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A farsa da Liga e o papel de Duque

A farsa da Liga e o papel de Duque

O raciocínio mais simples é justificar a falência da Liga e a sua dificuldade de sustentabilidade através daquilo a que muitos têm denominado como "gestão incompetente" do ex-presidente, Mário Figueiredo. A asserção, de tantas vezes repetida nas amplas auto-estradas da comunicação desportiva, ganhou foros de sentença. Não tenho informação suficiente sobre algumas "manobras" que são imputadas, superficialmente, ao ex-presidente da Liga, mas recuso-me a embarcar na corrente daqueles que pretendem arranjar um bode expiatório para alijar as suas próprias responsabilidades.

Ponto prévio: em nenhum momento, a Liga é aquilo que os clubes não quiserem. O ex-presidente foi eleito, à data, pela maioria dos emblemas do futebol profissional. Não foi nomeado nem foi uma decorrência de cariz político. Foi eleito, repito, pela maioria dos clubes profissionais, que conheciam as principais linhas orientadoras do programa do ex-presidente. Sabiam que eram um objectivo programático o alargamento dos quadros competitivos e o aumento de receitas (para todos) resultante da centralização dos direitos televisivos. Se estavam a dormir ou se achavam que a eleição de Laranjo, à data, se fazia "naturalmente", em razão dos ditames de um regime situacionista habituado a não dar espaço a "revolucionários", não podem continuar a fingir que se achavam acordados e não reconhecer que foram traídos pela sua própria soberba.

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Toda a gente percebeu, embora a maioria por razões óbvias não o queira reconhecer, que houve um momento em que muitos clubes, apesar de alimentados artificialmente pela Olivedesportos de Joaquim Oliveira (JO), estavam fartos do jugo imposto pelos efeitos dessa total dependência financeira. Foram mal comportados mas tiveram um assomo de sinceridade. Acontece, porém, que esse arrebatamento foi rapidamente colocado numa máquina centrifugadora. Todos estamos lembrados do envolvimento activo, na fase de transição ou - dito com maior rigor - na fase de reposição, de intermediários como Júlio Mendes (V. Guimarães) e José Eduardo Simões (Académica), curiosamente com tantas soluções para resolver os problemas da Liga e com tão poucas para projectar o nível competitivo dos clubes que representam, e ainda de Tiago Ribeiro (Estoril), acabadinho de concluir a tarefa para a qual vinha industriado quando a Traffic assentou arraiais na Linha. O melhor de dois mundos seria aumentar as receitas resultantes dos direitos televisivos, com JO dentro do jogo, mas como isso não era possível, a fazer-se uma escolha ela teria de passar pela "recuperação" de Joaquim Oliveira. Chama-se a isto… "gratidão".

Pinto da Costa pode ter muitos defeitos, mas nunca fica deixar mal os amigos ou quem, de alguma maneira, protege os seus interesses. PC jamais poderia deixar cair JO e a verdade é que o presidente do Benfica, apesar de ter compreendido que essa "aliança" era um dos sustentáculos da hegemonia do FC Porto, evidenciou sempre muitos cuidados na abordagem pública do assunto. O presidente do Sporting, pela sua postura beligerante, potenciou a aproximação entre FC Porto e Benfica, e Luís Duque foi a figura achada para devolver "a normalidade", não especificamente à Liga mas às fundações que sustentam há muitos o sistema de organização do futebol português.

Quem asfixiou a Liga e quem promoveu o "abraço de jibóia" ao ex-presidente foram os clubes, que reuniram as condições necessárias para "secar" a dinâmica dos patrocinadores. Pediram-lhes um tempo de espera. Foi cruel, mas foi assim. Como deve ter sido cruel para Duque, utilizado como veiculo, assistir à promoção feita em torno de Pedro Proença para poder ocupar, no curto-prazo, um lugar relevante na Liga.

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Como é que se pode "ser" presidente da Liga nestas condições? No acredito que Duque se sinta bem neste papel e não acredito que continue a alimentar esta farsa em 2015/16.

NOTA - O Bayern era claramente o adversário a evitar pelo FC Porto. Mas, para além do coeficiente de máxima dificuldade, já se sabia que esta eliminatória da Champions trazia com ela um problema acrescido: uma segunda quinzena de Abril absolutamente diabólica para o FC Porto: decisão na Champions, decisão na Taça da Liga (provavelmente com o Benfica) e decisão no Campeonato (seguramente com o Benfica). Nestas circunstâncias, possuir um plantel qualitativa e quantitativamente equilibrado é muito importante, mas pode não chegar. É que o Bayern está num patamar superior e o Benfica conquistou uma vantagem que será muito difícil de eliminar.

NOTA 1 - A FPF contratou um seleccionador castigado e, como tal, deve estar preparada para assumir as consequências, se o TAS não reduzir drasticamente o castigo a Fernando Santos.

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O CACTO

Belenenses - que papel?

Anda para aí um alvoroço por causa das arbitragens e não é para menos. Toda a gente sabe que, independentemente dos méritos de jogadores e treinadores, as arbitragens em Portugal têm dado muitas vitórias e muitos campeonatos. Numa base ética muito frouxa, vem sendo possível fazer a exploração da subjectividade das leis de jogo, através de magistérios de influência sobre o sector da arbitragem. Sempre foi assim e continuará a sê-lo, enquanto não se denunciar o logro e partir para outros mecanismos que levem os árbitros a produzir melhores decisões, nos lances cruciais.
Mas este campeonato não vai ficar apenas marcado pelas arbitragens.

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O Belenenses tem protagonizado um caso de cedência espúria aos ditames do negócio que precisam de ser reflectidos. O Belenenses é um clube histórico, cujos sócios e memória merecem muito melhor. A forma como se submeteu ao esvaziamento da sua capacidade competitiva e a dependência que criou, esta época, em relação ao Benfica não pode passar sem reparos. Na competição interna não deveria ser possível que um clube funcione como "fundo de investimento" de outro. A integridade da prova ressente-se e a verdade desportiva também. O que se passou esta semana com Lito Vidigal foi apenas a confirmação da utilização do Belenenses para outros fins. Lamentáveis.

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