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Tardou, tardou, mas ele aí está. Rui Costa, depois de 12 anos em Itália, está de regresso a Portugal e, mais concretamente, ao "seu" Benfica.
Assumo, desde já, que sou admirador confesso das qualidades futebolísticas de Rui Costa. Lembro-me de o ver praticar futebol de salão - quando ainda era juvenil B do clube da águia -, no meio dos graúdos, e o seu talento já não permitia enganos: o rapaz tinha de ir longe. E foi.
Sem desprimor para muitos jogadores de classe internacional, portugueses e não só, Rui Costa sempre teve o condão de exibir um virtuosismo técnico só ao alcance dos predestinados. Correr de cabeça levantada e bola colada ao pé sempre foi uma imagem de marca, uma característica que, penso eu, nunca deixou indiferentes até aqueles a quem o futebol pouco ou nada diz.
Sei que uma pequena minoria de adeptos do desporto-rei, inclusive alguns benfiquistas, discordam da opção do clube da Luz em resgatá-lo ao AC Milan. Dizem que o Rui está velho, que já não tem "pedalada" para jogar 90 minutos e que vem ganhar muito dinheiro. Discordo. E muito! A qualidade não está expressa no Bilhete de Identidade. Futebolistas a brilhar, por esse mundo fora, com 34 ou mais anos é coisa que não falta. O "azar" do Rui é que, de repente, apareceu-lhe Kaká pela frente, só um dos melhores executantes mundiais da actualidade... Quanto ao dinheiro, o facto de assinar o contrato em branco diz quase tudo.
Acredito que o médio criativo vai ser útil ao Benfica, da mesma forma que seria, mesmo não tendo jogado muito esta temporada no Milan, ainda à Selecção. Aliás, Scolari já admitiu que não tem grandes opções para o posto ocupado por Deco. E se na lista dos 23 que vão à Alemanha cabem jogadores que pouco ou nada actuaram nos últimos meses (ou que nem clube têm para treinar), parece-me indiscutível que havia lá um lugarzinho para Rui Costa.