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À beira do abismo

À beira do abismo

Poucas vezes o clima em torno de um grande jogo esteve tão civilizado como este que antecede o FC Porto-Benfica de amanhã. E ninguém pense que cada lance vai ser menos rasgado por cada um dos intervenientes – durante os noventa minutos, sobre a relva, assistiremos a um dos mais apaixonantes embates do futebol europeu. Os confrontos entre os nossos grandes têm nível técnico e intensidade para ombrear com quaisquer clássicos do futebol mundial. Claro que a míngua financeira traz um menor investimento no centro das defesas ou no número de atacantes de top, mas é essa dificuldade em aceder às receitas necessárias para manter a competitividade a nível internacional que leva a este saudável clima de segurança.

Se a sensação de segurança e festa em torno de um dos mais belos espetáculos do mundo puder prolongar-se ao longo de épocas, o negócio-futebol poderá florescer e atrair famílias inteiras para partilhar o deleite de puxar pelo seu clube nas bancadas.

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É preciso ter a humildade de aprender com quem está mais à frente. O exemplo mais sólido é inglês. Perseguiu, puniu, e eliminou os focos de adeptos violentos; redistribuiu a riqueza gerada pelos direitos televisivos, fomentou a competitividade das equipas, sem deixar de respeitar as quotas de mercado dos mais poderosos.

Em Portugal já se fala abertamente de centralização dos direitos de televisão, mesmo no seio de clubes que lançaram as suas próprias televisões. O risco de falência coletiva trouxe bom senso até ao mais populista dos presidentes.

Que amanhã ganhe quem jogar melhor. Artistas com grande qualidade, por enquanto, ainda abundam. Porém se todo o negócio não for repensado, será cada vez mais difícil manter nível internacional.

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Os clubes pararam à beira do abismo. Mas o vazio do precipício continua à vista de todos.

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