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Terão os atletas de motocross necessidades energéticas específicas?

• Foto: EPA

Esta semana decidi dedicar esta coluna a atletas que muitas vezes são negligenciados em termos nutricionais por praticarem um desporto motorizado. Por este motivo, e erradamente, poderia pensar-se que não precisam de cuidados nutricionais específicos.

Da mesma forma que a mota precisa do combustível e tratamento adequados para funcionar em pleno durante as competições, o corpo do atleta também precisa de atenção para que este atinja o rendimento e resultados pretendidos. Além da preparação física certa, a alimentação é um ponto importante para ser tratado entre os pilotos.

Apesar de existir pouca quantidade de informação cientifica específica para o motocross, existe um consenso no que diz respeito ao desgaste físico e energético que esta modalidade gera. Por isso mesmo, uma nutrição específica torna-se estritamente necessária, já que uma dieta adequada vai ajudar os pilotos a manter um elevado nível de energia e resistência, a aumentar os reflexos e a clareza mental, a melhorar o desempenho em treinos e competição e a recuperar mais rapidamente de possíveis lesões.

Um dos aspetos importantes que tem que ser valorizado é a presença de reservas de gordura e de hidratos de carbono (glicogénio hepático e muscular) que se devem tentar preservar a todo o custo. Estas reservas têm um papel determinante durante as competições de motocross. Estudos demonstram que somente o facto de bochechar uma bebida com presença de hidratos de carbono, em substituição da água pura, apresentou uma diminuição de 3% no tempo de atletas em performance de ciclismo, o que demonstra uma possível relação entre o sabor doce geralmente conseguido através de alimentos que contenham hidratos de carbono e uma menor perceção do esforço durante o exercício.

Uma das práticas mais comuns entre atletas profissionais em desportos com tempo de competição moderado a elevado, como o motocross, é a utilização de um carregamento ("loading") dessas reservas de glicogénio. Este tipo de prática, com validação científica, baseia-se no facto de que após momentos de pouca ingestão de hidratos de carbono o corpo tende a acumular mais glicogénio.

Tendo isto em conta, está recomendada a seguinte distribuição para ingestão alimentar de acordo com os dias da semana que antecedem uma competição:

- Dia (-6) ao (-3) (início da semana pré-competição): dieta com baixo consumo de hidratos de carbono;

- Dia (-2) e (-1) (2 dias antes da competição): elevado consumo de hidratos de carbono - aproximadamente 1g/kg a cada refeição (normalmente recomendam-se 6 refeições ao longo do dia).

- Dia (0) e (0) (normalmente os dois dias de competição): elevado consumo de hidratos de carbono - mais especificamente nas refeições antes das provas -, procurando um melhor rendimento e, posteriormente, ter como objetivo uma recuperação mais rápida e adequada.

Hidratação

Outra das preocupações deve ser a hidratação. Principalmente em países de clima mais quente, pode haver uma perda de 2% do peso corporal sob a forma de sudorese o que prejudica drasticamente o rendimento. Isto significa que a ingestão de água e eletrólitos deve sempre ser muito vigiada, já que a perda de 5% do peso corporal sob a forma de sudorese não é incomum para estes atletas, principalmente se pensarmos na utilização dos vários equipamentos de proteção no motociclismo.

Para isso, um método interessante que tem vindo a ser utilizado é a avaliação do peso do atleta pré e pós competição, no qual a perda deve ser considerada, na sua maioria, como água corporal, podendo-se, assim, estimar a quantidade de líquidos, além do habitual, que o atleta terá que ingerir nos momentos pré-competição para garantir a hidratação necessária. De forma geral, segundo dados da IOM (Instituto de Medicina Norte Americano), os homens deverão ingerir 3,7L de líquidos totais por dia (considerando também leite, bebidas desportivas, sumos, etc.) e as mulheres 2,7L.

Aliás, em casos mais extremos em que as competições aconteçam em condições extremas de elevadas temperaturas, deve ser equacionado pelo atleta a utilização de mochilas de hidratação porque, tal como referi anteriormente, até uma pequena desidratação pode ocasionar a queda de rendimento.

A nutrição e hidratação adequadas apresentam outro papel essencial no rendimento do atleta: a prevenção de lesões. Quando pensamos em desportos radicais como este, o risco de lesões é sempre maior do que nos desportos "tradicionais". As lesões mais frequentes que abrangem o motociclismo são as fraturas ósseas e as lesões articulares provocadas por acidentes. Porém, também podem ocorrer lesões musculares e fraturas por stress.

Desta forma, para garantir um adequado aporte energético e vitamínico que irão formar e manter a saúde dos nossos ossos e articulações devem ser ingeridas as quantidades ideais de todos os nutrientes. Deve ser dada especial atenção à ingestão de cálcio, vitamina D, proteína (1-2g/kg/dia) e Vitamina C.

Até para a semana!

Por Inês Morais
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