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Lembro-me perfeitamente do primeiro dia em que vi o Mike Plowden. Foi no velhinho pavilhão do Barreirense. Ele era a grande figura dos seniores do popular clube da Margem Sul, enquanto eu apenas um dos muitos "minis" do Algés. Foi ele, com o típico sorriso, quem colocou as medalhas a todos os miúdos da minha equipa. Foi uma alegria imensa. Ter o Mike ali ao nosso lado, a dar-nos os parabéns, era um prémio ainda melhor que ganhar o torneio.
Muitos anos depois, já eu tinha desistido de tentar jogar essa modalidade que tanto aprecio há mais de 30 anos, tive a oportunidade de contactar diariamente com o Mike. Foi no Atlético que nos cruzámos. Ele era a grande contratação - oriundo do Benfica - de uma equipa de qualidade comandada pelo Carlos Barroca e onde eu exercia as funções de treinador adjunto.
Foi na Tapadinha, numa época em que o Atlético não parou de assustar (e ganhar) muitos emblemas mais cotados, que confirmei aquilo que sempre soube: o Mike era um homem bom, se calhar demasiado bom. Reservado, é certo, mas sempre simpático, humilde, humano.
Desportivamente, a temporada foi um sucesso. E o Mike, naturalmente, teve muito a ver com isso. Jogava e fazia jogar. Era uma força inesgotável, nomeadamente na defesa e na luta das tabelas. Todos viam nele um exemplo, um modelo, inclusive os dois estrangeiros que cedo perceberam a admiração e respeito que as pessoas sentiam por ele.
Enquanto jornalista, assisti a centenas de exibições do Mike. Pelos seus clubes e pela Selecção Nacional, entre nós e no estrangeiro, nas mais diversas competições. Não me lembro de o ter visto acabar uma partida sem transpirar litros de suor. Mike era um "guerreiro", um campeão que só equacionava competir para vencer. Como eu gosto de gente assim!
Como todos nós, o Mike também cometeu os seus erros. Não acredito em gente perfeita. Mas, o que ficará para sempre na memória de todos os que de perto privaram com ele é a sua extrema bondade, o carinho com que tratava as pessoas, da mais conhecida ao anónimo que o aplaudia nas bancadas.
Quando deixou os Estados Unidos para ser profissional num pequeno país da longínqua Europa, o Mike nunca deve ter pensado que seria aqui que viveria mais de metade da sua vida. Foi em Portugal que atingiu fama enquanto jogador, que fez amigos, que casou e constituiu família. Não foi por interesse - como tantos fizeram e ainda fazem - que se naturalizou português. Sempre esteve disponível para a Selecção, nos bons e maus momentos. E isso é algo que demonstra bem a forma como ele se apaixonou pela nossa terra, pela nossa gente. Obrigado, Mike!