Estamos a poucas horas da decisiva segunda mão do "playoff" entre a Bósnia e Portugal. Agora, não há mais ses: ganhando, empatando ou perdendo pela diferença mínima (marcando golos)... fica assegurada a qualificação para a África do Sul, perdendo por 2 ou mais golos... e o sonho de um brilharete no Mundial termina antes dos jogos "a sério" começarem.
Continuo esperançado. Acredito, sem ironias nem sentimentos exacerbados de nacionalismo, que Portugal tem condições mais do que suficientes para bater os adversários. Escrevo no plural, porque já se sabe - sempre se soube, após o sorteio... - que os jogadores lusitanos não terão de defrontar apenas os 11 bósnios que forem escalados para alinhar. Nas bancadas, em Zenica (feudo radical dos muçulmanos daquele jovem país), estarão mais uns quantos milhares dispostos não só a apoiar os seus, mas também a insultar ou cuspir os outros, os portugueses.
Confesso que a minha confiança seria maior se o resultado do jogo da Luz tivesse sido mais agradável (o.k., admito que esteve bem perto de ser pior...); se Cristiano Ronaldo estivesse pronto a jogar; se Bosingwa fosse o dono do posto de lateral direito; se Pedro Mendes pudesse repetir as últimas exibições registadas ao serviço da Selecção (seria determinante para tapar os caminhos para a baliza de Eduardo) ou se Queiroz lograsse, ao fim de várias experiências, encontrar um defesa esquerdo sólido... a defender. Mas, mesmo assim, reafirmo, estou esperançado. Basicamente, porque mesmo com esta ou aquela contrariedade há algo que é indiscutível: Portugal é melhor!
Embora, durante a fase de qualificação, o País tenha entrado num acentuado clima de pessimismo, creio que os últimos resultados devolveram alguma confiança às hostes. Contudo, tenho a certeza, uma eventual eliminação será equiparada a um tremor de terra. Falhar a presença na África do Sul deixará Portugal em profunda depressão. E, convenhamos, nesta altura do campeonato, o povo precisa é de boas notícias e não de mais dores de cabeça.
Mas, se uma derrota será de complicada digestão para milhões de portugueses, um deles terá mesmo um problema grave para resolver. Estou a falar de Queiroz. Pese a existência de um contrato, o treinador não terá condições de continuar ao serviço da FPF caso não consiga levar a equipa à África do Sul. A única questão é saber se sairá pelo seu próprio pé, de mão dada com Madaíl ou empurrado pela opinião pública.
Por outras palavras, em Zenica, Portugal joga a presença no Mundial e Queiroz também o seu posto de trabalho. Espero que todos estejam a sorrir no regresso a casa...