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De vez a vez, com uma desfaçatez que chega a enervar, lá aparece um político na televisão a recordar-nos que a culpa de Portugal estar a atravessar um período de crise evidente se deve ao facto de, num passado recente, termos vivido claramente acima das nossas possibilidades. Dito assim, todos nós passamos por ser um bando de irresponsáveis, que não sabem orientar o dinheiro, que gastam sem medir as consequências. Como é evidente, a conversa está longe de corresponder à verdade. Nem todos andámos por aí a torrar euros de forma inconsciente. De resto, o que vamos sabendo aos poucos é que muitos dos que se dizem especialistas em criar e gerir grandes verbas é que têm passado o tempo a ostentar algo que não tinham ou, em alternativa, possuíam mas não era deles.
Mas sejamos claros, os clubes portugueses, nomeadamente os grandes, têm mesmo vivido longe da realidade. Benfica, FC Porto e Sporting queixam-se (e com total propriedade) de não conseguir competir com adversários da Europa mais próspera quando estes resolvem atacar os seus jogadores. E mais tarde ou mais cedo as transferências acontecem mesmo. Isso não surpreende. O que causa muitas dúvidas é ver as principais referências do desporto nacional a gastar o que não têm, nomeadamente na hora de comprar ou quando oferecem ordenados chorudos às suas principais figuras para que fiquem entre nós duas ou três épocas. Viver sistematicamente à custa do crédito, empurrando para debaixo do tapete as dívidas que vão vencendo e são automaticamente substituídas por outras, tem sido o “modus operandi” dos mais fortes emblemas nacionais. E mesmo em crise, fazendo um ou outro corte (o FC Porto parece que não faz nenhum…), as compras não param.
E deixando de lado as questões financeiras, destaco a facilidade com que se gastam milhões a adquirir jogadores desconhecidos, sem provas dadas, visivelmente incapazes de vingar e inferiores a muitos jovens que, pacientemente, aguardam uma chance nas equipas B e nos juniores. Mas se não são opção em tempo de “vacas magras”, se voltar a “chover” dinheiro… esqueçam.