O FC Porto teve azar e o Benfica não teve sorte neste último jogo na Champions. Mas não foi sorte nem o azar o que, nos jogos anteriores, os tornou dependentes de terceiros. Foi mesmo demérito. Agora vêm as consequências. Aguenta o FC Porto e o Benfica saírem da Champions e não venderem jogadores?
A primeira consequência é a “despromoção” dos dois clubes para a Liga Europa. A despromoção retira-nos da competição maior entre clubes, mas de algum modo coloca-nos num nível onde nos vamos dando melhor. A Liga Europa é mesmo a nossa liga natural e só quando nos superamos, o que felizmente não é assim tão raro, conseguimos almejar mais longe.
Já na Liga Europa temos tido muitos sucessos na última década. Em 2003, o FC Porto de José Mourinho ganhou; em 2005, o Sporting de José Peseiro foi à final; em 2010, o Porto de Villas-Boas defrontou na final o Sporting de Braga de Domingos Paciência (depois de o Benfica ter caído na meia-final); e em 2013, o Benfica foi à final. Irão Porto e Benfica neste ano longe? Veremos. Mas parecem ter equipa para isso. Se as equipas aguentarem como estão.
O problema é que a Champions é uma vaca leiteira de dinheiro ao pé da qual a Liga Europa nem para bezerrito dá. Há uma brutal perda de receita potencial entre estar numa competição ou na outra. Ora, estes dois plantéis foram desenhados para as receitas da Champions e não é fácil rentabilizá-los sem essas receitas. Sem elas, sobram outras: como a venda de jogadores.
O Benfica, como aqui foi escrito no início da época, pôs prego a fundo nas contratações, conseguindo a “proeza” de, nestes tempos difíceis, ter crédito bancário para tal. O FC Porto, por outro lado, mantém uma estrutura financeira equilibrada, mas de elevado risco, isto é, que depende das vendas lucrativas de jogadores. Este ano, essas vendas foram profícuas mas desequilibraram a equipa. E poderão desequilibrar ainda mais. Porque fora da Champions, FC Porto e Benfica passam a ter uma pressão financeira que pode forçá-los a vender jogadores.