À final!

À final!

Aconteça o que ainda acontecer, o Mundial de 2014 já está acontecido: a monumental derrota do Brasil aos pés da Alemanha nunca mais será esquecida. Aquela dúzia de minutos em que os “panzers” cilindraram o escrete está para sempre no trauma dos brasileiros, na glória dos alemães e na memória de quem viu o jogo. 7-1 é como uma marca em brasa na pele, nunca passa. Perguntem aos sportinguistas. Ou aos benfiquistas.

A deceção de todo o país encontrou o seu culpado, Luiz Felipe Scolari. Há razões para isso, a banhada da Alemanha também foi (ou talvez tenha mesmo essencialmente sido) tática. Scolari sempre foi um selecionador “quente”, focado numa forte motivação. Perdeu contra um selecionador alemão “frio”, que desenha rodas dentadas no campo. A razão sobrepôs-se à emoção. O Brasil foi só coração. Um coração completamente desatinado, sem noção de defesa nem capacidade de organizar ataque. Teria sido muito diferente com Neymar?

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A derrota do Brasil escancarou a fragilidade de uma equipa que não chegou a convencer. O Brasil estava a ter mais sorte que mérito. Mas não foi o único. Não há nenhuma seleção que tenha esmagado em todos os jogos, que não tenha estado em risco de perder pelo menos um jogo. Incluindo a Alemanha. Incluindo a Argentina. O Brasil. E a Holanda.

Da chuva de golos de uma semifinal e da aridez na outra resulta uma final para a qual a Alemanha parte como favorita. Não apenas pela inominável tosa que deu ao Brasil, mas porque de facto se revelou como a equipa mais consistente ao longo do Mundial. Depois da lotaria de ontem nos penáltis, a sorte favoreceu quem, apesar de tudo, mais mereceu ao longo do jogo. E assim temos uma final de grande nível, entre a melhor equipa europeia e uma das melhores equipas da América do Sul deste Mundial, onde as revelações nasceram quase todas desse continente (com a exceção da Bélgica).

Alemanha ou Argentina? Domingo veremos. E depois agradeceremos termos tido um Mundial tão bom, definitivamente marcado por um afastamento escandaloso do favorito.

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