Portugal está a 90 minutos de assegurar a presença no Mundial da África do Sul. Depois da vitória caseira, por 1-0, diante da Bósnia, já nem é preciso marcar golos na segunda mão. "Basta" manter a baliza de Eduardo inviolada e o assunto estará tratado. O problema é que a tarefa de sair de Zenica sem sofrer golos será, com toda a certeza, complicada...
Sem Cristiano Ronaldo, com um Paulo Ferreira visivelmente sem o ritmo adequado para um embate desta importância e sabendo que era imperativo não sofrer golos em casa, Portugal entrou "a meio gás". No entanto, longe de brilhar, o conjunto de Carlos Queiroz cedo mostrou ser mais forte que o adversário. E com naturalidade chegou ao golo.
Contudo, na ressaca do tento obtido por Bruno Alves, a formação das quinas relaxou em demasia. Deu mesmo a ideia de que a estratégia passava por gerir o resultado até ao descanso para, depois, voltar à carga. Os bósnios, atentos, aproveitaram para sair do seu meio-campo e podiam ter marcado em cima do descanso, quando acertarem na trave e obrigaram Eduardo a apertada defesa.
Na segunda metade, Portugal voltou a pegar no jogo. E com relativa facilidade podia (e devia) ter ampliado a vantagem. A defesa bósnia, como já se sabia, é o sector mais fraco de uma jovem e atrevida selecção que, sempre que devidamente pressionada, vacila. Só que os pupilos de Queiroz, à passagem dos 70 minutos, quando era obrigatório continuar a forçar o ataque para chegar ao 2-0, resolveram fazer exactamente o contrário.
A Selecção Nacional não foi suficientemente agressiva nos últimos minutos e as substituições também não tiveram o condão de reanimar o grupo. Bem pelo contrário! E por causa disso, Portugal não vai à Bósnia com um "score" mais agradável. Mas, face ao que se passou nos derradeiros instantes, o magro 1-0 não foi nada mau. Os opositores - que aproveitaram a inoperância lusa para voltar a avançar no terreno - atiraram mais duas bolas aos ferros e só não empataram por manifesta falta de sorte. Desta vez, Queiroz não se pode queixar do azar...
E tendo em conta a ajuda que todos os santinhos deram à equipa na Luz, estou cada vez mais convencido que Portugal vai mesmo chegar ao Campeonato do Mundo. No entanto, é fácil adivinhar que o duelo da segunda mão não vai ser fácil. O ambiente promete ser infernal e os bósnios possuem, efectivamente, uma equipa cotada do meio-campo para a frente. A sua facilidade em chegar à área contrária (e em rematar) é tão evidente que ouso dizer que são bem mais perigosos que dinamarqueses ou suecos, os adversários "a sério" com que medimos forças na fase de grupos. Todavia, para o confronto de quarta-feira é preciso ter em conta alguns aspectos favoráveis:
- Portugal está em vantagem. Quem tem de atacar (e marcar) é a Bósnia;
- Adiantando a equipa, o opositor irá, seguramente, oferecer espaço para os contra-ataques lusos. E todos sabemos que é nesse modelo que a Selecção é mais perigosa;
- A Bósnia não vai poder contar com três habituais titulares (por acumulação de amarelos), sendo forçada a recorrer a atletas com menor qualidade e experiência.
PS - Sendo justo referir a segurança de Ricardo Carvalho, a atenção de Eduardo, o jogo certinho de Duda, o regresso às boas exibições de Raul Meireles, o oportunismo de Bruno Alves no momento do golo, a capacidade de luta de Liedson e o esforço de Simão, Deco e Nani (embora, por vezes, algo inconsequentes) para "inventar" lances de perigo, não posso deixar de destacar a grande exibição de Pepe. Se o luso-brasileiro voltar a estar tão eficiente na Bósnia, cortando tudo (pelo ar ou pelo solo) e mais alguma coisa, os bósnios não terão muitas chances para incomodar a baliza portuguesa.