Perceber melhor a diabetes

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Olá a todos, como passaram esta semana?

O artigo desta semana vai ser um bocadinho diferente de todos os outros que já escrevi para esta coluna semanal. O texto de hoje servirá para esclarecer um leitor que me escreveu preocupado com o seu recente diagnóstico de diabetes tipo 2.

Escreveu porque não estava à espera do diagnóstico, porque achava que só acontecia aos outros, porque achava que não comia assim tão mal e que até se mexia o suficiente… Pior, sente-se completamente perdido depois deste diagnóstico porque ouve muitas coisas sobre os cuidados a ter, mas nada em concreto…

Pois bem, segundo os estudos, este leitor não é o único que pensa assim e que está mal informado sobre o que representa a diabetes para o indivíduo, mas também o impacto que começa a ter em termos da qualidade de vida e economia em todo o mundo! E Portugal, claro, não é exceção…

Senão vejamos, a diabetes é já considerada uma epidemia mundial que representa encargo enorme nos sistemas de saúde e a sua prevalência em Portugal é muito elevada! Este facto levou a OCDE a indicar, no seu relatório sobre saúde de 2017, Portugal como um dos países com taxa de prevalência da diabetes mais alta da Europa!

Em Portugal, de acordo com o Programa Nacional de Diabetes de 2017, estima-se que em 2015 a prevalência de diabetes no território nacional foi de 13,3%, com cerca de 44% dos portugueses população ainda não diagnosticada.

Por este motivo é que decidi escrever este artigo, para vos alertar! A diabetes tipo 2 é uma doença silenciosa que se vai manifestando devagar e sem dor, mas que pode acabar com consequências graves e difíceis de gerir.

Alimentação

Tal como para o leitor que me escreveu, também para a maior parte dos diabéticos a questão mais desafiadora do tratamento é saber o que comer. A solução passa por uma alimentação e dieta ADEQUADA AO INDVÍDUO e às suas necessidades, complementada com uma atividade física regular e, na maioria dos casos, à farmacoterapia, sendo estes os pilares do controlo desta doença.

A terapêutica nutricional é a mais reconhecida ferramenta essencial no controlo global da diabetes tipo 2, mas não existe um padrão generalizado. Isto faz com que seja recomendado que cada pessoa tenha uma terapêutica nutricional adequada à sua situação e que cada doente participe de forma ativa na autorregulação, educação e planeamento dessa terapêutica com um nutricionista que o acompanha, e que inclui o desenvolvimento colaborativo de um plano alimentar individualizado.

Parece fácil, não é? Infelizmente não é tanto assim… O que normalmente acaba por acontecer é que os hábitos alimentares anteriores interferem muito na adesão à nova dieta! Para além disso, e já falei várias vezes sobre esta questão, aspetos emocionais e de apoio familiar, questões socioeconómicas, ausência de diagnóstico, desconhecimento sobre complicações da diabetes, negligência e falta de motivação são alguns dos vários fatores que influenciam a tratamento, e que podem afetar a forma como o doente encara a necessidade de aderir e adotar um novo estilo de vida.

Apesar de ser uma questão muito individualizada, ao longo da semana vou dar algumas dicas sobre como fazer algum controlo dos níveis de açúcar no sangue, ou seja, tentar controlar a diabetes.

Antes de me despedir, quero agradecer a este leitor por me ter enviado esta questão e convidar os restantes leitores a fazer o mesmo! Enviem-me as vossas dúvidas/questões por email que terei todo o gosto em responder. Lembrem-se que as vossas dúvidas podem ser as dúvidas de muita gente!

Até para a semana!

Para mais informações ou esclarecimentos, contacte: inesfilipamorais@gmail.com

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