Já com a poeira assente sobre o desastre provocado pelo Eusébio polaco na última quarta-feira, há um ponto que deve merecer a atenção dos responsáveis portugueses com uma atenção redobrada: a falta de atacantes ao nível que a Selecção Nacional merece.
Na Polónia falhou tudo: no centro da defesa Ricardo Carvalho pareceu demasiado só, a equipa sentiu a falta de um líder, de uma voz de comando e o ataque não teve soluções para contrariar um domínio polaco que só não conseguiu golear Portugal porque o destino assim não quis.
Em Portugal há um deficit de avançados com categoria. Scolari não tem, na verdade, muito por onde escolher, convoca os que são efectivamente os melhores mas é preciso mais qualidade e quantidade.
Muitas vezes, as exibições de Pauleta valeram ao açoriano críticas negativas dos portugueses, mas o avançado do PSG enquadrava-se efectivamente mais no estilo da Selecção do que Nuno Gomes. No entanto, as alternativas ao jogador do Benfica (Postiga ou Hugo Almeida) também não dão a Scolari garantias de melhorar o rendimento da Selecção Nacional, pelo a escolha do benfiquista é a natural.
Nesta perspectiva, o importante é deixar de lado a ideia de estar sempre a olhar para dentro e pelo menos equacionar, com verdadeiro profissionalismo, que não descarta um grande rigor numa matéria delicada (o futebol vive de resultados), a possibilidade de Deco deixar de ser o único "estrangeiro" a representar Portugal: Alguém tem dúvidas que Liedson dava muito jeito na Selecção Nacional?