A incrível Vanessa Fernandes

Embora em Portugal exista o grande defeito de se confundir "desporto" com "futebol" (e assumo que esse é um problema também presente na classe jornalística...), a verdade é que nem tudo gira em torno da modalidade mais mediática. E é necessário que a opinião pública vá aprendendo a observar o que se passa no resto. Sim, porque não é justo criticar (ou elogiar) os atletas aquando dos Jogos Olímpicos, mas praticamente ignorá-los durante largos períodos de quase quatro anos, algo que sucede, por exemplo, com os veteranos do voleibol de praia: Miguel Maia e João Brenha.

Portugal, embora sendo um país pequeno, encalhado numa ponta da Europa e com pouco mais de 10 milhões de almas, consegue, de tempos em tempos, mostrar que não tem jeito apenas para o futebol, já para não falar no hóquei em patins, uma paixão de há muito, mas que teima em não ter seguidores lá fora (logo na nossa melhor especialidade, o Mundo resolve assobiar para o lado...)

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Nos últimos anos, Portugal tem "construído" - ou os próprios surgem quase como geração espontânea, com escassos apoios e meios... - atletas de grande valia em desportos que, basicamente, passavam despercebidos. Falo da vela (embora em tempos tenha existido uma boa escola por cá, ou não fossêmos um país de navegadores), do judo ou do râguebi.

A última "invenção" do desporto português é mulher, o que torna a situação ainda mais admirável, e dá pelo nome de Vanessa Fernandes. Filha de um antigo ciclista (Venceslau Fernandes), esta agora atleta do Benfica é simplesmente brilhante. Tanto ou tão pouco que este domingo venceu a 11ª prova (10ª consecutiva) da Taça do Mundo de triatlo. Incrível!

A sua ímpar habilidade para nadar, pedalar e essencialmente correr tem sido o maior cartaz que uma modalidade pode ter. Sim, pois por mais que custe admitir, o único caminho para o reconhecimento passa, invariavelmente, pela conquista de vitórias. E isso, para a Vanessa, até parece fácil.

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Mais do que uma medalha no Mundial que se aproxima, acredito que a Vanessa pode ir a Pequim, em 2008, fazer algo que para um português é raríssimo: conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos e, claro, colocar milhões de pessoas a escutar o nosso hino. Eu, sinceramente, penso que é isso que vai suceder, pois todo o talento, aliado à sua dedicação, só pode acabar dessa forma.

E caso se confirme o meu prognóstico, espero que as entidades governamentais se lembrem de não cortar a verba correspondente ao IRS do prémio da Vanessa...

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