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A exibição de ontem dos Sub-21, em Melgaço, e mais do que a exibição, o desfecho, constituem novo desafio à determinação da nossa selecção principal em conseguir hoje um bom resultado. E o que se poderá considerar um bom resultado? Antes de mais, ganhar. De qualquer maneira e com qualquer número no marcador final. Mas... ganhar, mesmo sem jogar bem? Ganhar apenas num golpe de sorte? Sim, sejam quais forem as incidências do jogo, vencer hoje a Itália será sempre excelente.
Porque acabou o tempo em que qualquer coisa servia, em que as experiências de Scolari podiam dar apenas vitórias morais. Agora, começam a doer. Mas empatar pode ser também um bom resultado, como positiva será até uma derrota imerecida desde que, em ambas as hipóteses, a Selecção exiba, finalmente, o empolgamento, a atitude, “a Pátria na camisola” que arrebate os que estão ao redor do campo, os que seguem a partida pela TV e todos os portugueses.
Se queremos que a Selecção tenha êxito no Europeu, temos de criar um clima nacional de entusiasmo e confiança. Que pode e deve iniciar-se hoje, em Braga, com uma exibição consistente. Vamos a isso, rapazes!
Carlos Alberto
Só pode ser da sina, do destino, das estrelinhas de Mourinho, de Teles e de Pinto da Costa todas juntas, sei lá. Porque se já não parece normal que depois de se ter ficado sem Derlei se "invente" um tal de Benni McCarthy, menos curial parece que em vez de um se "arranjem" logo dois. Mas foi o que aconteceu.
Como se não bastasse ter promovido a recuperação de McCarthy, o FC Porto descobriu na mesma altura, lá pelos brasis, uma nova enfardadeira de jogar e de marcar que dá pelo nome de Carlos Alberto - quem sabe se homenagem a um dos mais fantásticos laterais da história do futebol. E este Carlos é perfeito: faz a jogada, "arruma" a falta e marca o golo. A concorrência que se dedique à pesca.
Elmano
O árbitro do Sporting-Paços de Ferreira tem ouvido o habitual coro de críticas. Habituámo-nos a atirar tudo para cima do homem do apito e, portanto, há sempre um freguês de serviço. No caso de Elmano Santos parece que sai mais vezes na rifa.
Na Liga da Verdade promovida pelo Record, este juiz de campo está mal classificado - é... último. Mas o que me interessa agora é o que eu vi no jogo de Alvalade. E vi um árbitro atento, empenhado, isento no julgamento dos lances e utilizando o mesmo critério na aplicação de cartões e na marcação de faltas.
E o golo? É verdade, errou. Mas árbitro algum sancionaria aquela jogada. Só se tivesse um computador no lugar da cabeça.
Rui Jorge
Reconheço-o com prazer: gosto da personalidade forte de Luiz Felipe Scolari e tenho estado quase sempre de acordo com as suas opções. O "quase" tem muito a ver com a escolha de Rui Jorge, uma pessoa respeitável e um futebolista de mérito, note-se, mas cuja produção em campo deixei de apreciar.
Ainda defende bem, mas já desce pouco e é demasiado canhotodependente para o meu gosto. Não joga de frente, joga de lado, enfim, faz-me confusão. Talvez por isso, achei horrível o estilo arrogante com que apareceu no "flash interview" da RTP1, no final da partida de Alvalade, depois de se ter "desentendido" com o guarda-redes do Paços de Ferreira, que, aliás, o acusou de agressão.
Setúbal e Portimão não
Todos os anos os clubes do Sul vivem o "drama" da sua progressiva perda de influência. Se, na SuperLiga, ao virtualmente despromovido Estrela da Amadora ainda se podem juntar duas equipas sulistas - Alverca e Belenenses -, na Liga de Honra o "panorama" não é mais animador.
O Estoril será sempre excepção à "desgraça", já que fez como a cigarra e amealhou a tempo pontos que lhe "garantem" a subida - está já a 11 do 4.º classificado. Mas o Vitória de Setúbal, esse clube tão prestigiado e emblemático de uma das mais belas cidades do País, é que parece estar a caminho de uma grande desilusão.
Apesar da competência de Carlos Carvalhal, um treinador da nova vaga, os sadinos acumulam insucessos e dão sinais de que ainda não vai ser este ano que farão a festa. E quanto à outra equipa "cá de baixo" - três apenas em 18! -, o Portimonense, nem é bom falar, já que depois de um prometedor começo luta agora para... não descer.
Sendo assim, se subirem Penafiel e Varzim (os poveiros também em crise, valha a verdade) será "preciso" que desçam, da SuperLiga, Paços de Ferreira e Vitória de Guimarães para que tudo fique na mesma. Com o Norte a "esmagar", está claro.
Valdiran
E quem não tem Carlos Alberto "caça" com... Valdiran. Sempre me pareceu interessante a produção futebolística deste brasileiro de apenas 21 anos, oriundo do Alagoas Pernambucano e que o "faro" de Augusto Inácio não permitiu que se perdesse - como parecia ir acontecer - nas profundezas do plantel belenense.
A exibição de Valdiran contra o Gil Vicente foi magnífica - nota 4 no Record, nota 6 em "O Jogo" -, toda feita de velocidade e entusiasmo, e servida por uma excelente técnica individual. Só espero agora (Inácio que me perdoe a "intromissão") que não aconteça ao brasileiro o que aconteceu a Rúben Amorim depois da ma- gnífica exibição contra o Benfica: não sai do banco.
Perguntas leva-as o vento...
1. Qual é o treinador, contratado por um alto salário, que ameaça deixar o seu posto se não lhe regularizarem os 6-meses-6 de ordenados em atraso?
2. Que jogador foi driblado, durante a realização de um anúncio, de forma tão desajeitada que exigiu que essas imagens fossem imediatamente apagadas?
3. Quem é o maratonista da política que esteve na madrugada de domingo numa festa pós-ModaLisboa e que de manhã já se encontrava em Belém, no final da Meia-Maratona, fresco como uma alface?
4. Quem é o dirigente de um grande clube que reclamou junto da direcção de outro grande clube por este ter corrido com uma colaboradora, por sinal sua rica filha?
O vento traz as perguntas, o vento leva as respostas...