A cartilha de Jardim

A cartilha de Jardim

Independentemente das contas finais, o Sporting está a realizar uma excelente época. Depois de bater no fundo, em termos financeiros e desportivos, com o impensável 7.º lugar da temporada anterior, a nova direção leonina soube fazer os reajustes certos e está a reerguer o clube, recuperando o estatuto de grande no panorama nacional. Mas o principal obreiro deste ressurgimento do Sporting tem um nome: Leonardo Jardim. Sempre com um discurso realista e ciente das limitações do clube, o técnico está a ser uma peça-chave na estratégia do Sporting. Com menos recursos que os rivais Benfica e FC Porto, não se refugiou em desculpas, escolheu reforços com critério e identificou várias pérolas da formação, de grande valor, para formar o seu grupo de trabalho. Num ano de reestruturação do plantel, em que foi preciso arrumar a casa, Leonardo Jardim sabia que este ano serviria para consolidar princípios de jogo, ganhar rotinas e lançar as bases de uma equipa de sucesso para o futuro. Nunca se desviou desse caminho e conseguiu blindar o plantel de eventuais euforias que, entretanto, pudessem surgir com os bons resultados que foi conseguindo. De jogo para jogo, nota-se que o Sporting foi ganhando maturidade e capacidade para lidar com as adversidades. A equipa tem feito uma época regular, apresentando uma dinâmica positiva e uma motivação elevada. A equipa exibe uma característica que, por norma, distingue os melhores: os jogadores não gostam de perder nem que seja a feijões, não viram a cara à luta e dão tudo dentro de campo.

Jardim tem o mérito de criar um grupo coeso e solidário, comprometido com a sua causa, determinado em se transcender e ir além das expectativas dos adeptos. Por outro lado, o espírito de trabalho e a humildade foram outros trunfos que contribuíram para criar uma equipa que hoje respira e transpira confiança e que, a partir do momento em que se estabeleceu no 2.º lugar, não tremeu e apresentou grande personalidade.

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A atuação de Leonardo Jardim foi fundamental para o percurso ascendente da equipa leonina. Sempre com os pés bem assentes na terra, com um discurso sereno e realista, o treinador não embandeirou em arco, mantendo-se sempre fiel à mesma linha de orientação com que iniciou a época, colocando um travão aos excessos discursivos de outras figuras ligadas ao clube. Esta capacidade de blindar o grupo, de temperar o discurso e manter o foco, acabou por retirar pressão e dar a tranquilidade necessária para a época de bom nível que os seus jogadores estão a realizar. Nos momentos decisivos, Jardim escolheu sempre as palavras certas, para dentro e para fora. E teve uma constante palavra de incentivo e elogio para os seus jogadores.

Mais do que um treinador de qualidade, com habilidade rara de fazer crescer os jogadores com quem trabalha, como Rui Patrício, Cédric, Rojo, Jefferson, William, Adrien, Montero e Slimani (ativos que poderão vir a ajudar, e muito, a reequilibrar as finanças do Sporting), entre outros, Leonardo Jardim tem sido um excelente conselheiro e motivador. Se em termos técnicos-táticos o seu trabalho não foi inteiramente uma surpresa, o trabalho a nível psicológico foi uma grande revelação.

Neste percurso de revitalização, o Sporting ainda nem chegou a meio do processo. Mas está no bom caminho. A próxima época, com a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões praticamente garantida, irá trazer novos desafios e o clube necessitará de mais argumentos. Mas já se percebeu que Jardim tem capacidade para os enfrentar.

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O CRAQUE

O goleador sadino

O bom momento do V. Setúbal, com possibilidades de lutar por um lugar europeu, está a despertar os adeptos portugueses para alguns dos bons valores que compõem o seu plantel. Entre eles está Rafael Martins, ponta-de-lança que já leva 12 golos no campeonato. O brasileiro tem sido um jogador importante para a equipa sadina e os seus golos já valeram muitos pontos para a equipa de José Couceiro. O remate potente, a capacidade de desmarcação e a leitura de jogo que exibe fazem dele um ponta-de-lança com qualidade.

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A JOGADA

Uma boa notícia

Numa altura em que já se ouviam alguns rumores sobre a sua saída, a Federação portuguesa chegou a acordo com Paulo Bento para a renovação do seu contrato. Esta é uma boa notícia para a Seleção Nacional e abre caminho para um percurso mais tranquilo na preparação do próximo Mundial, evitando que o tema da continuidade ou não do selecionador se viesse a tornar um problema. Com maior ou menor dificuldade, Paulo Bento qualificou a Seleção para o Euro’2012 (onde chegou às meias-finais) e para o Mundial’2014, e tem capacidade (e jogadores) para nos levar ao Euro’2016.

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A DÚVIDA

O futuro de Jorge Jesus

Jorge Jesus fica ou sai do Benfica no final da época? Esta pergunta tem dividido o universo benfiquista. Muitos já desejaram a sua saída, mas o pr esidente Luís Filipe Vieira foi sempre capaz de o segurar, acreditando nas suas capacidades e reconhecendo o trabalho de valorização de jogadores e crescimento futebolístico que o treinador trouxe ao clube dentro e fora de Portugal. Nesta fase, e prestes a conseguir ganhar o seu segundo título de campeão, poderá ser o treinador a querer abraçar um novo desafio no estrangeiro. Será que o Benfica o consegue convencer a continuar?

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