Adeus "danilos"

Adeus "danilos"

Não é gralha, o adeus não é só a Danilo do futebol português, é aos "danilos" que por cá andaram nos últimos valentes anos, abrilhantando e dando competitividade europeia a equipas portuguesas, sobretudo ao FC Porto e ao Benfica. Esse modelo de negócio esgotou-se.

Contratar "gaitáns" ou "danilos", miúdos talentosos no virar dos 20 anos que mais tarde são revendidos pelo dobro ou triplo, foi um filão que o FC Porto inventou e o Benfica continuou. Mas duas alterações da situação fazem com que doravante seja muito mais difícil supor que Portugal vai ter capacidade para recrutar jogadores dessa craveira: primeiro, os clubes estão a viver com receitas muito menores pagando passivos que continuam muito elevados; depois, o modelo dos fundos de investimento tal como o conhecíamos vai acabar.

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Esta alteração de circunstâncias favorece quem investiu mais na formação de jogadores nos últimos anos. E nisso o Sporting tem a fama e o Benfica tem tentado ter o proveito: o investimento no Seixal é notório. Seja como for, o fosso enorme que existiu nos orçamentos anuais ente FC Porto e Benfica por um lado, Sporting e Sp. Braga por outro lado, e os demais clubes por fim, deu em competitividade europeia o que tirou em competitividade nacional.

Vamos ter provavelmente equipas menos desiguais no futuro, mas nivelando por baixo em relação ao que se passa hoje, pois os "danilos" e os "gaitáns" (e os "danis", para ser justo) fazem toda a diferença. O fim do "esquema" dos fundos de investimento é uma boa notícia, mas num país onde os clubes estão massacrados por dívidas, a muleta vai fazer-lhe falta.

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