Siqueira, no ano que esteve no Benfica, fez uma época excelente e as águias já não viam um lateral-esquerdo de grande qualidade desde os tempos de Fábio Coentrão. Brahimi, nos primeiros jogos que jogou com a camisola do FC Porto, mostrou que era um jogador acima da média e mais tarde ou mais cedo será vendido por uma boa quantia e será outro grande negócio de Pinto da Costa. Já o mexicano Layún está a dar um rendimento incrível nestes primeiros meses com a camisola portista. Está emprestado com uma cláusula de 6 milhões de euros e ao que tudo indica será outro grande negócio para o FC Porto. Três jogadores estrangeiros de grande nível, e se me perguntarem o que têm um brasileiro, um argelino e um mexicano em comum, eu respondo que uma pessoa. E essa pessoa é Quique Pina. Aproveitando a paragem para jogos das seleções, pensei que este era momento de falar da história de um autêntico campeão, pois esta é digna de ser contada!
Tenho o grande privilégio de ser amigo íntimo de Quique Pina. Conheço-o desde a minha segunda passagem pelo Atlético Madrid, por volta de 1997, e desde então que nunca deixou de surpreender-me, ano após ano, com as suas conquistas. Recordo-me que o seu grande sonho era ser dono de um clube e hoje, 18 anos depois, é o presidente do Granada CF, tem a gestão desportiva do Cádiz, onde meteu o seu pai como presidente, e o seu sócio é Gino Pozzo, que à parte de ser o máximo acionista do Granada também é o dono de outros dois clubes: Udinese, em Itália, e Watford, da Premier League, em Inglaterra. Neste último qualquer contratação precisa sempre do aval do Quique. Siqueira e Brahimi vieram do Granada para Portugal, e Layún está emprestado pelo Watford.
É sem dúvida um dos maiores casos de estudo do futebol mundial por tudo o que conquistou e conseguiu em espaços tão curtos de tempo. O Quique foi jogador profissional de futebol mas retirou-se cedo e converteu-se em empresário de jogadores. Em 1999, quando tinha apenas 31 anos, fundou o Ciudad de Murcia. No primeiro ano era presidente/jogador e conseguiu a subida à 3.ª Divisão com apenas uma época de trabalho. Mas não se ficou por aqui: na temporada seguinte subiu à 2.ª Divisão B de Espanha. Incrível como uma equipa recém-criada já estava neste nível em tão pouco tempo. Dois anos depois, na época 2002/03, consegue outro feito espetacular e sobe à 2.ª Divisão espanhola. Em quatro anos três subidas com um clube que era completamente novo, algo que foi inédito. Durante vários anos manteve-se na Segunda e quase conseguiu disputar o playoff de subida à Primeira.
Já em 2007 fez uma jogada brilhante, algo que nunca tinha sido feito até então na liga espanhola. Um negócio que os americanos fazem muito nos seus desportos como a NBA ou NFL. Vendeu o Ciudad de Murcia por 27 milhões de euros e o clube não só mudou de dono como também de cidade e nome, passando a ser chamado Granada 74. Esta revolucionária operação foi denunciada pela LFP e outros organismos, mas o TAS deu razão ao Quique. Sem dúvida nenhuma uma ação de génio.
Em 2009 acaba por assumir a presidência do Granada CF, que estava na altura na Segunda B, e como se não bastasse subiu logo no primeiro ano à 2.ª Liga e no ano seguinte atingiu o tão esperado sonho: a 1.ª Liga espanhola. De novo em tempo recorde, de novo só para um craque como é o Quique Pina. Trinta e cinco anos depois o histórico Granada conseguia o regresso à Primeira. Impressionante! Cinco subidas como presidente de dois clubes é de “Guinness”. Não conheço ninguém com um êxito tão momentâneo como o seu. Por outro lado, vai agora na quinta época consecutiva em que o Granada compete na melhor liga do Mundo e sempre com um orçamento muito limitado. Sem dúvida outro grande êxito do Quique. Ele não faz golos nem assistências, mas é um prodígio do futebol mundial!
Rafa Benítez
Estamos em novembro e o Real Madrid perdeu na semana passada o primeiro jogo da época. Mas pelo massacre de críticas cruéis que têm feito ao Rafa Benítez durante todos os dias desta semana por uma grande maioria da imprensa espanhola, parece que os merengues perderam todas as competições naqueles 90 minutos. Não é assim, o Real só perdeu três pontos e se estas ferozes críticas foram assim contra o Sevilha, imagino a caldeirada que será se o Real Madrid perder o próximo jogo em casa contra o Barcelona. O Rafa Benítez terá de abandonar Espanha.
Rui Jorge e os miúdos
Desde outubro de 2011 que a equipa de sub-21 de Portugal não perde em 90 ou 120 minutos, existindo apenas um percalço que foi uma deceção para todos nós com a derrota em penáltis na final do Europeu da categoria contra a Suécia. Vinte vitórias nestes quatro anos fazem desta caminhada de Rui Jorge e dos seus miúdos um feito incrível! Parabéns a todos!
O pequeno grande génio
Na terça-feira, Portugal joga um amigável contra o Luxemburgo. Em novembro de 1988 também jogámos contra os luxemburgueses no Estádio do Bessa. Era um jogo de qualificação para o Mundial de 1990, em Itália. Recordo-me que não jogámos bem mas acabámos por ganhar 1-0. Mas aquela partida foi muito especial para mim. Nunca me esquecerei da alegria que tive quando saiu a notícia de que o Chalana estava convocado para aquele jogo. Não podia acreditar, ia jogar na Seleção Nacional com o meu grande ídolo. Passei a minha infância e adolescência a tentar imitar as fintas do pequeno grande génio e sempre sonhei em jogar com ele algum dia. E esse momento chegou. Realizei o sonho. Na altura já estava no Atlético Madrid, tinha sido campeão da Europa uns meses antes com o FC Porto e era o grande favorito para ganhar a Bola de Ouro em dezembro. Era um craque e um ídolo para muitas pessoas, mas nos treinos e mesmo no próprio jogo senti-me muito pequeno e intimidado porque o Chalana, o pequeno grande génio, era mesmo muito grande!