A ausência do timoneiro

A ausência do timoneiro

No universo benfiquista, a dúvida do momento passa por saber qual será a reação da equipa face à ausência forçada do seu treinador, em função da pena de 30 dias de suspensão que foi aplicada a Jorge Jesus. O jogo com o Braga, um adversário forte, será um bom teste para averiguar até que ponto as águias estão preparadas para passar um mês sem o seu timoneiro nas competições internas.

Numa fase em que se anunciava o divórcio do treinador com a massa associativa encarnada, onde as más exibições e o caso Cardozo estavam a limitar o seu trabalho, Jorge Jesus quis aproveitar um momento em Guimarães para fazer as pazes com os sócios, mas acabou por se exceder ao tentar defender um adepto benfiquista. Não acredito que, em momento algum, lhe tenha passado pela cabeça agredir alguém, muito menos um polícia.

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As coisas não correram exatamente como Jesus terá idealizado e o castigo acaba por se aceitar, tanto mais que a própria SAD do Benfica entendeu por bem não recorrer do mesmo. A grande questão agora é saber até que ponto esta situação poderá interferir no rendimento da equipa. Numa altura em que as águias vinham a registar fortes melhorias exibicionais, uma retoma que foi visível no último mês, inclusive na Liga dos Campeões apesar dos maus resultados, este é um momento decisivo que pode ter reflexos distintos.

A ausência do treinador bem que pode ser mais um fator de motivação para os jogadores, ansiosos por mostrar que estão do seu lado e com vontade de lhe dedicar as vitórias. Por outro prisma, a falta da energia e garra, do entusiasmo e dedicação, que são características de Jorge Jesus no banco, poderá limitar os momentos em que é preciso “sacudir” a equipa e puxá-la para a frente.

Hoje em dia, com as novas tecnologias de comunicação, a ausência do treinador no banco de suplentes pode ser minimizada. E a observação dos jogos a partir dos camarotes, permitindo uma visão e leitura do jogo mais alargada, incluindo o recurso a imagens televisivas, até pode trazer benefícios para o rendimento da equipa, já que o treinador poderá identificar mais facilmente algumas lacunas na produção da equipa e passar essa informação aos seus assistentes.

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No que respeita aos jogadores, depois de a bola começar a rolar, a ausência do treinador passará certamente para um plano secundário. Com ou sem Jorge Jesus por perto, os atletas do Benfica, em função da grandeza do clube que representam, sabem que têm de jogar sempre para ganhar. Mas encontrarão de início um teste exigente, frente a um Braga necessitado de pontos e que promete jogar taco a taco na Luz.

No início da época, a liderança de Jorge Jesus no balneário esteve em xeque. Os próximos 30 dias ajudarão a perceber se a sua posição ganhou ou perdeu força. Cardozo é um jogador muito importante. Diria até que vital para o Benfica, mas o modo como a sua situação foi gerida, após os incidentes do Jamor, deixou marcas e dividiu as hostes encarnadas. Eusébio confirmou isso recentemente: “Se não fosse eu a bater-me com o Luís Filipe [Vieira], se calhar o Cardozo agora não estava no Benfica.”

Teremos um Benfica para melhor ou para pior? A equipa estava em processo de retoma e certamente quer dar continuidade a esse momento. Jorge Jesus estará fora das 4 partidas que antecedem o confronto com o FC Porto na Luz. Para poder jogar a liderança do campeonato nesse dia, onde já se poderá sentar no banco, a nota artística, entretanto, vai ter de se fazer sem ele.

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O CRAQUE

Recuperar o tempo perdido

É um dos protagonistas da excelente época do Gil Vicente. Diogo Viana cedo viu o seu nome saltar para a ribalta, ao integrar o negócio que levou Helder Postiga do FC Porto para o Sporting em 2008. Depois de vários empréstimos sem se impor, o extremo, já sem ligação aos dragões, encontrou espaço em Penafiel e está agora a confirmar qualidades em Barcelos. Aos 23 anos, este habilidoso avançado tem sido sinónimo de golos e assistências para os gilistas e parece recuperar o tempo perdido, despertando o interesse de clubes maiores. A aposta em jogadores portugueses dá frutos..

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A JOGADA

Qualidade do treinador luso

Portugal tem neste momento 9 treinadores nacionais com equipas a disputar a Liga dos Campeões ou a Liga Europa. Muitos outros, como Vítor Pereira, encontram-se a trabalhar noutros continentes e a ser prova do reconhecimento que atualmente os técnicos portugueses têm no mundo do futebol. A cereja no topo do bolo confirmou-se esta semana, com a confirmação de que vamos ter 3 treinadores lusos a orientar seleções no Mundial’2014. Paulo Bento (Portugal), Fernando Santos (Grécia) e Carlos Queiroz (Irão) estão de parabéns.

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A DÚVIDA

A (in)justiça da FIFA

Verdadeiramente inacreditáveis as notícias que davam conta da eventual anulação do jogo entre a Espanha e África do Sul. Por via da lesão do guarda-redes Valdés, os espanhóis fizeram 7 substituições em vez das 6 permitidas. Decisão muito injusta para os sul-africanos, que não tiveram nada a ver com a situação e ganharam o jogo dentro de campo. A FIFA ignoraria assim uma ilegalidade deixada passar em claro pela equipa de arbitragem. E ainda penalizaria a África do Sul, que teria subido no ranking FIFA e merecia ter ganho, no mínimo, na secretaria. Se fosse ao contrário, qual seria a decisão?

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