O FC Porto "acordou" ou começa a acusar a pressão dos 6 pontos?
Por mais voltas que se queira dar, há uma realidade incontornável. As instituições são pessoas, e as pessoas têm experiências com outras pessoas, uma melhores, outras piores. Os presidentes da FIFA e da UEFA usam o seu poder para tentar influenciar (como se viu, agora, no caso da Bola de Ouro), dão passos à frente e depois atrás, consoante os enquadramentos e estratégias pontuais; o presidente da FPF não foge à regra e exerce o seu magistério de influência. Neste caso, sem o objectivo de visar directamente o FC Porto como clube e instituição, mas porventura para deixar Pinto da Costa menos confortável. Coisas da memória.
O comunicado publicado ontem no sítio do FC Porto é o fim da "hibernação"? É, pelo menos, um registo a não deixar dúvidas de que as relações entre o FC Porto e a FPF, que não andavam bem mas aparentemente em lume brando, atingiram o ponto de ruptura. Quando se diz que é preciso um varredor para varrer a porcaria existente na FPF, não há outra interpretação: esta direcção e este presidente da FPF, segundo o FCP, estão a mais no futebol português.
Isto significa que, depois de ter dado algum benefício da dúvida, Pinto da Costa compreendeu não adquirir nenhuma vantagem pelo facto de a FPF ter o presidente que tem: um "ex-dissidente" do FC Porto. Acabaram-se as tréguas. Este "esquecimento de gala" da FPF em relação a Pedroto e Pinto da Costa corresponde não apenas à gota de água que faz transbordar o copo mas também ao gatilho necessário para tentar camuflar e justificar os 6 pontos de atraso para o Benfica. Nem Quinas de Diamante, nem Quinas de Ouro, nem Quinas de Lata. São Quinas de (puro) Veneno.
Conclui-se este fim-de-semana a primeira volta do campeonato e, se a lógica se mantiver nesta jornada, o Benfica atingirá a primeira metade da prova com os tais 6 pontos de avanço. Aliás, se se mantiver a lógica das últimas 15 temporadas, o Benfica voltará a ser campeão, porque nenhuma equipa alguma vez conseguiu recuperar de uma desvantagem tão grande, quando registada no final da respectiva primeira volta. E, se assim for, 2015 será um ano histórico. Para o Benfica, porque a última vez que isso aconteceu foi com Eriksson em 1982/83 e 1983/84 (há 31 épocas!) e também para o futebol português, porque nesse largo período só o FC Porto conseguiu somar títulos consecutivos - em 6 ciclos diferentes!
O que se joga esta época é, pois, a quebra de hegemonia do FC Porto no futebol português, depois de mais de 30 anos a não deixar que nenhum clube rival ousasse contestar essa supremacia.
Desde que Pinto da Costa chegou à presidência, nunca o FC Porto fizera uma época tão negativa como aquela que protagonizou na época passada. E a reacção foi célere: num ambiente financeiro desfavorável, fortíssimo investimento, com repercussões na factura da massa salarial. Aposta total (quase cega) num treinador (Lopetegui) e em jogadores-maioritariamente-do-treinador e, se não houver retorno desportivo (era esse o objectivo!), estamos perante mais uma aposta falhada da SAD, que coloca em causa Pinto da Costa e acentua a ideia de declínio e... "fim de regime".
Tirando agora este "caso da FPF", todos os cuidados vinham sendo poucos na abordagem das grandes temáticas deste campeonato por parte do FC Porto, que se vê acossado por si próprio. Há mais meio campeonato pela frente, mas as apostas estão a levar demasiado tempo a mostrar serviço, em pleno. O dragão parece adormecido, não tem a vitalidade de outros tempos, já perdeu esta época com o Benfica e com o Sporting (Taça) no seu reduto e até o seu futebol parece demasiado romântico e espreguiçado. No tema das arbitragens, e não obstante alguns prejuízos, a contrastar com anos e anos de muitos benefícios, a indolência é a mesma. Foi preciso aparecer uma tarja gigante na zona das claques no Estádio do Dragão, também elas com menos "poder de fogo", para se identificar um sinal de revolta portista. A somar a tudo isto almocinhos de leitão na Bairrada com Vieira, para "salvar" a Olivedesportos, perdão, para "salvar" a Liga. Esta coisa dos "andores" tem muito que se lhe diga...
NOTA - O problema destes prémios agora atribuídos sob a égide da FPF são as omissões e os esquecimentos e, por isso, as injustiças, algumas das quais verdadeiramente irreparáveis. Em vez de centrar a sua atenção nas associações, Fernando Gomes deveria ter tido a lucidez de homenagear os três clubes que mais fizeram pela afirmação do futebol português, a nível doméstico e além-fronteiras: Benfica, FC Porto e Sporting. É um erro elementar. É um erro histórico. É um erro centenário. Para além de outros esquecimentos, também graves. A distinção feita à Liga (na pessoa de Luís Duque) foi a parte hilariante. Isto sem humor não tem piada nenhuma.
Mestres e amestrados
Em artigo de "opinião", o sócio do Sporting José Eduardo decidiu ser o que é: vulgar. Não rebateu nenhuma das críticas que, publicamente, lhe apontei, muitas das quais neste honrado jornal. Ficou triste com a estória de vender "croquetes". Não sou eu que lhe chamo (nem chamei) "Zé dos Tachos". São as claques do Sporting. Ele diz-se independente. Eu digo que uma pessoa que factura "em grande" à custa do Sporting e quer fazer "política sportinguista" nunca se pode considerar independente.
A "cultura sportinguista" que ele diz ter não é isso. "Cultura sportinguista" é seguir as representações do clube em grande parte das manifestações desportivas e pagar para ser sportinguista. Não é cobrar para ser sportinguista. Este, aliás, foi a principal razão pela qual o clube de Alvalade chegou ao que chegou - e aí Bruno de Carvalho não tem a mínima, repito, a mínima responsabilidade. Um "independente" não se coloca no papel de caixa de ressonância. Conseguirá salvar-se de um processo disciplinar? De um processo de Marco Silva (entrado ontem no DIAP) não se livrou. Com o testemunho de Rui Patrício.
Só mais um detalhe: os meus Mestres sabem a outra parte da história. Na memória do Bairro Alto e no Céu.