Foi com a Geração de Ouro, na qual me incluo com orgulho, que se começou a criar o conceito de “Clube Seleção Nacional” nos anos 90, levando os adeptos aos estádios e criando uma empatia inquebrável entre os portugueses e a turma das quinas. Exemplo disso mesmo foi ver jovens a querer aprender o hino nacional para poderem viver aquele momento em perfeita sintonia connosco, jogadores, num ritual que ainda hoje nos arrepia antes de cada jogo.
Desde o Mundial sub-20, conquistado em 1989, passaram 25 anos e muita coisa mudou na Seleção A. Presenças em 4 Mundiais e 5 Europeus no último quarto de século é um registo que pulveriza todos os recordes anteriores, mas a atual direção sabe que há ainda um longo caminho a percorrer até estarmos ao nível de outras seleções no que concerne a condições de trabalho. Não posso deixar de destacar a importância que terá a futura Casa das Seleções, bem como a preponderância de Fernando Gomes na forma como todo este projeto tem sido conduzido.
As enormes dificuldades que sentimos nos jogos de apuramento disputados até agora rumo ao Euro’2016, frente a Albânia, Dinamarca e Arménia, equipas bem organizadas no seu processo defensivo, mas que também sabem sair de forma “venenosa” para o ataque, mostram-nos que o futebol está a evoluir por toda a parte, mesmo em países anteriormente considerados “de segunda linha”. Também estes jogos devem alertar-nos para a necessidade de trabalharmos de forma cada vez mais científica e profissional, colmatando as nossas lacunas, e é precisamente nesse sentido que urge a já citada e aguardada Casa das Seleções que, estou certo, irá ajudar a elevar a fasquia da nossa competitividade.
Destaques e notas finais do último jogo: o regressado Bosingwa continua a ser, aos 32 anos, o melhor defesa-direito português; o estreante Raphael Guerreiro ameaça ser, aos 20 anos, o defesa-esquerdo do futuro da nossa Seleção; para Cristiano Ronaldo, aos 29 anos, não há recordes inatingíveis; Ricardo Quaresma, aos 31 anos, parece renascer uma vez mais e tudo faz para merecer e retribuir o carinho que os adeptos demonstram por si sempre que sobe aos relvados. Com estes e todos os outros, estamos no bom caminho!