Portugal ganhou uma medalha em Pequim! Finalmente! Depois de muitos resultados menos positivos da Missão lusa, a menina prodígio do triatlo mundial não defraudou as expectativas e provou na prática aquilo já sabíamos: é uma campeã, uma atleta de eleição, uma das melhores que Portugal já produziu.
É evidente que teria sido muito melhor se Vanessa tivesse conseguido o ouro em vez da prata. Isso não tem discussão. Mas, ninguém deve estar triste com o desfecho. Bem pelo contrário. Como a própria já disse, o objectivo era uma medalha e não especificamente a dourada.
Vanessa só foi batida por Emma Snowsill, atleta mais velha e exepriente e também sensacional. Por outras palavras, mesmo tendo feito uma prova bastante sofrida (nunca a tinha visto com um ar tão desgastado, com tanta dificuldade para deixar as adversárias "normais" para trás na corrida), a lusa só perdeu para a única atleta do planeta que, em condições normais, lhe pode ganhar. E quando é assim... está tudo bem.
Em Londres, em 2012, quando tiver 26 anos e a sua principal adversária 31, estou certo que Vanessa trará outra medalha para casa. E, nessa altura, será o momento de mudar o metal. Para que tal seja realidade, basta continuar a ser igual a si própria, a trabalhar de forma abnegada e a acreditar que todos os sacrifícios são válidos para alcançar os objectivos traçados.
Em suma: estou satisfeito como creio que todos os portugueses devem estar. Mas, para ser sincero, tenho de admitir que começava a ficar nervoso com o desempenho nacional.
Não fico desalentado com aqueles que, nos grandes palcos, não conseguem lutar pelas medalhas. Nem todos podem ser Vanessas, Évoras ou Naides. Mas, de uma vez por todas, os atletas portugueses deviam perceber que a única coisa que se lhes exige é que compitam dentro das suas possibilidades; que façam o expectável. É só isso que o País pede.
Já chega de ver gente que se intimida "por estar pouco habituada a correr com tantas adversárias"; que se assusta "com o Estádio cheio"; que assume "não ter queda para as grandes competições"; que sorri e manda beijos para as câmaras depois de falhar um exercício ou que considera que "de manhã só é bom ...dormir". Os Jogos são uma festa única que todos os atletas devem poder desfrutar mas, na altura de competir, têm de ser exigentes consigo próprios. Caso contrário, estão apenas a enganar-se. A perder tempo.
Nos Jogos de Barcelona'92, onde estive a trabalhar, fiquei traumatizado com a indiferença com que alguns atletas aceitavam os maus resultados. Quase 20 anos volvidos pensava que essa mentalidade tinha acabado. Enganei-me. Mas, felizmente, nem todos são assim. Francis Obikwelu, por exemplo, foi um gigante na hora da derrota. Ninguém o viu a rir ou a fazer declarações absurdas. Ele sabe bem que há diferenças entre ganhar e perder.
PS - Gustavo Lima chega ao último dia da classe Laser da vela em condições de conquistar uma medalha. De prata ou bronze. Vamos esperar que não a deixe escapar.
PS 1 - Nélson Évora já mostrou na qualificação do triplo salto que é mesmo candidato ao pódio. O "aquecimento" foi excelente e reforçou o seu (e nosso) optimismo.