamina D3 em menor fraqueza muscular pós-treino e numa melhor recuperação.

Durante a semana vou dar dicas sobre como prevenir o Overtraining. Fiquem atentos!

Fonte: Monitoring and prevention of Overtraining in athletes, Rev Bras Med Esporte, 2006;

Stress hormonal analysis in elite soccer players during a season, YiannisMichailidi, Department of Physical Education and Sport Sciences, Democritus University of Thrace, Komotini, 69100, Greece, July 2014.;

Fry RW, Morton AR, Garcia-Webb P, et al. Biological responses to overload training inendurance sports. Eur J ApplPhysiol 1992;

Barker, T., Henrikesne, V.T., Martins, T. B., Hill, H. R., Kjeldsberg, C. R., Schneider, E. D., Dixon, B. M., & Weaver, L.K. (2013, May). Higher serum 25-hydroxyvitamin D concentrations associate with a faster recovery of skeletal muscle strength after muscular injury. Nutrients. 5:1253-1275; doi:10.3390/nu5041253;

Overtraining Syndrome R. Budgett, MBBS, MA, Dip Sports Med, MRCGP The British Olympic Medical Centre

Boa semana!

Para mais informações ou esclarecimentos, contacte:inesfilipamorais@gmail.com

Por Inês Morais
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