As contas dos clubes de futebol português são uma lástima, carregando anos de prejuízos que alimentam dívidas insustentáveis. Quando questionados, a melhor resposta que os clubes ou SAD normalmente dão é que não são os únicos, sugerindo que olhemos para as contas do clube rival, seja ele qual for. Estão bons uns para os outros. Ou maus uns para os outros...
É norma: estão tecnicamente falidos. Ou seja, têm capitais próprios negativos. Ou seja, têm menos ativos do que passivos. Ou seja, têm um património inferior às suas dívidas. Assim é dos mais pequenos aos maiores. Ou há aumentos de capital (de quem, de um oligarca?), ou há perdões de dívida ou o caldo um dia entorna-se. Foi assim com o Sporting, que colapsou vertiginosamente por causa de gestões daninhas, como se espera que a auditoria à gestão dos últimos anos (na verdade, décadas) venha a mostrar.
“Tecnicamente falidos” soa sempre a uma expressão irrelevante. Como se “tecnicamente” quisesse dizer “teoricamente” falidos mas “na prática” muito bem de contas. Na verdade, o “tecnicamente falidos” é apenas um primeiro aviso para o que, mais tarde ou mais cedo, “na prática” acontecerá se nada mudar: a falência, perdas de credores, compra por um terceiro a preço de saldo ou todas estas coisas em simultâneo. Começando pelos três grandes, é essa a situação, que todos os anos vai sendo ultrapassada com reestruturações de passivo (de que o Sporting é campeão), boas vendas de jogadores (como antes acontecia com o Porto e agora sucede com o Benfica) e com participações na Champions lucrativas (como só o Porto tem conseguido).
Este assunto está mais em cima das preocupações dos bancos do que da Liga dos Clubes ou mesmo da Federação, que até tem vindo a financiar a continuidade de competições. Mas um dia isto estoira, começando pelos mais fracos e subindo até aos mais fortes.