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Depois de uma pré-época cinzenta – diria mesmo sem paralelo em décadas de história – o Benfica começa hoje os jogos “a doer”. Agora, a qualidade das exibições passa a ser um mero pormenor, importante é conquistar vitórias. E numa Supertaça diante de um opositor incomparavelmente menos cotado (embora motivado pelo primeiro sucesso a nível europeu), os encarnados só podem aspirar a erguer o troféu. O problema é que bater o Rio Ave será sempre um resultado normal para as águias, enquanto a derrota dificilmente se explicará e, com toda a certeza, transformará em crise evidente o atual clima de “preocupação contida”.
Jesus mostrou-se confiante no lançamento do jogo. É normal. E tentou amenizar o registo negativo dos últimos tempos. Compreende-se. Mas, por muito que se esforce o técnico, a verdade é que, nas derradeiras semanas, todos observámos um Benfica diferente daquele que, há meses, dominou o futebol português e esteve a escassa distância de conquistar a Liga Europa. Embora concedendo o devido desconto por se estar a falar de embates de preparação – que nunca devem ser vistos de outra forma –, o conjunto atual dos encarnados está menos forte, compacto, criativo e rotinado que o anterior, com a agravante de as aquisições não estarem, para já, a ser sinónimo de reforços. Aliás, não deve ser por acaso que, mesmo garantindo estar sereno, Jesus assume, sem rodeios, que terão de ser contratados ainda um guarda-redes, um ou dois médios e um avançado. O treinador, melhor que ninguém, sabe que ter muito material não é a mesma coisa que ter bom material. E na Luz, esta época, aterraram muitos “produtos” de qualidade questionável. Só ainda não se percebeu por culpa de quem...
Para facilitar as compras necessárias ou apenas e só para honrar os compromissos financeiros mais imediatos, também parece claro que o Benfica precisa de dinheiro. E nesse sentido tanto têm deixado o clube aqueles que justificaram o “bater da cláusula” por parte de emblemas mais desafogados, como tantos outros. Enão importa se eram titulares, suplentes ou elementos da equipa B, se são jovens ou trintões, portugueses ou estrangeiros. Se há perspetiva de negócio a ideia passa por concretizá-lo. E isso é uma novidade na gestão de Luís Filipe Vieira.